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03 junho 2017

O Tempo de Pentecostes

Pentecostes 8A Festa de Pentecostes celebra o início da Missão da Igreja, a partir do momento em que os discípulos e discípulas de Jesus, escondidos e com medo, recebem o Espírito Santo e dão início à Proclamação do Evangelho, a Boa Nova de Deus em Cristo.

A Festa de Pentecostes acontece 9 dias depois da Festa da Ascensão do Senhor, e inicia o Tempo Litúrgico da Igreja, quando as comunidades acompanham as narrativas dos Evangelhos sobre o Ministério de Jesus, como inspiração para o ministério missionário de Proclamar a Boa Nova, denunciar as ações diabólicas que ocorrem pelo mundo e testemunhar a Paz e a Justiça proclamando o Reinado de Deus. O Tempo depois de Pentecostes, também chamado Tempo Comum, termina na Festa de Cristo Rei, considerado o último domingo do ano litúrgico, que antecede o Domingo do Advento quando, então, reinicia-se o ano litúrgico.

O povo hebreu celebrava a festa da Colheita, o hag haqasir, sete semanas depois da Páscoa, e também como memória do dia em que Deus entregou a Moisés as Tábuas da Lei. Esse é o sentido original da festa de Pentecostes, celebrado no judaísmo dos tempos de Jesus.

A Igreja Cristã celebra nesse dia a vinda do Espírito Santo aos discípulos e discípulas de Jesus, dando início à pregação do Evangelho, a colheita da semeadura feita por Jesus... É a fundação da Igreja, não como instituição, mas como movimento que vai se expandir pelo Império Romano nos séculos seguintes e até mesmo para além dele.

Portanto, o Pentecostes nos convida a renovar nosso compromisso com a Missão (anúncio, denúncia e testemunho), essência do ministério que recebemos, por obra do Espírito Santo, em nosso Batismo. A Igreja, os discípulos e discípulas de Jesus saem com Ele pelo mundo, pelo poder do Espírito Santo, anunciando o Reinado de Deus, denunciando os poderes malignos e testemunhando a misericórdia e a graça infinita de Deus em Jesus, o Cristo.

Nos domingos durante o Tempo de Pentecostes, este ano as leituras estão focadas no Evangelho de São Mateus (Ano A cf. nosso Lecionário). Que esta caminhada nos ajude, pelo poder do Espírito Santo, como comunidade de Cristo, que sejamos renovados e assumamos com mais esperança e dedicação o compromisso com o Reinado de Deus, renunciando todos os demais reinos deste mundo.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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27 fevereiro 2017

O Tempo da Quaresma

Cruz da Quaresma 3Desde os dias primitivos da vida da Igreja, o povo cristão tem observado com grande devoção o tempo da Paixão e da Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. É costume prepararmo-nos para essas celebrações com penitência e jejum.
Antigamente, o Tempo da Quaresma era observado pelas pessoas que se preparavam para o Batismo, que acontecia na Páscoa, e por aquelas pessoas que seriam restauradas à plenitude da vida da Igreja. Recordava-se, assim, a mensagem de perdão e absolvição proclamada no Evangelho, e a constante necessidade de renovação do arrependimento e da fé.
O Tempo da Quaresma se inicia na quarta-feira seguinte ao último domingo do Tempo da Epifania, chamada Quarta-Feira de Cinzas, e termina no primeiro dia da Semana Santa, chamado Domingo de Ramos, totalizando 40 dias. A Igreja lembra, assim, os 40 dias que o Senhor Jesus passou em jejum no deserto, antes de iniciar seu ministério de anúncio da Boa Nova. Recorda-se, também, de forma simbólica, os 40 anos que o povo hebreu passou no deserto, como peregrino diante de Deus, até chegar à Terra Prometida, após a Libertação do jugo egípcio.

02 janeiro 2017

O Tempo da Epifania

Eis o Cordeiro de Deus 1A palavra Epifania significa “aparição”. Epifania é uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. Também pode ser um termo usado para a realização de um sonho com difícil realização. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa". ( cf. Wikipédia).
A Igreja utiliza esse termo para se referir à descoberta de Cristo pelo mundo, à manifestação de Cristo ao mundo inteiro. Isso é representado no episódio narrado por São Mateus (Mt 2.1-12) sobre a visita dos “magos do oriente” a Jesus pouco tempo depois de seu nascimento.
Assim, a partir de 6 de janeiro – Dia da Epifania do Senhor, que no Oriente cristão se celebra também o Natal – até o domingo de carnaval (Domingo da Transfiguração), a Liturgia da Igreja se expressa no Tempo da Epifania. As leituras e reflexões dominicais procuram testemunhar as manifestações do Cristo Vivo, encarnado em Jesus de Nazaré, a diferentes pessoas em seu tempo (e nosso tempo).

19 novembro 2016

Que Rei é este?

Jesus na Cruz 2As Igrejas de tradição Anglicana, bem como a Igreja Romana e, em alguns lugares, várias outras denominações cristãs protestantes, incluindo os luteranos, alguns presbiterianos e metodistas, celebram, em honra de Cristo, a Festa de Cristo Rei, ou como diz no nosso Livro de Oração Comum, a Festa de Jesus Cristo, Rei do universo, no último domingo do ano litúrgico, antes que o novo ano comece com o primeiro domingo do Advento.
O belo poema de Paulo, na carta aos Filipenses, descreve muito bem a maneira de como o Senhor manifesta o Seu Poder e nos dá pistas para entender o Seu Reinado:
   “Ele tinha a natureza de Deus, mas não se impôs como igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte — morte de cruz.Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas no céu,na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai”. (Filipenses 2. 6-11)

03 janeiro 2015

O Santo Nome – o Nome acima de todo nome!

Cristo Sacerdote ícone

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele,  subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Filipenses 2.5-11)

O Calendário Litúrgico da Igreja Episcopal determina para o dia 1º de janeiro, primeiro dia do ano civil, a celebração do Santo Nome de Jesus. Pela proximidade com o Natal, imagina-se que a Festa se enquadra no contexto do Menino de Belém que, tendo sido levado ao Templo para a circuncisão, recebe o nome de Jesus. Entretanto, não se trata disso, uma vez que, nos domingos depois do Natal, a apresentação de Jesus no templo e sua circuncisão têm seu lugar próprio.

A Festa do Santo Nome tem um caráter mais profundo e mais importante que um mero detalhe na vida de Jesus. A Festa se qualifica na Confissão da Fé Cristã, a afirmação do Senhorio de Jesus Cristo, Filho de Deus, Deus-conosco, Redentor e Salvador do Mundo, Rei do Universo!  Ele, o Logos que existia desde antes do Princípio, a Palavra Criadora, que se tornou carne humana em Maria e nessa condição humana, despiu-se de toda dignidade divina para que o ser humano e toda a criação retornasse à presença permanente do Criador! O Deus-conosco para sempre!

Iniciar o ano civil celebrando o Santo Nome significa assim, afirmar que a Igreja, a Comunidade de Fé, segue caminhando em Nome de seu Senhor, na Presença Companheira de seu Senhor através do Espírito Santo, anunciando a Boa Nova, denunciado o Mal e testemunhando a ação redentora de Jesus, o Cristo. Não há outro nome que justifique a ação da Igreja e sua presença no mundo, a não ser o Nome do Senhor! No horizonte do caminhar da Igreja está o Reinado de Deus através de Jesus Cristo, o Deus-conosco, Emanuel.

Infelizmente, o nome de Jesus, hoje, é vulgarizado, vilipendiado pelas práticas nada cristãs de grupos que se identificam como “Igreja”; o nome de Jesus se tornou um fetiche e um talismã, um produto de fácil consumo no mercado religioso, invocado como “palavra mágica” cujo efeito é produzir a “graça” comprada a preço barato dos mercadores de esperança que confiam na desesperança das pessoas para vender a ilusão do “milagre” e da “prosperidade”. O Santo Nome colocado a serviço da charlatanice e da exploração da boa fé das pessoas que andam sem rumo em seu desespero pós-moderno!

Por causa dessas coisas abomináveis, o Santo Nome de Jesus hoje é motivo de chacota e se torna algo  vazio de significado. Se torna uma vacina contra a pregação de forma que pessoas inteligentes não abrem o coração e mente para a Boa Nova! À simples menção do Nome, rejeitam a pregação por identificar o nome com a charlatanice e a exploração da boa fé humana. O Santo Nome, dito como blasfêmia,  transformado em instrumento de Satanás, “pai da Mentira”, de Lúcifer, a luz que cega mas não ilumina o caminho!

É bem verdade que Jesus diz, conforme o Evangelho de João:  “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, Ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.” (Jo 16.23b-24)

É preciso cuidado com essas palavras. Jesus diz isso ao seu círculo íntimo de discípulos. Não é uma afirmação genérica, mas uma garantia àquelas pessoas comprometidas com Ele. Jesus se coloca como mediador daqueles que a Ele pertencem! Esse é o contexto dos capítulos 13 a 17 do Evangelho de João: palavras ditas por Jesus na intimidade com os seus discípulos e discípulas – algo restrito à Comunidade Confessante da Fé!

Porque não é apenas “pedir em nome de Jesus”, mas também acolher em Seu Nome: “Quem receber esta criança em meu nome a mim me recebe; e quem receber a mim recebe aquele que me enviou; porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é grande.” (cf. Lucas 9.48); o servir em Nome do Senhor e a humildade diante da Majestade de Deus.

Assim, a oração feita em nome de Jesus não é uma formalidade ou uma fórmula mágica, mas uma declaração do Senhorio e da Mediação de Jesus Cristo, e da vivência dessa mesma fé nas relações entre as pessoas.

Porque o “pedir” não é superior à vontade de Deus, de Quem, no dizer dos charlatões, devemos “exigir o cumprimento da promessa”. A única oração que Jesus ensinou diz, logo no início “ Pai, … seja feita a Tua Vontade…”, ou seja o pedido é subordinado à vontade e à soberania de Deus. Não é “um direito a ser exigido”, mas Graça concedida pela mediação de Jesus o Cristo! Não é prêmio, mas presente pelos méritos de Cristo.

Assim, o Santo Nome de Jesus não pode ser usado como talismã, ou como produto consumível diante da necessidade. O Evangelho de Mateus coloca na boca de Jesus as seguintes palavras:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.” (Mateus 7.21-23)

Portanto, amigos e amigas, cuidado ao pronunciar o nome de Jesus.  Não é a palavra “Jesus” por si mesma, mas esse é o Nome acima de todo o nome, que ao ser dito é a confissão do Senhorio e a Majestade de Cristo, para a glória de Deus, o Pai (e Mãe).

Quando em sua oração você terminar dizendo “… em o nome de Jesus. Amém!” lembre-se que esse “amém” é – acima de tudo – subordinação à vontade de Deus e abertura para receber a Graça concedida também em nome de Jesus!

Rev. Luiz Caetano, ost+

05 setembro 2013

A Beatíssima Virgem Maria

Teotokos 1A Virgem Maria, Mãe de Jesus, é uma criatura privilegiada. Deus queria fazer-se homem e escolheu uma menina para isso, ser Sua Mãe, cumulando-a de todas as virtudes, a fim de preparar Sua morada em seu seio virginal.

O privilégio fundamental, que está no centro de todos os outros e dá a razão deles, é a maternidade divina. Maria Santíssima é verdadeiramente Mãe de Deus, porque gerou e deu à luz Cristo Jesus, que é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Quando Nestório negou a Maternidade Divina de Maria, o Concílio de Éfeso proclamou este ensinamento: "Se alguém não confessa que o Emanuel é verdadeiro Deus e por isso a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, posto que gerou carnalmente o Verbo de Deus feito carne, seja anátema". (Anatem, de S. Cirilo, 1, em Dz.113). Jesus é seu Filho.

Embora esse privilégio se refira a ela, há de se entender, ao mesmo tempo, que Deus a santificou com tal abundância de graças que, como anglicanos devemos, sim, respeitar, admirar. Ela é a primeira de todos os Santos, porque a medida da sua santidade é o privilégio maior que Deus concedeu a uma criatura: ser Sua Mãe: "Todas as gerações me chamarão bem aventurada" (Lc 1.48)

A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão. Com efeito, desde remotíssimos tempos, a Bem-Aventurada Virgem é venerada sob o título de "Mãe de Deus" (Theothokos). Este culto encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, tal como nas celebrações nos ofícios diários e celebrações dominicais, pois a Virgem é legitimamente honrada com datas próprias no calendário litúrgico da nossa Igreja; várias igrejas e catedrais de nossa tradição, pelo mundo, são dedicadas à Virgem Maria e levam seu nome.

Para saber mais sobre a Virgem Maria na nossa tradição, veja o artigo do Rev. Luiz Caetano:(https://docs.google.com/file/d/0B25fLSpH7iZsY05ubm1XSEFBcU0/edit?usp=sharing).

Rev. Daniel, ost+

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26 junho 2013

Santo Albano, mártir

Santo Albano 3Nosso calendário litúrgico celebra a memória de Santo Albano dia 22 de junho. Santo Albano tem um lugar especial na tradição anglicana por ter sido o protomártir (primeiro mártir) da Grã-Bretanha. Vamos conhecer um pouco da vida de Santo Albano e inspirar-nos em seu testemunho (martirya no grego – daí a palavra mártir significar testemunha).

Albano, cuja origem talvez fosse romana, residia em Verulamium, a cidade-fortaleza construída pelos romanos a sudeste da ilha britânica, perto de River Ver, e prestou serviço no exército imperial de Roma. Sendo pagão, nada tinha a temer quando começou a perseguição anticristã, possivelmente a decretada pelo imperador Sétimo Severo e não a do seu sucessor Diocleciano, como alguns historiadores acreditam.

Certo dia, um cristão perseguido chegou à sua casa. Albano o acolheu e escondeu. Observou que o homem mantinha-se em vigília, orando noite e dia. A convivência e o exemplo do hóspede clandestino levaram Albano impressionar-se com a fé cristã. Tocado pela graça de Deus, converteu-se. Tornou-se um cristão, justamente naquele momento de risco de morte tão sério.

Dias depois, soldados foram à casa de Albano, porque souberam que ele escondia um cristão. Quando chegaram, o santo mártir se apresentou vestindo as roupas do cristão procurado e disse: “Aquele que vocês procuram sou eu”. Assim, foi levado, amarrado, perante o juiz.

O juiz ordenou que Albano fosse torturado e ele o foi com extrema crueldade, e tudo suportou com paciência e íntima alegria, testemunhando sua confiança em nosso Senhor. Quando o juiz percebeu que ele não abandonaria a fé cristã, decretou sua morte por decapitação, uma vez que era soldado romano e assim cometera crime de traição ao Império, pois confessava outro Senhor (Kyrios) que não era o Imperador. Ao ser levado para a execução, Albano converteu seu carrasco, que posteriormente também foi executado. O mártir Albano morreu no dia 22 de junho de 304.

Quase um século depois, quando o cristianismo já era reconhecido no Império e os cristãos tinham liberdade para vivenciar sua fé publicamente, no lugar de seu martírio foi erguido um monumento para sua sepultura, o qual se tornou um lugar de muitas peregrinações nos séculos seguintes. São Germano, que fez peregrinação ao túmulo de Albano, levou para a Gália um pouco da terra da sepultura do venerado mártir, em 429. Dessa forma, Albano passou a ser venerado também no continente.

Ainda no século V, com a retirada dos romanos, a Grande Bretanha foi invadida por tribos germânicas (anglo-saxões), as quais, mais tarde,  foram evangelizadas e passaram a propagar o culto do admirável mártir Albano por toda a Alemanha. O papa Gregório Magno, entre os anos de 590 e 604, concedeu a autorização para o culto e declarou Albano santo e mártir pelo testemunho da fé em Cristo.

No lugar onde foi martirizado, formou-se a cidade que hoje leva o seu nome: Saint Albans, ao norte da área metropolitana de Londres, onde se encontra a esplêndida Catedral de Santo Albano. A Igreja festeja-o no dia 22 de junho, mas em algumas regiões é homenageado no dia 17, isso porque um antigo copista cometeu um erro e trocou o numero romano XXII por XVII.

A história da Igreja conta com muitas testemunhas que deram sua vida pela fé. É preciso entender que, no tempo do Império Romano, os cristãos eram condenados por um motivo político e não religioso.

O Império Romano era bastante liberal no que se referia à religião; aliás, essa era uma das táticas para manter a Pax Romana: o respeito à cultura e às tradições dos povos dominados, desde que se mantivesse o Imperador como Sumo Pontífice, ou seja supremo chefe religioso, de qualquer religião, e em alguns momentos, o Imperador devia ser honrado como divino. O título “Kyrios” (Senhor Absoluto) era exclusivamente atribuído ao Imperador.

Mas os cristãos teimavam em reconhecer como Kyrios a Jesus – quem, do ponto de vista do Império, havia sido um fora-da-lei e agitador, condenado à morte pelo governo romano da Judéia, sob a acusação de proclamar-se Rei.

Ora, reconhecer outro “Kyrios” que não fosse o Imperador, era considerado crime de alta traição. Assim, os mártires cristãos deram sua vida por afirmarem que o senhorio absoluto não cabe a um ser humano, mas exclusivamente ao Senhor dos Senhores, o Filho de Deus, ao Deus encarnado, Jesus, o Cristo.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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31 dezembro 2012

O Natal e a Plenitude dos Tempos

natividade_sexto_sentido_14_0001_500_x_396São Paulo escreveu ao Gálatas:

                    Antes que viesse esta fé, estávamos sob a custódia da lei, nela encerrados, até que a fé que haveria de vir fosse revelada. Assim, a lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Agora, porém, tendo chegado a fé, já não estamos mais sob o controle do tutor. Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus. E, se vocês são de Cristo, são descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa. Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações, o qual clama: "Aba, Pai". Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro. (Gálatas 3.23-29; 4.4-7 – N.V.I.)

É uma pena que para muitas pessoas o nascimento de Jesus signifique apenas um momento do ano para se ganhar presentes. Nada contra os bonitos presentes que ganhamos neste momento especial do ano, mas não podemos reduzir o Natal a isso.

Quando lemos as escrituras, e em especial a perícope acima, nos damos conta que o primeiro Natal não significou exatamente aquilo que as pessoas hoje leem e acreditam. O primeiro Natal é descrito neste texto como sendo um momento especial. Ele é descrito como a “plenitude dos tempos”.

Por causa desta visão tão especial que Paulo tinha acerca do Natal, nos animamos a refletir hoje sobre o seguinte tema: “Quando a plenitude dos tempos chega…”

Quando a plenitude dos tempos chega, em primeiro lugar, somos livres da escravidão (v. 4, 5):O apóstolo Paulo descreve nossa relação com a Lei ( O Pentateuco), que regia os relacionamentos entre Deus e os homens, como uma relação de submissão. Ele nos diz, por exemplo, que todos estávamos “encerrados” (3:23) ou  seja “aprisiona-dos”, “tutelados” (3.23) e “submetidos” (3:25) a ela.

Quando Paulo nos diz que a Lei nos servia de “tutor”, ele estava dizendo que a Lei era uma espécie de guia que deveria nos levar até a escola para que aprendêssemos algo. E, de fato, a Lei nos ensinou o quão pecadores somos. O grande mérito da Lei, segundo Paulo, foi nos ensinar que somos pecadores. Foi nos revelar quem, de fato, somos, e quão necessitados estamos de um médico. A Lei, contudo, era incapaz de apresentar um remédio para a realidade que ela, tão eloquentemente, descrevia. A chegada da plenitude dos tempos, identificado por Paulo como o envio do Filho (v. 4), contudo a realidade muda: O período de escravidão está no fim e a libertação se aproxima.

Quando a plenitude dos tempos chega, em segundo lugar, somos transformam em filhos (V.6). Que mudança radical Paulo descreve aqui! Paulo se serve de uma figura para explicar esta mudança: a figura de uma família. Nas famílias da época além dos pais e dos filhos, havia também os escravos.

Estes não gozavam, obviamente, das mesmas condições e privilégios que eram próprios aos filhos. Contudo, com a chegada da plenitude dos tempos, os escravos são agora transformados em filhos. Eles são, segundo o texto, resgatados (v.5) do poder da Lei e adotados como filhos. A marca mais forte de que agora somos “filhos de Deus” é nosso direito de dizer aquilo que só os filhos legítimos podiam dizer: “Aba, Pai” (v.6), que significa “paizinho”.

Finalmente, quando a plenitude dos tempos chega, em terceiro lugar, somos contados entre os herdeiros (v.7). Uma vez que Deus nos resgatou dos grilhões da Lei, uma vez que ele nos adotou como filhos e nos deu o direito de chamá-Lo como os filhos legítimos o chamam; Ele, na plenitude dos tempos, também nos fez seus herdeiros. Como membros da família de Deus somos também beneficiários e herdeiros de todos os bens de nosso Pai. Esta figura nos assegura que a “fazenda” do Pai pertence a seus filhos e filhas, assim como o “Reino” de Deus também nos espera. E o que nos garante a posse e a entrada nesta nova realidade em que mora a paz, é a plenitude dos tempos, que já chegou.

Esse o grande significado do Natal!

Rev. Daniel, ost

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03 maio 2012

Será que é Verdade? Será?

Jesus diante de Pilatos 1     Durante o julgamento de Jesus, segundo o Evangelho de João, Pilatos faz a pergunta chave: "Então, você é rei?", Jesus respondeu: "Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem”. “Que é a verdade?”, perguntou Pilatos. (João 18.37-38).
Verdade tem vários significados: desde o cerne do caso, estar de acordo com os fatos ou a realidade, até ser fiel às origens ou a um padrão. Uso mais antigo abarcava o sentido de fidelidade, constância ou sinceridade em atos, palavras e caráter . Assim, a verdade pode significar o que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores vigentes. Estas qualificações da verdade implicam o imaginário, a realidade e a ficção, das culturas. Questões centrais em matéria de antropologia cultural, arte,  filosofia e até ser atribuída à própria razão.

14 fevereiro 2012

Termina o tempo da Epifania: Jesus rompe o paradigma da mesmice!

transf 2O próximo domingo, dia 19 de fevereiro, domingo de Carnaval, é  o Último Domingo da Epifania, encerrando o ciclo do ano litúrgico que começou com o dia da Epifania (o reconhecimento de Cristo pelos Magos do Oriente, 6 de janeiro).
Foram sete domingos onde a comunidade paroquial refletiu, a partir da leitura litúrgica do Santo Evangelho, sobre as manifestações de Jesus como o Messias, o Ungido de Deus! Já no dia da Epifania, vimos que os magos do oriente, sábios pagãos, reconhecem o sinal da presença de Cristo no mundo e vão ao Seu encontro (Mateus 2.1-12).
Nos domingos seguintes, refletimos sobre as várias manifestações do Cristo, os sinais de sua presença transformadora no mundo: a começar pelo batismo de Jesus no rio Jordão, por João o Batista (Marcos 1.7-13); o chamado dos primeiros discípulos (João 1:35-51); como Jesus fez a água assumir o sabor do vinho e assim mostrar que há um novo paradigma para a compreensão da benção de Deus (João 2:1-12); vimos Jesus libertando um homem das forças do Mal (Marcos 1.21-28); no domingo seguinte, vimos Jesus curando a sogra de Pedro, a cura para o serviço e a reintegração na vida social (Marcos 1.29-39); no domingo passado, vimos Jesus libertando um ser humano da exclusão e assumindo com isso o risco e a consequência da própria exclusão (Marcos 1.40-45). Todos esses sinais manifestam a nova presença de Deus na história humana, transformando a vida, fazendo-a plena e feliz.
Também vimos, nesses domingos, que nem todas as pessoas foram capazes de perceber a Presença de Deus! Pessoas presas a antigos costumes, que surgiram para atender necessidades específicas dentro de um contexto histórico, mas que se perpetuaram e se tornaram paradigmas, confundindo-se com a pureza da Tradição Revelada desde Moisés.
Assim, a manifestação de Jesus como o Cristo, Senhor e Redentor, provoca – para as pessoas – a decisão  de escolher entre  reconhecer a novidade, a boa-nova (evangelho!) e aceitar o desafio de iniciar o caminho rumo a um novo mundo possível; ou manter a comodidade da mesmice já conhecida e rejeitar o desafio de lançar-se rumo a novos horizontes. E você? o que você prefere?
No último domingo da Epifania, veremos o momento da Transfiguração, quando alguns dos discípulos de Jesus, os mais próximos a Ele, o percebem pela Graça, como Senhor através da Visão de Alguém que está além da Lei e dos Profetas, e confirma-se assim a compreensão de que Jesus é o Cristo e Senhor! Esse será o assunto do deste domingo (Marcos 9.2-10)
Após a Epifania, começa, já na quarta-feira após o Carnaval, a Quaresma, tempo de metanóia, conversão, mudança de rumo! Motivados pelas reflexões durante a Epifania, vamos iniciar a Quaresma com o lema: Em busca de novos paradigmas! novos paradigmas para a vida de cada pessoa, para a vida social, para a ação cidadã e para a Igreja, diante dos desafios que surgem no horizonte de nossa História!
Rev. Luiz Caetano, ost+

Nota: tomo a liberdade de sugerir a leitura de artigo em meu blog pessoal - Pirilampos e Pintassilgos - sobre a questão dos paradigmas: Romper Paradigmas! 
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10 janeiro 2012

Epifanias

batismo_de_jesusJá estamos na terceira estação do ano litúrgico, o tempo da Epifania. O ano litúrgico começou no Advento, seguiu-se o tempo do Natal e desde dia 6 de janeiro até o domingo no Carnaval, estamos no Tempo conhecido como Epifania. Neste período, os textos do Evangelho de cada domingo nos apresentam situações onde o Senhor se manifesta diretamente, e as lições bíblicas que precedem a leitura do Evangelho nos remetem às situações da vocação da Igreja, e por conseguinte, dos cristãos: o convite ao discipulado, o serviço, a comunhão e o testemunho.

É oportunidade de refletir sobre a forma como desenvolvemos nossa relação com Deus. Todas as pessoas experimentam, de uma maneira ou de outra, em algum momento de suas vidas,  a percepção da transcendência, um encontro com o Sagrado, um momento onde Deus se manifesta na vida de cada pessoa. Não é, necessariamente, uma ocasião especial ou espetacular. Muitas vezes Deus se manifesta de forma sutil, simples, como uma Presença percebida e sentida intimamente. Na vida de cada um de nós acontece, em vários momentos, uma manifestação de Deus, uma Epifania.

Há quem busque esses momentos ardorosamente, e muitas vezes os deixa passar desapercebidos porque espera que sejam algo realmente extraordinário, “milagroso”, grandioso. Lamentavelmente, há um tipo de “teologia” e, consequentemente, de pregação, que insiste que algo espetacular deve acontecer na vida da pessoa para que signifique uma intervenção divina. E como isso não acontece, muita gente se sente não merecedora do amor de Deus, sem importância para Deus. Ou então, se torna descrente, achando que toda essa conversa é coisa de gente maluca e fanática (e realmente, esse tipo de conversa é isso mesmo e não tem nada a ver com o Evangelho!).

Há uma ideia errada sobre a ação de Deus, como se Ele necessitasse fazer algo realmente mágico, cheio de efeitos especiais, para manifestar-se. De certa forma, isso se deve à má compreensão da linguagem simbólica dos místicos a qual, sendo poesia, não pode ser tratada com os métodos da racionalidade dualista aristotélica que marca a cultura ocidental desde a Renascença – relações de causa e efeito.  Quando uma pessoa mística fala, por exemplo, que viu uma luz, ela n[Rosto%2520de%2520Cristo%25202%255B3%255D.png]ão está falando de fótons ou de determinados comprimentos de ondas eletromagnéticas que chamamos, na Física, de luz. Quando fala que viu Jesus, não está falando de um rosto material, físico, com nariz, boca, olhos e orelhas; e também não está falando de um fantasma! A experiência com Deus é uma experiência transcendente que, por sermos imanentes, só pode ser narrada por aproximação, como o falar dos poetas. Os místicos usam a linguagem do mistério, como os poetas, como os pintores impressionistas. O Mistério é algo que está oculto porém revelado, o que não se “vê”, mas pode ser visto, como na figura ao lado.

Segundo o mito bíblico(1) da Criação, ao concluí-la Deus viu que tudo é bom, ou seja, tudo está completo (cf. Gênesis 1.31). A Criação significa o nosso mundo, a nossa imanência.  Por isso, quando Deus se manifesta, Ele o faz em nossa realidade imanente, e assim não precisa fazer algo extraordinário além do que Ele mesmo criou. Deus não precisa fazer espetáculo ou um mega-show para que você O perceba! Ele não precisa convencer você. Ele apenas oferece a você o Seu Amor; e respeita a decisão que você toma, de aceitar ou não essa relação.

Os atos amorosos de Deus estão ai, não são espetáculos pirotécnicos, mas coisas simples. Mas profundamente belas! Há outras situações em que percebemos Deus intervindo diretamente, e se você souber ver, com o olhar interior do coração, é tão milagrosa uma cura feita por um profissional médico quanto aquela que acontece às vezes e a racionalidade não consegue explicar, o que muita gente chama de “milagre. Atenção! eu creio em milagres! já vi muitos! são simples e belos!

A nossa inteligência – como nossos sentimentos, resultado das reações químicas e relações físico-químicas entre os nossos neurotransmissores – nos permite o conhecimento do Universo apesar dos inúmeros fenômenos ainda não plenamente compreendidos. Por si mesma, nossa mente  já  é algo maravilhoso: os seres humanos são capazes de estudar a vida, compreender seus mecanismos e intervir para eliminar uma doença! Isso não é maravilhoso? (e também são capazes de destruí-la de forma banal, e isso não é maravilhoso – temos também muita facilidade para conviver com o Mal, mas  isso é outra conversa…).

Não espere que Deus lhe chame para uma sessão privada de efeitos especiais para revelar-Se a você. Deus não é técnico da TV Globo (nem da Record!!!); Deus não é dono de estúdios em Hollywood (apesar do nome “Floresta Sagrada”!!!). Ele se manifesta a você em situações simples, mas muito especiais, especiais para você. Talvez para outras pessoas essas mesmas situações sejam sem graça ou bobagens, mas você sabe que foi especial!

Há um provérbio popular cristão que diz: “o meu Deus é o Deus do impossível, pois o possível eu posso fazer!”  É impossível penetrarmos e descrevermos a Transcendência, onde Deus habita; por isso, Ele Se tornou Presença em nossa imanência! essa Presença nós, cristãos,  identificamos em Jesus Cristo, Verbo feito Carne, e a percebemos  como ação do Espírito Santo! É possível fazermos muitas coisas, e Deus caminha conosco, faz junto conosco, e quando não esperamos – mas cremos – Ele torna o impossível possível!

Abra seus olhos! Há uma Epifania acontecendo em sua vida!

Rev. Luiz Caetano, ost+

(1) – sobre o significado de Mito, veja nossa postagem A Natividade do Senhor.

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04 janeiro 2012

Epifania: o Cristo é reconhecido!

Epifania - Magos 1
" Eis que vieram uns magos do oriente a Jerusalém, e perguntavam: ' Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.(Mateus 2.1b-2)
Passou o Natal, passou o Ano Novo, terminou o apelo comercial dos presentes, das festas, dos cartões de felicitações... a vida retornou à sua normalidade cotidiana. Ou quase! Alguns ainda estão na exceção das férias de verão.
Mas é nesse tempo de normalidade cotidiana que o calendário cristão ocidental celebra a Festa da Epifania do Senhor. Os cristãos orientais, por sua vez, estão agora celebrando o Natal, pois para eles as duas festas coincidem. Outro lado do mundo... outra hermenêutica... outra teologia... mas o mesmo Senhor, o mesmo Cristo!
Mas nós estamos no Ocidente, com o nosso cristianismo greco-romano marcado fortemente pela Europa Medieval, refrescado pela Reforma no século XVI e renovado de tempos em tempos pelos diversos movimentos que eclodem no seio das comunidades herdeiras da Reforma. Para nós, cristãos ocidentais, a festa da Epifania passa despercebida, sem muita importância. Não está na mídia, e geralmente nem é lembrada em grande parte das Igrejas herdeiras da Reforma e suas descendentes.
Não há vitrinas enfeitadas, não há Papais Noel pelas ruas, não há cartões de boas-festas nem campanhas de solidariedade com os pobres, não há político sorridente prometendo mundos e fundos (especialmente pedindo ou roubando fundos) para o próximo ano. A festa da Epifania é discreta, tão discreta quanto aquele casal que, na periferia de Belém da Judeia, esteva às voltas com um parto de emergência, numa estrebaria. A festa da Epifania não foi poluída pelo consumismo, nem pela necessidade de manifestar gestos de solidariedade temporária que assola as pessoas no tempo do Natal, mas terminam em Janeiro, retornando-se à vida sem sentido do cotidiano consumista...
É bem verdade que, pelo interior do Brasil, ainda existem as Folias de Reis e seus assemelhados culturais, e na cabeça das pessoas ainda há uma leve referência ao Dia dos Reis Magos. Puro folclore, herança cultural e colonial de Portugal e Espanha. Nesse caso é uma festa estranha, porque se celebram reis que não existiram. Pelo menos, Mateus não diz que eram reis, mas que eram magos...
Magos, homens (e mulheres!) de antiga sabedoria, de conhecimentos raros sobre o Cosmos e sobre a Natureza . Pagãos, mas não ateus... Pessoas que tinham não só conhecimento, mas sensibilidade afinada para reconhecer que Deus está agindo e há sinais de novidade nos céus:  “... vimos sua estrela no oriente e viemos para adorá-lo”!
A Epifania é exatamente isso: o reconhecimento da manifestação de Deus, da manifestação de Sua Presença, sem os alardes da publicidade, longe dos Palácios e Estádios, sem ufanismo orgulhoso, presunçoso, arrogante e pernóstico. Na simplicidade do cotidiano, na mesmice do dia-a-dia. O Kairós (tempo oportuno) que acontece no Cronos (o tempo medido), sem interferir no Cronos, mas Kairós perceptível para quem tem a mente e o coração abertos para perceber aquilo que, de tão evidente, se torna imperceptível: a Presença discreta na fragilidade de um recém-nascido; uma Estrela que pouco se destaca entre as milhares do céu noturno, só percebida pela vista acostumada a mirar e a contemplar o Mistério da Criação.
É este espírito de Epifania que queremos viver aqui na São Paulo Apóstolo como parte da Igreja de Cristo, exercendo o ministério de serviço, de comunhão, de anúncio e de testemunho; queremos ser pessoas capazes de conviver solidariamente com os diferentes, queremos desenvolver relações  maiores que a simples  formalidade denominacional, queremos viver o eclesial mais que o eclesiástico, promover intercâmbios e interações constantes, de solidariedade: diakonia (serviço), koinonia (comunhão) e martyria (testemunho).
Que o novo ano civil seja um ano feliz para todos e todas vocês, um ano em que a comunhão seja fortalecida, a partilha seja maior e a esperança seja uma certeza de horizonte factível. Que possamos reconhecer a estrela do Menino-Senhor entre tantas estrelas que povoam nosso céu tropical... para que adoremos e sirvamos fielmente ao Deus da Vida através do serviço e da solidariedade a todas as Suas criaturas, especialmente àquelas que foram criadas à Sua Imagem, segundo a Sua Semelhança (Gênesis 1. 26-27).
Que o Capital Insaciável, o Consumismo Diabólico, o Individualismo Globalizado, a Racionalidade Pervertida, não nos fechem esses horizontes em definitivo!
Rev. Luiz Caetano, ost+
Nota: Este texto foi publicado originalmente em meu blog pessoal, por ocasião da Epifania de 2010; aqui fiz algumas pequenas modificações de cunho pastoral.
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09 dezembro 2011

São Nicolau e Papai Noel

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Filho de nobres, Nicolau nasceu na cidade de Patara, na Ásia Menor, na metade do século III, por volta do ano 250. Foi consagrado bispo de Mira, atual Turquia, quando ainda era muito jovem e desenvolveu seu apostolado também na Palestina e no Egito.
Mais tarde, durante as perseguições do imperador Diocleciano, foi aprisionado até a época em que foi decretado o Edito de Constantino, sendo finalmente libertado. Segundo alguns historiadores, o bispo Nicolau esteve presente no primeiro Concílio de Nicéia, em 325.
Foi venerado como santo ainda em vida, tal era a fama que gozava entre o povo cristão da Ásia Menor. Morreu no dia 6 de dezembro de 326, em Mira. Imediatamente, o local da sepultura se tornou meta de intensa peregrinação.
São Nicolau é conhecido principalmente pelo seu carinho e cuidado para com os pobres e as crianças, já que ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou a prostituição, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro. No hemisfério norte, dezembro é inverno.
O nome Nicolau vem de duas palavras gregas: nikos, que significa vitória, e de laos, “povo”; Nicolau significa, então, “vitória do povo”.
A origem do Papai Noel
Pela sua compaixão com os pobres e especialmente com as crianças, São Nicolau inspirou a lenda do Papai Noel; sendo confundido com ele. Chamado Nikolaus na Alemanha, passou a ser Santa Claus entre os anglo-saxões, Père Noël na França e Pai Natal em Portugal. No Brasil, é Papai Noel.
Havia em alguns lugares da Europa a tradição de, pelo Natal, presentear-se as crianças das aldeias com doces e brinquedos, como símbolo de homenagear o Menino Jesus, o Deus-Criança; era o próprio Menino Jesus quem trazia os presentes. Em algumas regiões, esses presentes eram dados na festa da Epifania, 6 de janeiro, quando era celebrada a visita dos Magos (que não eram reis) do oriente ao Menino Deus. Aos poucos essa tradição se firmou com a história de São Nicolau e a ele passou-se a atribuição de trazer os presentes…
Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do Papai Noel foi Clemente Clark Moore, um professor de literatura grega de Nova Iorque, que lançou o poema Uma Visita de São Nicolau, em 1822, escrito para seus seis filhos. Nesse poema, Moore divulgava a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas. Ele também ajudou a popularizar outras características do bom velhinho, como o fato dele entrar pela chaminé.
Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente Papai Noel é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto.
Nicoçau Noel
Antigamente, ele usava cores que tendiam mais para o marrom e costumava usar uma coroa de azevinhos na cabeça, mas não havia um padrão. Seu atual visual foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper's Weeklys, em 1886, na edição especial de Natal. Em alguns lugares na Europa, contudo, algumas vezes ele também é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo, tendo, em vez do gorro vermelho, uma mitra episcopal.
Em 1931 a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ou Pai Natal ao mesmo modo de Nast, com as cores vermelha e branca, o que foi bastante conveniente, já que estas são as cores de seu rótulo. Tal campanha, destinada a promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período em que as vendas da bebida eram baixas na época), fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai Noel ou Pai Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo.  Essa imagem tem se mantido e reforçado por meio da música, rádio, televisão e filmes.
Recuperando o significado do Papai Noel
Hoje a figura do Papai Noel está intimamente relacionada ao consumismo desenfreado das festas de fim de ano. Lamentavelmente, se perdeu o significado original, inspirado na solidariedade e na compaixão. Papai Noel hoje é personagem da propaganda indutora do consumo disfarçado de gesto carinhoso na troca de presentes, sem nenhuma relação direta com a celebração cristã do nascimento de Cristo. 
Nesse sentido, não vale a pena combater Papai Noel, mas tentar trazer de volta seu significado maior de solidariedade e partilha, inspirado na figura de São Nicolau; uma atenção carinhosa às crianças sem necessariamente associar a ideia de consumo e trocas interesseiras. Por exemplo, reunir as crianças com o Papai Noel e conversar com elas, ouvi-las e contar estórias que provoque nelas uma reflexão simples sobre relações humanas, comportamento solidário, ecologia, etc.
Nessa esperança, o Papai Noel estará na Igreja de São Paulo Apóstolo aos domingos à tarde, para acolher as crianças que passarem por perto do templo, mostrar-lhes o presépio e contar estorinhas. E durante a semana, o Papai Noel tentará estar em vários espaços do Bairro de Santa Teresa visitando as crianças do lugar.
É uma modesta (e talvez ingênua) tentativa de apresentar uma alternativa mais adequada à celebração do Natal de Jesus, o Cristo, um serviço às crianças, em nome do Senhor.
Rev. Luiz Caetano, ost+
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30 novembro 2011

O Advento

Advento extraO Advento, tempo de quatro semanas que antecede o Natal, marca o início do ano litúrgico  cristão. É um tempo marcado pela esperança!Na liturgia anunciamos a vinda de Deus ao nosso contexto histórico, através de Jesus, o Cristo; mas também afirmamos com esperança a vinda de um novo tempo, de um novo reinado, o reinado de Deus, onde não há choro, nem rancor, nem dor; onde impera a justiça e prevalece a paz.  O Tempo do Advento começou, este ano, no domingo passado, dia 27 de novembro.

Há dois aspectos a serem considerados no Advento. É tempo de reflexão, de avaliação, de revisão e de renovação da vida, de novos propósitos, de planos e visões de futuro.  Nesse sentido, é tempo de esperança, de desenhar  novos rumos para a vida.  Uma oportunidade para recomeçar!

Também é tempo para preparar o coração e acolher o Cristo, Deus Conosco, cujo nascimento celebraremos no Natal. Os textos lidos nas liturgias dos quatro domingos de Advento nos alertam para a denúncia da injustiça que promove o ódio, e nos convidam a uma atitude crítica e proativa em favor dos valores éticos inspirados no Evangelho de Cristo.

Os cristãos creem que, em Jesus o Cristo, Deus se torna pessoa humana, nasce de uma mulher (por isso Maria é chamada Mãe de Deus, Teotókos), chega ao mundo na fragilidade de um bebê, cresce, e caminha pelas ruas e vielas, pelas estradas e caminhos; sente medo e tristeza, vive momentos de angústia e de tentação; também conhece a alegria e se diverte muito. Trata as pessoas com afeto e misericórdia, mas também com severidade àqueles que usam o poder em favor de si mesmos e reage energicamente contra os “donos-da-verdade”. Nesse sentido, ao contrário do que muitos pregam, o cristianismo não é uma “religião espiritual”, mas uma religião profundamente engajada e – de certa forma – materialista, pois afirma que Deus, em Cristo, se tornou matéria (Carne – Sarkis) e habitou entre nós. É a Transcendência de Deus que mergulha na Imanência Humana.

O Deus cristão é um Deus que se torna Presença na História humana, caminhando conosco. Não é um deus espiritual, distante do mundo e das pessoas. A espiritualidade cristã se inspira forçosamente na Encarnação de Deus em Jesus, o Cristo; toda espiritualidade que aliena as pessoas do seu cotidiano, da realidade da vida, e se projeta em um nunca-lugar fora do tempo e do espaço, é anticristã, embora, nos dois mil anos de cristianismo, as instituições religiosas – em todas as épocas – privilegiaram também espiritualidades alienantes… desviando-se do Evangelho. Por isso, de tempos em tempos, a Igreja Cristã passa por reformas e releituras de suas tradições, buscando manter vivo o seu principal e grande paradigma, que é a Encarnação de Deus.

Assim, o tempo do Advento, que nos prepara para o Natal, oferece-nos a possibilidade de reafirmar em nossas vidas o mistério do Cristo – Deus Conosco, Emanuel – e nos permite avaliar nossas práticas cotidianas.

O anúncio: “Vem, Senhor!”, é um clamor pela justiça, pela paz e pela solidariedade. É também o anúncio da esperança de um novo tempo, de uma Vida Nova na plenitude de Deus.

Que em teu coração e em tua mente, as Luzes do Advento permitam vislumbrar o grande Mistério da Encarnação e inspirem novos horizontes para a tua vida!

Assim, o teu Natal não se limitará às correrias de final de ano e aos emocionais gestos de solidariedade inspirados pela mídia do mercado, uma festa de aniversário onde ninguém se lembrou de convidar o aniversariante…  Preparando-se para acolher o frágil Menino-Deus, teu Natal será uma festa alegre, celebrando mais uma vez a Presença de Deus em tua vida!

Rev. Luiz Caetano, ost+

Convidamos você a participar das liturgias dominicais de Advento em nossa Paróquia. Veja a programação na postagem logo abaixo.

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13 novembro 2011

Jesus Cristo, Rei do Universo

cristo_reiA Festa de Cristo Rei encerra o ano litúrgico da Igreja, é celebrada no último domingo do Ano Cristão. É uma festa móvel, pois o calendário litúrgico é organizado a partir da Páscoa, que depende do ciclo anual da Lua. Este ano a Festa de Cristo Rei acontece no domingo 20 de novembro.
A Igreja termina assim o ano litúrgico, que começa no Domingo do Advento (este ano, dia 27 de novembro) com o anúncio da vinda do Redentor, afirmando a vitória e o reinado de Cristo. No tempo litúrgico a festa simboliza o final da História com a chegada do Reino.
A afirmação que Jesus Cristo é o Rei do Universo completa o ciclo de pregação do Evangelho. O Advento fala de Esperança com a vinda do Menino, celebrado no Natal e manifesto no tempo da Epifania. O Tempo da Quaresma se interpola em seguida, para recordar à Igreja o Mistério do Cristo Senhor que, sob a forma de Servo, carrega conosco a cruz da existência, com nossas dores e frustrações, consolando e abrindo caminhos de libertação para todas as pessoas. A Páscoa celebra essa esperança que se concretiza no testemunho do Cristo Ressuscitado, encerrando-se o ciclo Pascal com a Festa da Ascensão do Senhor. Em seguida vem o tempo de Pentecostes, também chamado de Tempo Comum, período em que a Igreja reflete sobre os atos de Jesus, seu ensino e pregação, sua caminhada na História humana. É esse período de pós-Pentecostes que se encerra na festa de Cristo Rei, consumando assim o ciclo de esperança e vitalidade que anima os cristãos.
Dar a Jesus Cristo o título de Rei do Universo é uma maneira de afirmar seu Senhorio, é afirmar que Ele é o Senhor! Mas que Senhor é Ele?
Os primeiros cristãos foram perseguidos pelo Império Romano não exatamente por causa da sua religião, mas pela forma como confessavam a sua fé. Afinal, no Império Romano, mais que hoje, havia total liberdade religiosa. O Império dependia da arrecadação de impostos, especialmente nas terras estrangeiras conquistadas. Isso só seria conseguido sem grandes problemas, mantendo-se os povos conquistados em paz com o Império e até mesmo gostando de ser parte do Império. Havia de ser garantido a qualquer custo, o pão e o circo! Nesse sentido, os Romanos sempre souberam respeitar as culturas dos povos submetidos ao Império e assim, as respectivas religiões.
Havia uma única exigência: a submissão ao Imperador, que era chamado de Pontifex Maximus, um titulo que lhe dava autoridade suprema sobre todas as religiões! como se o Imperador fosse o Sumo Sacerdote de todas as religiões praticadas no Império.  Ao mesmo tempo, o Imperador também tinha o título de Kyrius (Senhor Supremo), ou seja, tudo estava debaixo de seu poder e sua autoridade.
Isso era problemático em se tratando dos cristãos. Em primeiro lugar a consciência de que o Sacerdócio é único em Cristo. Assim, todos os cristãos e cristãs são sacerdotes – cabendo ao clero exercer esse sacerdócio por delegação da comunidade onde serve, ou seja, não há outro sumo sacerdote senão Jesus Cristo. Também o Imperador estava sob a autoridade do Sacerdócio de Cristo. Em segundo lugar, os cristãos davam a Jesus Cristo o título de Kyrius, Senhor Supremo! e assim, o Imperador estava também sob a autoridade moral e política de Cristo!
Pode-se perceber o quanto isso ameaçava a solidez do Império. Ao afirmar que há um único Kyrius e que este é Jesus Cristo, todas as pessoas ficam no mesmo nível: todas são igualmente submissas à autoridade suprema de Cristo – o Filho de Deus, o Deus Encarnado na História e na sociedade humana. Não haviam mais senhores e escravos, nem inimigos, pois todos estavam sob o reinado de Cristo. Por isso, soldados cristãos se negavam a combater contra outros soldados cristãos… até a disciplina militar estava ameaçada!
Portanto, os cristãos significavam um risco político muito sério, pois o poder absoluto do Império era negado! e isso se tornava uma grande ameaça. Por isso, antes de serem condenados, os cristãos presos eram chamados a cuspir ou a pisar a figura de Cristo. Se isso fizessem estavam demonstrando que não O consideravam Senhor Absoluto… se não fizessem isso, eram condenados à morte. Esta é a razão do martírio de muitos cristãos na Igreja dos primeiros séculos: não se submetiam de forma absoluta ao poder de César e seu Império.
Podia-se crer no que se quisesse, podia-se adorar ao deus que se desejasse, desde que a submissão ao Imperador e assim, ao Império, não fosse questionada nem negada.
A famosa frase “Jesus Cristo é o Senhor!”, que há alguns anos aparecia pichada em paredes e nas rodovias, e hoje é tristemente utilizada na mercantilização do sagrado, é exatamente a expressão da fé da Igreja de Cristo  desde seus primórdios.
Assim, festejar Jesus Cristo como Rei do Universo é afirmar que todos os impérios e todos os poderes humanos, de todos os tempos e lugares, não são superiores a Jesus Cristo, Deus Encarnado, O Senhor!  Não há poder absoluto acima de Deus, e Jesus Cristo, “sentado à direita do Pai” (no dizer dos Credos, significando que exerce o poder de Deus) é o Senhor.
É essa mesma fé que confessamos hoje e sempre, como cristãos, e esse é o sentido da festa do Cristo Rei. Ao término do ciclo anual da Liturgia, a Igreja reafirma – como sempre fez desde o princípio – que sua própria existência está subordinada ao Cristo e não a qualquer poder humano, civil, militar ou religioso.
As pessoas que detém autoridade na Igreja, sejam membros do clero ou do laicato, exercem essa autoridade como serviço à comunidade de fé, e não como afirmação de si mesmos. Todo desvio disso é herética e pecaminosa.  Assim também devemos entender que as autoridades constituídas para gerir os assuntos do Estado, em nome do povo, não exercem essa autoridade para si mesmas, mas como serviço aos cidadãos e cidadãs.
A Festa de Cristo Rei no obriga a refletir e avaliar como exercemos o poder em nossas realidades cotidianas, como exercemos a autoridade que nos é delegada (como pais, como professores, como chefes em uma empresa, como patrões, como pastores, etc.) e também como as autoridades que constituímos exercem esse poder. 
A Festa do Cristo Rei nos obriga, partindo da nossa confissão de fé,  a uma reflexão crítica sobre cidadania!
Rev. Luiz Caetano, ost+
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22 outubro 2011

Tiago de Jerusalém, o Justo, Irmão do Senhor!

James-of-Jerusalem-IconComo a maioria das Igrejas Orientais, também a Comunhão Anglicana celebra dia 23 de outubro a memória de São Tiago de Jerusalém, o Justo, o irmão de nosso Senhor.
Quem é esse Tiago, conhecido como Irmão do Senhor, a quem é atribuída a Epistola de São Tiago no Novo testamento?
Não se trata de um Apóstolo, embora dois deles tivessem o nome de Tiago. Esse Tiago que celebramos em 23 de outubro é um dos irmãos de Jesus mencionados no Evangelho segundo São Mateus (Mt 13.55).
Há várias tradições sobre esse Tiago, mas a melhor delas diz que José, um piedoso viúvo, recebeu por esposa à jovem Maria – uma menina dedicada por seus pais à Deus e que estava sob os cuidados do Sumo Sacerdote. Sendo José viúvo e com filhos, houve por bem ao Sumo Sacerdote sugerir a José tomar Maria como esposa para cuidar de sua família, comprometendo-se a respeitar o voto de Virgem de Javé feito por ela. Assim, Tiago seria um dos filhos de José.
Segundo a Tradição, nenhum desses irmãos de Jesus foi seu discípulo, embora algumas fontes indicam que Judas (não o Iscariotes), um dos Doze, tenha sido irmão de Jesus, pois em sua pequena Epistola, apresenta-se como “irmão de Tiago e servo de Jesus Cristo” (Judas,1). Como esse Judas é entendido como o Apóstolo São Judas, pode-se supor que, ao apresentar-se como irmão de Tiago, dá referência à autoridade de Tiago de Jerusalém, e humildemente se coloca como servo e não irmão de Jesus.
A Tradição da Igreja do Oriente conta que Tiago, irmão do Senhor, era homem letrado, conhecedor da Lei e muito piedoso.  Foi eleito pelos Apóstolos para liderar a Igreja de Jerusalém, e é considerado seu primeiro Bispo. A comprovação disso é que no episódio do Concílio de Jerusalém Tiago apresenta a decisão final sobre a questão se as normas judaicas (adotadas pelos cristãos-judeus) seriam válidas para os cristãos não-judeus que formavam igrejas fora da Judéia devido ao ministério de Paulo e Barnabé. Tiago se fundamenta no testemunho de Pedro bem como no entusiasmo de Paulo e Barnabé sobre a ação do Espírito Santo entre os gentios (cf. Atos 15).
Tiago, embora cristão, era – como a maioria dos cristãos da nascente Igreja em Jerusalém – zeloso de suas obrigações enquanto judeu: assíduo no templo e no estudo da Lei. Todavia sua fé no Cristo era incômoda ao Sinédrio e aos fariseus. Certa vez, no Templo, foi instado a renunciar sua fé cristã publicamente; tendo recusado, foi levado à murada e atirado do alto pelos fariseus. Não morreu na queda, mas foi espancado até a morte estando caído ao chão.  Esse fato aconteceu em 62 a.D., no contexto da perseguição movida pelo Sinédrio aos cristãos – ainda considerados como um grupo dentro do judaísmo.
A Igreja, desde tempos antigos, atribuiu a ele o título de “o Justo” pelo seu espirito conciliador que marcou a decisão do Concílio de Jerusalém e possibilitou às igrejas nascentes no mundo grego manterem-se em comunhão com as igrejas da Judéia.
São Tiago de Jerusalém é um dos inspiradores do espírito ecumênico, pois reconheceu a diversidade da Igreja e sua adequação às diferentes culturas humanas.
No Brasil, São Tiago o Justo é o patrono da Ordem de São Tiago de Jerusalém (OST), uma fraternidade não conventual na Igreja Episcopal Anglicana, cujos carismas se inspiram exatamente na Carta de Tiago e no espírito de justiça que caracteriza este Herói da Igreja.
Rev. Luiz Caetano, ost+
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23 agosto 2011

Celebrando os 94 anos da Comunidade

A comunidade paroquial comemorou seus 94 anos com quatro celebrações em ação de graças, de 31 de julho a 21 de setembro. Pregadores convidados participaram das celebrações e deixaram mensagens encorajadoras para que a comunidade olhe em novas direções e reforce sua vocação de serviço no contexto onde estamos localizados. Nas celebrações foram lembrados os ancestrais da comunidade, clérigos e lideranças leigas do passado, nos momentos de oração e memória ancestral.

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Assim  no dia 31 de julho, tivemos a visita do Rev. Eduardo Coelho Grillo, Reitor da Paróquia Episcopal São Lucas (Botafogo), que deixou uma mensagem de esperança e confiança, ressaltando a vocação dos discípulos de Jesus em preocupar-se com as outras pessoas, no sentido de estarem a serviço das necessidades dos outros, inspirado no texto de São Mateus sobre a  multiplicação dos pães (Mt 14.13-21), conforme o lecionário para aquele domingo.

Cleber 2011 08 07No dia 7 de agosto, recebemos a mensagem do Rev. Cleber Diniz Torres, Pastor Titular da Igreja Presbiteriana Independente da Penha Circular, que fazendo uma retrospectiva histórica da nossa comunidade, ressaltou sua presença em Santa Teresa como comunidade aberta e de serviço desde seus primórdios. O Rev. Cleber, que em tempos de seminário colaborou com o Rev. Luiz Caetano no CLAI (Conselho latino-Americano de Igrejas) mostrou sua emoção por estar ao lado de seu velho amigo celebrando a Eucaristia.

No dia 14 recebemos a Visita Episcopal de Dom Filadelfo, que em sua mensagem abordou os aspectos da diversidade anglicana e de nossa abertura ao diálogo e cooperação ecumênica. O Bispo Diocesano enalteceu a proposta pastoral de acolhimento e diversidade da São Paulo Apóstolo, afirmando que a comunidade, com tal espírito de abertura ao seu contexto local, busca caminhos novos de pastoral para os tempos da pós-modernidade no meio urbano. Também no dia 14 recebemos a visita de três diretoras da União de Senhoras Evangélicas de Ação Social (veja Notícias), uma entidade da qual a nossa Paróquia é parceira (veja Diaconia).

Ac Ribeiro 2011 08 21 (2)Finalmente, no dia 21 de agosto, a mensagem foi ministrada pelo Rev. Antônio Carlos Ribeiro, Pastor da Comunidade Martin Luther (Centro do Rio), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. O Pastor Antônio Carlos falou dos talentos recebidos pela Igreja incentivando a comunidade a manter-se aberta aos novos desafios e investir os talentos concedidos por Deus no testemunho, sendo uma igreja aberta, inclusiva e presente nos novos desafios da missão. O Pastor Antônio Carlos, no início de agosto, assessorou a abertura do Curso de Teologia do CAET (Centro Anglicano de Estudos Teológicos, da nossa Diocese), evento que também foi hospedado pela Paróquia no contexto de seu aniversário.

Infelizmente não pudemos contar com a presença dos Corais que havíamos anunciado. Por problemas de espaço físico, decidimos adiar a apresentação do Coral da PUC, uma vez que o tamanho do Coral criaria dificuldades para seu posicionamento no Templo sendo celebrada a Santa Eucaristia. O Coral da PUC fará uma apresentação especial em nossa Paróquia, em data ainda a ser definida, fora do contexto litúrgico, em uma atividade especial ainda em organização e que contará com a presença de outros corais. Todavia, o Coral da Igreja Presbiteriana de Copacabana informou-se uma hora antes do ofício, que o Conselho daquela Igreja não autorizou sua apresentação; isso trouxe constrangimento à nossa congregação e lamentamos a indelicadeza de não nos darem essa informação com a devida antecedência.

Nosso Ministro Coadjutor, Rev. Daniel Cabral Jr, foi o responsável pela organização do nosso mês de aniversário. A ele nosso agradecimento e cumprimento. Também queremos registrar nosso agradecimento aos ministros de Deus que acolheram nosso convite para dirigir a Homilia nas celebrações: Rev. Eduardo, Rev. Cleber e Rev. Antônio Carlos.

A partir do próximo ano pretende-se que a Paróquia organize a contagem regressiva para seu centenário, em 2017. A meta mais arrojada para o Centenário, será a restauração completa do templo. Esperamos iniciar em breve uma campanha nesse sentido, bem como dar andamento às providências para o tombamento do edifício.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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26 julho 2011

A HISTÓRIA DA ÁGUIA

Este texto está circulando pelo Internet. Talvez você já o tenha visto. Não sei se é verdade científica, se não, mas isso não é importante. Importante é a mensagem que o texto traz. Particularmente recebemos isso de uma amiga do Recife, a Simone.

DSC0116web50“A águia é a ave que possui maior longevidade da espécie. Chega a viver setenta anos. Mas para chegar a essa idade, aos quarenta anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.

Aos quarenta ela está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil! Então a águia só tem duas alternativas: Morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar cento e cinquenta dias.

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só cinco meses depois sai o formoso vôo de renovação e para viver então mais trinta anos.

Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes, velhos hábitos que nos causam dor. Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que a renovação sempre nos traz.”

A mensagem, embora pareça, não é uma condenação à Tradição; desprender de lembranças, costumes, velhos hábitos… peso do passado, não se referem à Tradição. Mas muitas vezes a Tradição é imposta como peso, como fardo, ao invés de ser apresentada como riqueza e memória saudável de uma comunidade.

Arrancar as unhas, o bico, as velhas penas”, não é ficar sem bico, sem unhas, sem penas, mas o mesmo bico se renova, as mesmas unhas e penas surgem como novas. A águia não deixa de ser quem é, mas se renova em si mesma, na sua mesma identidade – agora renovada e fortalecida.

Assim é a Igreja, ou deveria ser: renovar-se em si mesma, sem destruir sua memória, sua identidade; mas reafirmando-se diante do mundo onde está inserida como testemunha do Amor e Reinado de Cristo, anunciando profeticamente o Reino de Deus e sua Justiça. Atualizando a Tradição para falar ao tempo presente.

Rev. Luiz Caetano, ost +

Rev. Daniel, ost diac.

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30 junho 2011

Trindade, Deus Comunidade.

No Domingo de Pentecostes a Igreja celebra com alegria sua própria fundação, quando o Espírito Santo veio sobre o grupo apostólico e o tornou capaz de anunciar o Evangelho.
O domingo seguinte é chamado, pelo Calendário Litúrgico, Domingo da Santíssima Trindade. E após o Domingo da Trindade, o lecionário da Igreja nos propõe leituras bíblicas que pretendem iluminar a vocação missionária da Igreja. Assim, desde a Festa da Trindade, até o Domingo do Advento, a Igreja reflete dominicalmente, sobre sua missão no mundo, sobre seu testemunho e sobre sua vida em comunhão.
Por que um domingo dedicado à SS. Trindade? o que de fato se celebra nele? Geralmente as festas litúrgicas celebram fatos e memórias da fé cristã: assim, celebramos os eventos da vida de Jesus (Natal, Apresentação de Jesus no Templo, Epifania, Transfiguração, Paixão, Ressurreição, Ascenção); também celebramos a memória dos heróis e heroínas da Igreja (os santos e santas de Deus: Apóstolos, Mártires, Mestres, Testemunhas, a Mãe do Senhor) que inspiração e servem como modelo para o povo cristão; também celebramos a memória dos pioneiros da Igreja no Brasil. Entretanto a Festa da SS. Trindade é dedicada a uma afirmação de fé, a um fundamento básico da Fé Cristã.
Desde a Igreja Antiga essa doutrina é fixada no calendário litúrgico, isso porque trata-se do nosso fundamento de fé: sem a confissão da Trindade, o cristianismo poderia ser confundido com um politeísmo (três deuses). Na verdade, a doutrina sobre a Santíssima Trindade é o ponto de partida da Identidade Cristã, e é entendida  não como uma explicação racional sobre Deus, mas como contemplação de um Mistério!
Não cabe aqui uma discussão teológica  sobre a Santíssima Trindade. Mas cabe apresentar uma visão simples que nos ajude a contemplar esse Mistério. A doutrina da Trindade apresenta Deus como uma Família, uma comunidade; não um deus isolado, distante e solitário, mas um Deus amoroso, que se revela como Comunhão Amorosa, Solidário, e Relacional.
A Igreja Antiga entendeu que esse Deus. o qual se revela  amoroso e solidário em Jesus Cristo, pode ser percebido em três dimensões distintas mas essencialmente una. Na língua grega, usada pela Igreja Antiga, a Terceira Pessoa (Espírito Santo), é referida com uma palavra feminina: Haggion Pneuma, equivalendo ao hebraico também feminino Ruhar (Espírito de Deus, Sopro de Deus).
A língua latina, que acabou sendo adotada pela Igreja do Ocidente, tem a palavra Spiritus como masculino, e por isso nas línguas derivadas do Latim apresentam três seres masculinos como parte da Trindade… ( o ) Pai, ( o ) Filho e ( o ) Espírito Santo. Isso que pode nos fazer imaginar que o Deus Cristão é mais parecido com uma antiga barbearia – algo completamente masculino – que uma comunidade de amor partilhado.
Prefiro pensar a Santíssima Trindade como Deus Criador, Deus Palavra e Deus Cuidador: Deus o Pai, Deus o Filho, Deus a Mãe (Espírito Santo). O Deus que quer a Criação, a Palavra que faz a Criação e a Mãe que dela cuida.
Em Jesus, o Cristo, a Palavra se manifesta como parte da história humana, assumindo totalmente a nossa humanidade. Esse Deus amoroso permanece conosco na comunidade gerada pela Mãe (Espírito Santo), que no seu ímpeto feminino serve como Sopro Divinal, Real Consoladora, Divina  Instruidora (cf. Hino 98 , H.E.) soprando onde quer (Intuição), cumprindo a Obra de Salvação apresentada em Jesus o Cristo.
Por isso, a Trindade é celebrada não só como complexa doutrina teológica, mas principalmente como modelo básico do amor humano, o amor em comunhão: a masculinidade, a feminilidade e tudo aquilo que tal comunhão amorosa gera, e cuida (cf. Gênesis 1.26-27: “Façamos o Humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança […] homem e mulher os criou”). Note bem, não me refiro ao sexo masculino ou feminino, mas  identidade masculina e identidade feminina!
O Deus Tri-Uno é, portanto, o paradigma da comunhão que deve existir entre os cristãos. A Festa da Santíssima Trindade, assim como todo o tempo após o Pentecostes, nos convida para vivermos em comunhão – paz, solidariedade, compreensão, misericórdia – e atuarmos no mundo como missionários desse Deus Amoroso, Solidário, Deus-Comunhão!
Luiz Caetano, ost+
(inspirado em uma reflexão do Rev. Daniel Cabral)
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02 junho 2011

Jesus foi para ficar conosco!

jesasce10Celebramos a Ascensão do Senhor na quinta-feira anterior ao sétimo domingo da Páscoa. Dez dias após, é a Festa do Pentecostes, sobre a qual comentamos em nossa postagem anterior (“A Resposta vem chegando com o Vento”).
Costumamos imaginar a cena da Ascensão como Jesus subindo ao céu, decolando lentamente dum montículo de pedra… é uma imagem que nos foi legada pelos antigos, e na concepção deles, isso tem muito mais a ver com um símbolo – o Cristo ascende ao Céu e reassume o poder divino, que propriamente a um fato. Se pensarmos como fato, e de acordo com as leis que o Criador deu à natureza, se Jesus “subisse” na velocidade da Luz, estaria a uma distância de quase 2 mil anos-luz da Terra, ou seja, ainda estaria dentro de nossa galáxia, aqui pertinho. Ou seja, ainda estaria viajando, e como nós não sabemos a distância daqui para o Céu, ficamos sem saber se, neste momento, falta muito a chegar, ou seja, em nosso modelo cartesiano de compreender o Universo não cabe essa figura, ela é ridícula! Tampouco os antigos acreditavam nisso como “fato”. Afinal, o texto dos Evangelhos não é mera biografia de Jesus, mas uma confissão de Fé no Cristo de Deus manifesto em Jesus, o Cristo.
O que significa então essa afirmação do Credo, “subiu aos Céus”, que celebramos na liturgia como Dia da Ascensão, 40 dias após a Páscoa?
Os textos canônicos dos Evangelhos não trazem uma mesma narrativa. No Evangelho de João, nem há referência a isso; o evangelho termina bruscamente, com Jesus e seus discípulos comendo peixe assado por Ele. Lembremos que João começa com uma festa de casamento que ia acabar mas não acabou [cf. Jo 2.1-12]; e – curiosamente – termina com um churrasquinho de peixe entre amigos (!!!) e uma conversa particular com Pedro [cf. Jo 21].
No Evangelho de Mateus, há uma despedida, que acontece na Galileia, exatamente onde começou o ministério de Jesus; nessa despedida, Jesus se despede e envia os discípulos, referidos como Os Onze [cf. Mt 28.16-20]. O texto de Marcos é muito semelhante ao de Mateus, mas acrescenta ao final que “O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à destra de Deus[cf. Mc 16.14-20].