Os artigos deste blogue expressam o pensamento de seus autores, e não refletem necessariamente o pensamento unânime absoluto da comunidade paroquial. Tal unanimidade seria resultado de um dogmatismo restrito e isso contraria o ethos episcopal anglicano. O objetivo deste blogue é fornecer subsídios para a reflexão e não doutrinação. Se você deseja enviar um artigo para publicação, entre em contato conosco e envie seu texto, para análise e decisão sobre a publicação. Artigos recebidos não serão necessariamente publicados.

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28 junho 2017

Cem anos de presença episcopaliana em Santa Teresa

Templo paroquialEm agosto próximo nossa comunidade celebra o centenário da presença de nossa denominação em Santa Teresa. Aqui viemos, em 1915, através do Rev. Meen, a convite do Dr. Francisco de Castro Junior, para atender pastoralmente os internos da Assistência de Santa Teresa, obra social fundada pelo Dr. Francisco servindo pastoralmente às pessoas, pobres em sua quase totalidade, enfermas de tuberculose e febre amarela que, à época, assolavam o Rio de Janeiro.

Em 12 de agosto de 1917, o Bispo Kinsolving visitou a pequena comunidade nascida a partir do ministério do Rev. Meen junto aos enfermos e suas famílias. Na ocasião, o Bispo recebeu à Comunhão da Igreja 53 pessoas. E declarou organizada a Missão São Paulo Apóstolo. Você pode ler mais sobre a história em nossa página web (ver final deste artigo1).

Passados 100 anos, temos hoje o desafio de refletir sobre o significado desta Igreja no nosso Bairro. Começamos como uma pequena comunidade de serviço, e assim fomos na maior parte do tempo até hoje: uma igreja engajada no bairro, envolvida com suas causas e necessidades, testemunhando a ação de Deus no mundo através de Jesus, o Cristo.

Temos um belo templo, mas de caríssima manutenção, e a pequena comunidade paroquial não consegue atender às necessidades da manutenção e conservação do templo. E não temos visto, por parte da comunidade do Bairro uma real preocupação com isso, sempre na fácil e falsa ilusão de que somos a “igreja da Rainha da Inglaterra”, apesar de todos os nossos esforços em informar que não temos nada com a Inglaterra, sua Igreja, e a Rainha; apenas fazemos parte da Comunhão de Igrejas unidas pela Fé comum à Igreja da Inglaterra e a uma família de Igrejas Nacionais, Autóctones e Autônomas denominada Comunhão Anglicana, o que não significa que somos mantidos por essa Comunhão.2

Poucas pessoas no Bairro nos apoiam realmente com recursos para obras de manutenção, algumas até com grandes sacrifícios mas boa disposição. Mas, apesar disso, temos sido um espaço aberto a várias iniciativas em favor do bairro, e muitas ações hoje existentes em Santa Teresa nasceram ou ainda acontecem sob o guarda-chuva da nossa Paróquia.

A reflexão a ser feita é como continuar em Santa Teresa sem os recursos para garantir a manutenção do ministério da comunidade e sua infraestrutura. Talvez seja tempo de mudar nossa maneira de existir aqui e olharmos para novos paradigmas que desafiam a Igreja de Cristo hoje.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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1. Nossa História na página web da Paróquia: https://spapostoloepiscopal.wixsite.com/paroquial/blank-uic7m

2. Para entender a relação entender as Igrejas da Comunhão Anglicana, veja neste blogue, o artigo:

A Paróquia São Paulo Apóstolo, a Igreja Anglicana e a Rainha da Inglaterra

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28 agosto 2016

Vem ai o Centenário! Centenário???

IgrejaNossa Comunidade paroquial completou este mês de agosto, 99 anos. Quando falamos assim, temos a impressão de uma continuidade no tempo, sem interrupções, como se fôssemos a mesma comunidade que surgiu na Rua Aprazível, no alto de Santa Teresa, em 1917*.  Na verdade, somos e não somos!

Somos, à medida em que a comunidade hoje existente mantém a mesma Tradição, a mesma identidade e a mesma presença de testemunho solidário em Santa Teresa, desde quando o Rev. Meen aqui chegou atendendo ao chamado do Dr. Francisco de Castro Junior, para cuidar da espiritualidade das pessoas internadas na Assistência de Santa Teresa, pessoas pobres que sofriam de febre amarela e tuberculose.  Somos, à medida que hoje nossa pequena comunidade herdou o belo templo e a responsabilidade de mantê-lo e preservá-lo. Somos, à medida que os clérigos e clérigas que hoje presidem em nosso altar e ensinam em nosso púlpito seguem a mesma orientação doutrinária e litúrgica em sucessão às gerações de clérigos que exerceram seu ministério diaconal e sacerdotal como Ministros Encarregados e posteriormente Párocos, Coadutores e Colaboradores. A mesma herança apostólica ordenou aqueles clérigos do passado e os do momento presente.

Mas não somos, se considerarmos que a maioria de nós que hoje pertence à comunidade, ou a frequenta, não descende daquelas pessoas que há 99 anos fundaram a comunidade. Não somos, portanto descendetes dos fundadores, embora os consideremos nossos Ancestrais (mas não Antepassados). Hoje somos uma comunidade pequena de pessoas que optaram a prosseguir seu seguimento a Jesus o Cristo nesta tradição, se reunindo em adoração e serviço neste templo, na comunhão desta denominação religiosa cristã, parte da Única, Una e Diversa Igreja de Cristo, espalhada por todo o mundo em diferentes formatos, tradições, ritos e expressões de sua fé.

17 fevereiro 2015

Lema da Quaresma 2015: Renovando-nos como Igreja!

OraçãoÉ preciso que voltemos nosso olhar ao Evangelho para libertarmo-nos de conceitos, usos e costumes que foram sendo incorporados pela Igreja no decorrer de sua História. A Igreja deve estar em constante reforma, para que possa responder aos desafios deste tempo presente e dar o testemunho da vida em Cristo. Cada comunidade da Diocese na região do Arcediagado do Rio de Janeiro começa o processo de construir um Plano Trianual, um processo permanente de planejamento e avaliação, para caminhar rumo a uma renovação em termos de organização e percepção missionária. É um princípio que herdamos da Reforma do século XVI: Igreja Reformada, sempre se reformando!
Uma mudança de paradigmas é algo complexo, lento e não muito simples! A renovação da Igreja só acontecerá se cada um de nós renovarmo-nos diante de Deus, a partir do estudo e leitura orante da Palavra de Deus, se formos capazes de fazermos isso não só individualmente, mas também enquanto comunidade confessante.
Precisamos olhar a nós mesmos como comunidade, olharmos a realidade onde estamos inseridos, detectar as oportunidades e os desafios para nossa ação missionária. Ação missionária não significa proselitismo, mas testemunho diante das realidades do mundo. Devem ser as nossas atitudes, as nossas ações que apresentem o Evangelho, não o palavreado exagerado tentando convencer pessoas! Palavras podem convencer, mas atitudes convertem!
No processo de construção do Plano Trianual, apresentado na Conferência Diocesana de setembro passado, usaremos o método ver, julgar, agir e celebrar, a partir de uma avaliação do que temos sido, observar a realidade ao nosso redor, analisar essa realidade para compreende-la e definir o que podemos fazer nessa realidade como missão e testemunho, para construirmos relações de comunhão e serviço.
Comece você mesmo essa reflexão pessoal, depois faça-a com sua família, estenda à nossa comunidade: vamos iniciar o processo de VER! e de JULGAR!
Enquanto pessoa no mundo, você deve se perguntar:
1.Vendo e avaliando a mim mesmo: Como está minha vida pessoal? O que está bom? O que pode melhorar? O que precisa mudar?
2. Vendo e conversando com a minha família: Como está nossa vida familiar? O que está bom? O que pode melhorar? O que precisa mudar?
3. Vendo e conhecendo os arredores de minha casa: como é a vizinhança? que necessidades temos como moradores no bairro? como você e sua família podem ajudar?
4. Vendo e avaliando meu espaço profissional: Como são meus colegas de trabalho, meus clientes, meus fornecedores, meus empregados, meus superiores, meus subordinados? como tem sido a convivência? há pessoas sofrendo? necessitando algum tipo de apoio? que eu posso fazer?
Enquanto Comunidade Paroquial devemos nos perguntar e conversar:
1. Vendo e avaliando a mim mesmo perante a comunidade: Como eu tenho participado e assumido responsabilidades sendo parte de uma comunidade de fé? O que posso oferecer à Comunidade?
2. Vendo e avaliando nossa vida comunitária: quais as nossas necessidades? o que está bem na comunidade? o que precisa melhorar? o que precisa mudar? há necessitados entre nós, do ponto de vista de apoio emocional, financeiro, etc.? como podemos ajudar?
3. Vendo e avaliando nosso testemunho comunitário: nossa Paróquia tem tido uma presença concreta nas demandas do povo que habita o bairro de Santa Teresa e adjacências? que temos de mudar em nossa presença? o que mais podemos fazer? Como podemos incrementar as relações com as demais Igrejas em Santa Teresa? Como eu me enquadro nesse processo (como espectador ou agente com a comunidade)?
Vamos ter oportunidades de conversar e aprofundar essas questões em comunidade, mas é preciso que cada um de nós comece agora o processo de reflexão.
Que o Espírito Santo nos acompanhe e nos ilumine! Amém!
Vossos Pastores, na comunhão com o Bispo:
Rev. Luiz Caetano, ost+  e Rev. Daniel, ost+

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15 julho 2013

Mordomia Cristã (2): Ação Diaconal

(veja também o primeiro artigo da série “Mordomia Cristã”: clique aqui)

ConsoladorNesta segunda reflexão sobre a Mordomia Cristã, vamos conversar sobre Ação Diaconal.

O termo Diaconia foi desde os primórdios do Cristianismo ligado ao serviço que se presta aos mais necessitados. Assim, em Atos dos Apóstolos 6.1-7 vemos o núcleo da Igreja Primitiva designando sete homens para exercerem o cuidado para com os órfãos e as viúvas, gente que – pela sua condição – sofria privações enormes. A criação dos Diáconos para cumprir essa tarefa em nome dos Apóstolos mostra que desde o início o cuidado com os necessitados era parte do ministério da Igreja, totalmente vinculado ao ministério apostólico.

O significado de Diaconia, com o passar dos séculos, desenvolveu-se para o conceito de serviço aos mais necessitados e, por extensão, à comunidade como um todo. Hoje podemos dizer, como uma simplificação, que Diaconia se aplica à ação social da Igreja, algo inerente à própria existência da Igreja e do seu testemunho do Evangelho de Cristo, uma vez que nosso Senhor está entre nós como “aquele que serve” (cf. Marcos 10.45: Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.)

Muitas organizações de inspiração cristã (e não cristã também), vinculadas ou não à uma determinada Igreja, fazem excelente trabalho de ação social. A maioria delas conta com quadros profissionais especializados e exercem importante papel no âmbito da cooperação e ação social. Ao contrário das instituições estatais ou exclusivamente patrocinadas pelo estado, a grande maioria delas adotam modelos de organização e gestão bastante sofisticados e eficazes, otimizando os recursos para suas atividades fins.

Nossa comunidade paroquial atua de diferentes maneiras em termos de ação diaconal:

SPAPOST 2012 09 09 1   1) Nós apoiamos duas organizações sociais que atuam servindo aos mais necessitados; dedicamos a elas mensalmente, pelo menos, duas coletas dos ofícios dominicais matutinos (conheça essas entidades, clique aqui);

    2) Periodicamente definimos um determinado domingo como Domingo Diaconal da Comunidade, quando a congregação deposita sob o Altar gêneros alimentícios, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, e outros produtos que são encaminhados para famílias carentes e outras instituições de ação social;

    3) Contribuindo mensalmente com a nossa Diocese através de determinado valor monetário, denominado Quota Diocesana, como parte de nossa contribuição para com o rateio de despesas da Diocese e da manutenção do clero diocesano; a comunidade começa a preparar-se para atender à solicitação da Diocese de, a médio prazo, ser capaz de contribuir com metade dos proventos do clero paroquial.  Nossa paróquia mesmo é uma Paróquia Subvencionada, ou seja, nosso clero paroquial é mantido com recursos diocesanos, advindos basicamente das contribuições em quotas de todas as comunidades. Entendemos que contribuir com a manutenção da Diocese é uma ação diaconal, uma vez que a Diocese é uma organização a serviço de suas comunidades.

   4) Nossa comunidade entende ainda como parte de sua Ação Diaconal a inserção nas campanhas e mobilizações populares do bairro de Santa Teresa e arredores. É comum nossas instalações servirem para reuniões das diferentes associações de moradores da região, especialmente o Conselho  de Ruas da AMAST (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa), especialmente as Assembleias Gerais e Audiências Públicas promovidas pela Associação. Mesmo sendo uma comunidade dispersa pela cidade do Rio de Janeiro (temos membros que residem na Zona Oeste, na Zona Norte e até mesmo na Baixada) a Comunidade é bastante sensível aos problemas do bairro e totalmente solidária na defesa dos interesses do povo de Santa Teresa.

  5) O Atelier Paroquial , sob coordenação da eclesiana,  Sra. Lídia Crespo Correia, com apoio do Atelier Mãos que Fazem, promoveu, por muitos anos o curso de Patchwork em nosso salão paroquial. Hoje o Atelier continua funcionando como espaço onde mulheres oriundas dos cursos se reúnem para compartilhar experiências e confeccionar juntas seus trabalhos.

  6) Várias iniciativas sociais hoje existentes em Santa Teresa, germinaram a partir do apoio decisivo e total da Paróquia São Paulo Apóstolo, nos últimos 15 anos. Por exemplo, o Cine Santa (cinema de qualidade a preços módicos especialmente para os moradores no bairro), começou há 10 anos exibindo filmes em nosso templo paroquial nos sábados à tarde. Hoje o Cine Santa tem seu próprio ambiente, no Largo do Guimarães, uma sala confortável onde são exibidos o que há de melhor na produção cinematográfica brasileira e internacional.  Durante vários anos a Feira Ecológica em Santa Teresa funcionou semanalmente em nossas instalações; A Horta Comunitária do Morro da Coroa nasceu há quase 5 anos graças ao apoio total da Paróquia como responsável por um projeto submetido e apoiado pela Cooperação Ecumênica nacional e internacional. 

Arte-terapia no Morro dos Prazeres   7) Mais recentemente, a Paróquia promoveu um programa de Arte-terapia para mulheres vítimas de violência na Comunidade do Morro dos Prazeres, com parte dos recursos fornecidos pela Oferta Unida de Gratidão da nossa Igreja no Brasil. Esse projeto, coordenado pela Assistente Social,  Sra. Sandra Mônica da Silva Schwarzstein,  paroquiana e secretária da Junta Paroquial. O programa agora está em fase de avaliação e planejamento para ampliar sua abrangência, visando a criação de outro grupo que se reunirá no salão paroquial. Em breve publicaremos mais informações a respeito.

   8) O programa Música e Café na Igreja é também entendido como parte de nossa Ação Diaconal, pois é um serviço ao bairro e uma oportunidade para jovens artistas se apresentarem sem custos de produção. Pelo menos uma vez por bimestre a Paróquia promove em seu templo a apresentação de artistas e grupos musicais (inclusive dança) com entrada franca, sendo servido um cafezinho ao final, facilitando o convívio e a boa conversa.

   9) Nossa comunidade conta em sua congregação com quatro pessoas  profissionais na área do Serviço Social, que estão sendo desafiadas pela comunidade e pelos pastores a organizarem de forma efetiva a Ação Diaconal da Paróquia.

As Contribuições Regulares e as Ofertas que recebemos são direcionadas não só para a manutenção do serviço religioso, mas também para a Ação Social. Apesar dos poucos recursos que temos, nossa Comunidade compartilha-os em nome do Senhor Jesus  Cristo como testemunho do Seu amor e Sua misericórdia para com todas as pessoas. Nós entendemos que a Ação Diaconal é parte de nossa Missão e uma das nossas mais efetivas formas de evangelização.

Quando você contribui ou oferta para a Paróquia São Paulo Apóstolo sabe que o dinheiro oferecido é utilizado em nome do Senhor para o benefício da comunidade e da ação evangelizadora de presença e solidariedade. Muito obrigado a todos que, generosamente, partilham seus dons materiais, vocacionais e profissionais em nossa comunidade paroquial.

Rev. Luiz Caetano, ost+

Rev. Daniel Rangel, ost+

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10 maio 2013

Mordomia Cristã: nossa responsabilidade

Mordomia Cristã 2Mordomia é “cuidar da casa”! Mordomo é alguém a quem entregamos o cuidado da nossa casa. Após a Criação, Deus entregou tudo ao ser humano que, assim, se tornou Mordomo da Criação! Por isso, como cristãos, nos sentimos responsáveis pelo cuidado da Natureza e pela preservação da Vida em todas as suas manifestações.

Em certo sentido, enquanto comunidade, somos chamados a ser mordomos uns aos outros, ou seja, o bem estar de cada um de nós é responsabilidade de todos nós! Por isso, somos chamados a exercer a solidariedade, a partilhar nossos dons (dádivas de Deus), servindo uns aos outros da mesma forma como Deus foi solidário conosco enviando seu próprio Filho para servir como nosso Redentor!

Como cristãos somos chamados a exercer também a mordomia para com a Igreja. A Igreja, comunidade dos filhos e filhas de Deus em Cristo pelo Batismo, enviada por Cristo para anunciar o Evangelho, existe e atua no mundo, organizada como uma instituição e, portanto, precisa ser mantida e sustentada.

Como podemos fazer isso? De várias maneiras; hoje vamos ver uma delas:

A Manutenção e o Sustento da Igreja

Todos os membros da Igreja, especialmente aqueles que reafirmaram sua fé na Confirmação (Crisma) ou que foram recebidos à Comunhão da Igreja, são responsáveis pela manutenção e sustento da Igreja. Há várias maneiras de colaborar e todos nós somos chamados para isso.

a) Contribuição Regular: Veja bem: Deus não necessita de um Templo, nem de um salão paroquial, nem de pastores; Deus não precisa de nada disso. Mas nós necessitamos de um espaço sagrado, de um espaço para o convívio fraterno, de pastores e pastoras que nos sirvam como ministros e orientadores espirituais; gostamos de boa música nas celebrações, gostamos de ver o templo limpo, arrumado e decorado conforme nosso costume. Isso faz parte de nossa identidade denominacional, e nos localiza no tempo e no espaço enquanto comunidade confessante! Para manter tudo isso, cada membro da Igreja dá sua Contribuição Regular, um valor mensal que se destina exclusivamente para a manutenção da Igreja e o sustento do ministério e da Missão. Cada família, ou cada pessoa decide qual o valor que dará como Contribuição Regular, mensalmente ou conforme a sazonalidade que julgar conveniente à sua realidade. Esse valor será colocado em um envelope especial para o registro da contribuição, que será posto na salva por ocasião da Coleta nos ofícios, ou entregue diretamente ao Tesoureiro Paroquial. Você pode obter o envelope diretamente com o Tesoureiro ou qualquer membro da nossa Junta Paroquial (membros eleitos pela congregação para administrarem a Paróquia com o Pároco, com mandatos determinados). A Contribuição Regular informada é base para a gestão orçamentária da Paróquia. Converse com o Tesoureiro!

b) Ofertas durante os Ofícios: É importante que você saiba que as ofertas dadas por ocasião dos ofícios (coleta) não se destinam à manutenção da Paróquia exclusivamente. As coletas dos ofícios destinam-se às ações específicas da Comunidade: Diaconia (serviço e ação social), apoio a algum projeto diocesano ou nacional, instituições de caridade da Igreja ou de outras denominações, campanhas especiais, etc. A cada ofício anunciaremos a finalidade da coleta e o destino das ofertas recebidas. Oferta não substitui a Contribuição Regular!

c) Ofertas Especiais: É costume entre os episcopais anglicanos, em ocasiões especiais, dar-se uma oferta em ação de graças. Por exemplo, no Natal e na Páscoa, aniversário, formatura, matrimônio, etc. Nossa Paróquia não cobra pelos serviços religiosos prestados aos membros da comunidade (batizado, casamento, sepultamento, etc.); no caso de casamentos de pessoas não membros da comunidade,  a Junta Paroquial estabeleceu um valor que é destinado para o fundo de manutenção e conservação do templo. Quando recebido, esse valor é registrado como Oferta Especial em nossa Tesouraria e na Contabilidade.

d) Exerça seu ministério de serviço à Comunidade: Além da contribuição financeira, o membro da Igreja deve oferecer algum dom e um pouco do seu tempo para servir à comunidade. Por exemplo, você pode auxiliar na Liturgia, ser membro da Junta Paroquial, cuidar dos objetos do culto e da decoração do Altar, ajudar o Pároco na Educação Cristã da comunidade, prestar algum serviço na sua área profissional ou de conhecimento (por exemplo, música, saúde, contabilidade, manutenção de equipamentos ou do prédio, decoração do templo, do jardim, etc.). Há muitas oportunidades! Fale com os Pastores da Comunidade!

Este não é um artigo para pedir dinheiro para a Igreja. Nossa Paróquia, e a nossa Tradição não negocia com a Graça, nem faz barganhas com serviços religiosos. Ninguém deixa de receber os sacramentos, nem de participar das atividades da Igreja porque não é contribuinte.  Nossa Tesouraria publica, mensalmente,  no mural da Igreja todo o movimento financeiro da Paróquia.

Intencionalmente, não coloquei referências bíblicas sobre o assunto, embora a Sagrada Escritura, em diferentes textos, trate do tema; preferi abordar a Mordomia Cristã enquanto conceito ético e não obrigação religiosa.  A contribuição financeira para a Igreja é um sinal de compromisso e pertença real, movida pela vontade solidária de cada um. Cabe a você decidir se você é realmente parte da Igreja ou apenas se considera alguém consumidor de religião que dá uma esmolinha ou uma ajuda vez em quando…

Rev. Luiz Caetano, ost+

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08 fevereiro 2013

Sobre milagres: não basta ler, é preciso compreender!

Os 4 Evangelhos 2Muita gente lê os Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) como se fossem um registro histórico sobre Jesus, isto é, uma “biografia” de Jesus. Se realmente os Evangelhos fossem uma biografia ou um simples relato histórico sobre Jesus, a Igreja Primitiva, quando estes textos foram escritos, os chamaria de Crônicas e não de Evangelhos. Desde cedo os textos que relatam situações da vida de Jesus foram escritos não visando um registro factual, mas para anunciar uma boa notícia, dai serem chamados Evangelhos, palavra grega que significa Boa Notícia, Boas Novas… Ler os Evangelhos com a preocupação de quem lê uma biografia é perder a perspectiva dos autores, é não perceber as boas novas anunciadas.

E mais, a pessoa fica confusa porque os textos não são coerentes entre si, embora Mateus, Marcos e Lucas sejam bem semelhantes, pois foram escritos praticamente no mesmo contexto histórico e geográfico e na mesma época, 30 a 40 anos após o surgimento das comunidades cristãs (evento de Pentecostes). Porém o Evangelho de João surge após o ano 90, em um contexto muito específico e destinado a uma população bem específica: as comunidades judaico-cristãs dispersas em uma região da Ásia que hoje conhecemos como Turquia, as chamadas comunidades joaninas, que viviam a experiência da perseguição pelo Império Romano e pelas sinagogas judaicas, pois em 90 d.C. o Concílio Rabínico reunido em Jamria (Palestina) decidiu que os cristãos eram anátema e os cristãos não poderiam mais participarem da sinagoga.

As narrativas dos milagres de cura que Jesus realizou , por exemplo, querem dizer muito mais do que um simples fato miraculoso. Hoje em dia, as filosofias de prosperidade e auto-ajuda reduzem as narrativas das curas a um simples ato de magia e curandeirismo; porém Jesus não era um curandeiro, (haviam muitos em seu tempo, e prestavam um serviço relevante às populações pobres – como ainda hoje), nem era um mago; Jesus era chamado de Mestre, era conhecido como um rabino, alguém que explica e interpreta a Lei e os Profetas, bases da fé judaica.

Essa forma barata de compreender os milagres reduzem a Fé em Jesus Cristo a uma simples relação de troca com Deus! e um Deus injusto e cruel, porque não faz milagres para todo mundo! As pessoas, iludidas por uma interpretação simplória e geralmente forçada do texto bíblico, vivem no desespero da busca pelo milagre, fazendo mil sacrifícios e práticas insensatas de religiosidade para “merecer a atenção de Deus”; e se o “milagre” não acontece, sentem culpa porque “não tiveram fé suficiente” ou não ofereceram aquilo que Deus desejava delas (geralmente dízimos, trízimos, promessas, etc.). Assim, a narrativa de um “milagre” de Jesus não traz nenhuma Boa Notícia, apenas falsas esperanças… como quando a gente lê a notícia de que alguém ganhou sozinho a Mega-Sena.

Se a intenção da Igreja Primitiva fosse apenas dizer que Jesus fazia milagres, não precisava narrar os fatos com certos detalhes, bastaria uma lista de curas e milagres, sem dar muita explicação sobre como e onde aconteceram. Exatamente por serem narrativas que querem dizer mais que as palavras escritas – apresentar uma Boa Nova! – é que esses textos devem ser lidos e apreendidos com mais profundidade, conhecendo-se seu contexto, pessoas envolvidas, lugares… tudo isso traz uma mensagem que os cristãos àquela época entendiam muito bem e percebiam realmente a Presença de Deus agindo no Mundo – e não apenas na vida de algumas poucas pessoas merecedoras desse carinho divino; todos podiam perceber e experimentar essa ação carinhosa e poderosa de Deus no mundo e em suas vidas, sem esperar por coisas absolutamente mágicas!

Milagres realmente acontecem! mas não acontecem por si mesmos, nem por exibicionismo de Deus! milagres são sinais e significam muito mais do que o fato em si mesmo. É preciso ver além do fato, é preciso compreender a ação de Deus, permitir que Deus Se revele hoje, como Se revelou aos nossos ancestrais na fé.

Por isso, é muito importante que a comunidade da Igreja se reúna, sempre sob a inspiração do Espírito Santo, também para o Estudo da Palavra de Deus, da Bíblia, além da vivência sacramental comunitária e das reuniões de louvor e de oração. É muito importante a leitura pessoal e devocional da Escritura Sagrada, mas também é importante que a comunidade estude e compreenda em profundidade o texto bíblico, para realmente compreender o que Deus está fazendo e nos dizendo hoje!

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Em nossa comunidade paroquial buscamos estudar a Palavra de Deus através dos Sermões de nossos pastores, nos ofícios comunitários. Mas precisamos de mais! Por isso, em breve estaremos divulgando encontros para estudos da Palavra de Deus, além dos nossos ofícios litúrgicos.

Aguarde!

Rev. Luiz Caetano, ost+

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19 julho 2012

Separado para servir!

No domingo, 22 de agosto, a Paróquia São Paulo Apóstolo hospedará a cerimônia de Ordenação ao Diaconato do Frei Fabiano Nunes, osb. Fabiano atua em nossa comunidade paroquial há alguns anos como Ministro Leigo e administra um amplo projeto de ação social diocesana na Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro.

O Diaconato é a primeira ordem que recebemos quando ingressamos no Sagrado Ministério da Igreja. O Diaconato é a Ordem do Serviço, e o ministério diaconal é exatamente o ministério de servo da comunidade em nome de Cristo. O Presbiterado (sacerdócio ordenado) é dado ao Diácono, assim como o Episcopado é dado ao Presbítero. Ou seja, todos os sacerdotes (presbíteros) são diáconos, assim como todos os bispos são presbíteros e diáconos. Portanto, todo o ministério ordenado da Igreja repousa sobre o Diaconato, ou seja, repousa sobre a ordem dada para servir à comunidade da Igreja e ao mundo em nome do Senhor Jesus Cristo, sob a inspiração do Espírito Santo.

O ministério do Diácono é fundamentado em Atos dos Apóstolos, quando é decidido separar entre membros da comunidade gentílica, sete homens para dedicarem-se ao cuidado dos órfãos e das viúvas, ou seja, das pessoas mais necessitadas da comunidade (cf. Atos 6.1-7).

Sabiamente a Igreja, desde algum tempo, e retomando antiga tradição, incluiu as mulheres nas Ordens Sagradas, e assim temos hoje na Igreja Episcopal Anglicana diáconas e diáconos, como temos também Presbíteras e Bispas. Evitamos a palavra diaconisa, pois no tradição protestante este termo não tem o mesmo significado de uma Ordem Sacramental.

Uma vez que todas as demais Ordens são dadas sobre o Diaconato,  tanto o Presbiterado quanto o Episcopado devem ser exercidos de maneira diaconal, ou seja, como serviço à comunidade em nome de Jesus Cristo, e em testemunho do Evangelho.

Na Igreja Episcopal  Anglicana acontece o renascimento da vocação diaconal e uma reflexão teológica e pastoral buscando fortalecer o papel do Diácono na vida das dioceses. Durante algum tempo o Diaconato foi visto como um “estágio” anterior ao Presbiterado, mas hoje há uma visão que recupera o significado desse ministério específico de acordo com a Tradição herdada pela Igreja.  Surgem vocações que se destinam ao Diaconato especificamente, pessoas que não buscam o Presbiterado, mas querem colocar-se em serviço diaconal de forma permanente. Fabiano, desde o início, afirma sentir-se chamado à esta vocação especial de servir como Diácono sem almejar as demais ordens. A exemplo de Fabiano, outras pessoas começam a manifestar-se sentindo o mesmo chamado, não só em nossa Diocese como também em outras.

É preciso salientar que na nossa visão doutrinária sobre as Sagradas Ordens, adotamos o princípio estabelecido na Carta aos Hebreus, de que o Sacerdócio é único e pertence ao Senhor Jesus Cristo, o qual é delegado a todas as pessoas pelo Batismo. Assim,  ao separar pessoas para o exercício das Sagradas Ordens, a Igreja como um todo delega a essas pessoas o exercício de seu sacerdócio (de todos) para exatamente exerce-lo como serviço à comunidade e ao mundo. Assim, devemos entender que Diáconos, Presbíteros e Bispos são pessoas da comunidade, separadas pela comunidade e ordenadas para o serviço à comunidade, cada ministério em seu múnus específico.  Tais pessoas têm a grave responsabilidade de serem sinais da presença de Cristo na Igreja, e por isso é necessário que haja realmente uma vocação (chamado) inspirado pelo Espírito Santo para que uma pessoa receba as Sagradas Ordens com dignidade e humildade. A Igreja, sabiamente, reserva um tempo relativamente longo para que tal vocação seja testada e avaliada até que se concretize o momento em que a pessoa é separada para exercer o ministério ordenado em nome da Comunidade em em perfeita comunhão com o Senhor Jesus Cristo.

Colocamos Fabiano, assim como todas as pessoas vocacionadas diante de Deus, intercedendo para que seu ministério seja realmente sinal da Presença do Cristo Vivo e da Bênção de Deus em nossa diocese e Igreja. Após sua ordenação, Fabiano será nomeado pelo Bispo Diocesano para servir às comunidades do Mediador e Bom Jesus, ambas na Zona Oeste da nossa cidade. Fabiano deixa a São Paulo Apóstolo com a mesma dignidade que sempre mostrou no seu longo período de ministério conosco e leva nossa gratidão e saudade.

Rev. Luiz Caetano, ost+

Rev. Daniel, ost diácono

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06 junho 2012

Igreja Viva é Igreja Confessante!

Sob a influência dos valores consumistas, muita gente avalia a Igreja através de critérios pouco evangélicos (do Evangelho!). Uma Igreja cheia de gente, que movimenta muito dinheiro, que promove show de bênçãos, é considerada uma Igreja viva, porque mostra resultados de sucesso… Ou então, uma Igreja que se envolve em tudo, opina sobre tudo, participa de todas as mobilizações e suas lideranças apresentam discursos altamente engajados, é considerada uma Igreja viva porque “dá testemunho”, aparece na mídia, chama a atenção.
Entretanto, eu acredito que tais são Igrejas moldadas no ativismo e na imagem bem construída de seus pastores, não necessariamente na Cruz do Cristo. Personalismo e estrelismo, síndrome de sucesso no mercado. Um produto bem sucedido e bem vendido!
Qual seria o critério de Cristo para avaliar a Igreja? Penso que João 6:63-70 pode nos dar uma pista:
O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente. Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo. (João 6:63-70 _ Nova Versão Internacional)
Depois de multiplicar o alimento através da partilha, o Senhor fala com clareza sobre Sua Missão, sobre o significado de Sua Presença. Então, as mesmas pessoas, saciadas da fome, se afastam, saem de cena, porque as palavras do Senhor é estranha e contrária às expectativas…  Entretanto, o Senhor fica olhando todos se afastarem, não tenta negociar, não tenta agradar a clientela! Ainda, talvez cinicamente, pergunta aos que sobram, os Doze, se também não desejam abandoná-lo! Fica bem claro que o Senhor não está preocupado em organizar um movimento de massa, nem em angariar clientes ou “agradar os fiéis”; Ele não tenta seduzir com palavras doces, antes anuncia duramente o sentido de Sua Presença!  Ele mesmo sabia, diz-nos o texto, que muitos não criam. Mesmo entre os poucos que sobraram, havia um traidor.
Interessante notar que, no texto joanino, após esse episódio, Jesus não anda mais com multidões, mas reduz seu círculo de discípulos aos doze e algumas outras pessoas. Não está preocupado em ter auditório, mas em cumprir Sua tarefa, e ministrar aos poucos seguidores, inclusive ao traidor…
Qual o motivo alegado por Pedro, em nome dos que ficaram, para permanecerem com Ele?  “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente”. Mais do que uma afirmação filosófica, Pedro dá um testemunho de fé e de reconhecimento do Cristo! Sua primeira frase mais parece uma oração: “Senhor, para quem iremos nós?” , como uma súplica! e conclui com uma confissão de fé: “E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente”. Exatamente estes poucos que sobraram se tornam depois, os arautos da Palavra, anunciam o Evangelho por todo o mundo, tornam-se Apóstolos e Apóstolas, testemunhas vivas da Presença permanente de Cristo no mundo, testemunhas do Ressuscitado!
Aos contrário dos que hoje em dia se autodenominam “apóstolos”, ou muitos que – no decorrer da história – se proclamam seus sucessores, estes homens e mulheres que permaneceram com Jesus até a Ressurreição (mesmo tendo fugido diante da Cruz), não viviam de pompa e circunstância, não foram tomados pela vaidade, mas na simplicidade de suas vidas, são os alicerces da Igreja de todos os tempos.  E criaram comunidades confessantes da fé no Ressuscitado, comunidades solidárias aos que sofrem e choram, comunidades pequenas mas corajosas em enfrentar a perseguição do Império e da Sinagoga – os cristãos foram considerados anátema pelo Sinédrio reunido em Jâmnia, por volta do ano 90 d.C.  O primeiro fruto da ação daqueles remanescentes seguidores de Jesus na Palestina, foi a Igreja dos Mártires, a Igreja Confessante por excelência! Animados pelo Espírito Santo em suas vidas, enfrentaram a morte com ousadia e coragem!
A Igreja que herdamos é a Igreja que permaneceu no tempo e na história mesmo depois do desaparecimento de seus fundadores. Não estava alicerçada na personalidade ou no personalismo deles, mas no Espírito Santo. Quando surge a tentação do personalismo e do culto à personalidade, Paulo, um confessante, admoesta a Igreja:
Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissen-sões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. (1 Coríntios 3:3-7 – Nova Versão Internacional)
Igreja Viva é a Igreja que confessa a Fé no Cristo Ressuscitado, que anuncia o Evangelho, denuncia o Mal em todas as suas formas e testemunha com coragem a Vontade de Deus e Sua Bondade e Misericórdia. Não importa sermos muitos ou poucos, não importa sermos reconhecidos ou elogiados pela sociedade. Importa antes que seja cumprida a Vontade Soberana de Deus Pai/Mãe, manifesta em Seu Filho, o Cristo, e permanentemente anunciada através da ação do Espírito Santo.
A Igreja de Cristo está Viva quando dobra seu joelho em oração e adoração, e obedece a Deus. Ela segue ao Cristo, em Sua Cruz e Ressurreição, não segue lideres carismáticos personalistas!
Luiz Caetano, ost+
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19 abril 2012

Igreja: comunidade da misericórdia e do perdão!

Jesus Ressuscitado com discípulosAo cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!" Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor.
Novamente Jesus disse: "Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio". E com isso, soprou sobre eles e disse: "Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados".
  (João 20:19-23 – N.V.I.)

Este é o primeiro encontro, no Evangelho de João, do Ressuscitado com seu grupo de discípulos.  O Cristo se apresenta em um lugar de intimidade, isolamento e medo (portas trancadas…), e sua primeira palavra é uma saudação de Paz e um sinal claro de sua real identidade (as mãos e o lado…) . O medo dá lugar à alegria! e o Cristo se revela como a Presença da Paz que afasta os temores e traz a alegria!

Novamente o Cristo faz a saudação da Paz e então envia seus discípulos na mesma condição que Ele fora enviado: “assim como o Pai me enviou, eu os envio”, dando a eles a unção do Espírito Santo. Assim, os discípulos do Cristo são enviados com o poder do Espírito Santo e como portadores da Paz! Mas a unção do Espírito traz uma motivação: o perdão dos pecados!

E aqui precisamos ser muito cuidadosos. Não vejo no texto a delegação de autoridade para perdoar ou não perdoar. Porque perdoar ou não perdoar, significa também a capacidade de decidir o que é pecado. Uma leitura fundamentalista e moralista vê aqui que, aqueles homens, fracos, ignorantes, medrosos e covardes, teriam o poder de decidir sobre o pecado alheio! Por extensão, o texto seria uma justificativa para o poder da instituição religiosa em definir absolutos, o que significa que a ação de Deus fica limitada à decisão humana, decisão essa que não pode ser absoluta porque condicionada à condição humana (cultura, código moral, poder político, e o próprio pecado!). 

Na verdade, o perdão aqui anunciado, é exatamente o motivo da vinda do Filho ao mundo: o exercício da misericórdia do Pai e a oferta do perdão – reconciliação definitiva. Perdoar é, então, uma identificação com o ministério de Jesus.  Os discípulos são enviados ao mundo em Paz como testemunhas do Cristo Vivo e do perdão dos pecados. Se os discípulos não viverem a permanente experiência do perdão, o perdão deixa de ser tangível, deixa de ser uma experiência concreta!

Assim, a comunidade de fé que se reúne em torno dos discípulos – e a partir deles, se torna a comunidade onde o exercício do perdão (misericórdia) é seu sentido maior. Se a comunidade de Cristo não  for a comunidade do perdão, não haverá perdão, não haverá a misericórdia manifesta e o amor de Deus deixa de ser percebido na vida das pessoas.

Assim, é dever da comunidade construir-se como espaço de perdão e misericórdia, no acolhimento de todas as pessoas tais como são, para ajudá-las na superação de si mesmas em sua humanidade, abrindo-se à ação de Deus em suas vidas e alcançando a Vida em Plenitude pela obra e graça de Deus em Jesus o Cristo.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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08 março 2012

Cuidando da Casa da Comunidade, nosso templo!

(publicado originalmente em Pirilampos e Pintassilgos, em  25 de abril de 2011; adaptado)
celtas_thumb[8]Os celtas antigos não construíam templos; para eles, nenhuma construção humana pode conter o Divino, a não ser o próprio templo que a Divindade construiu para si mesma, ou seja, a Natureza. Assim, a religião da Antiga Tradição realizava todos os seus ritos a céu aberto. Em se tratando de uma religião da natureza, isso é bastante lógico e óbvio.
Mas os cristãos, desde muito cedo, celtas ou não celtas, constroem sua igrejas, templos onde a Divindade não habita exclusivamente, mas que se torna um espaço separado – sagrado – onde a comunidade se reúne para o louvor e a adoração. Para os cristãos, a Divindade caminha conosco na História; assim é o Deus que se revela na Bíblia. É a comunidade, não a Divindade, que necessita do templo para viver melhor sua experiência existencial com o Divino. Assim, no decorrer da História, a Igreja do Oriente e do Ocidente construiu templos das mais variadas formas, dos mais variados estilos, desde as muito simples capelas e ermidas até as grandes catedrais góticas. Todas elas como espaços de oração, vivência comunitária e descanso,  em testemunho do amor e da glória de Deus.
DSC00972O templo da São Paulo Apóstolo é uma obra de arte arquitetônica e um dos mais belos templos da Igreja Episcopal no Brasil, um templo construído entre os anos 20 e 30 do século passado, quando as técnicas de engenharia não contavam ainda com o concreto armado, tijolos refratários, tubulações seguras para a eletricidade, a água e os esgotos, cuja ventilação é totalmente dependente do desenho, ou seja, um prédio de manutenção complicadíssima e muito cara!
DSC00955E isso agravado pelo fato que, por mais de 30 anos, por diferentes razões, o edifício não recebeu manutenção adequada e ainda por cima sofreu, há alguns anos, a ação de um raio em forte temporal, estando com sérios problemas estéticos e funcionais, necessitando de restauração geral cujo orçamento está muito além dos recursos da comunidade ou mesmo da Diocese. Por isso, estamos cuidando de conseguir o tombamento do edifício, não só pelo seu valor histórico em Santa Teresa mas também como garantia de manutenção patrocinada permanente.
Uma questão se coloca na consciência de qualquer cristão: é realmente importante a preservação e a conservação deste templo? vale a pena buscar recursos de monta para isso diante de tantas urgências que se colocam para a Igreja?
Como comunidade paroquial afirmamos que a manutenção deste templo, sua restauração e conservação é – também – uma urgência para a Igreja. São vários os motivos que justificam tal postura ética.
Em primeiro lugar, a comunidade necessita do espaço sagrado para sua vida de adoração, estudo e convívio. Claro que para isso bastaria um espaço simples e barato, mas nós recebemos este templo como herança dos ancestrais da comunidade, as gerações que antes de nós e sob a mesma identidade (Igreja de São Paulo Apóstolo) construíram e partilharam esse templo em sua caminhada na história.  Honrar essa memória e essa história é uma responsabilidade que a comunidade de hoje tem e a de amanhã terá de assumir, bem como toda a comunidade maior da Igreja (Diocese e Igreja nacional).
INTERIOR DO TEMPLO PEQEm segundo lugar, o templo da São Paulo Apóstolo é parte da história de Santa Teresa, parte de sua herança arquitetônica, e um dos mais belos edifícios religiosos do Rio de Janeiro pela sua simplicidade e ao mesmo tempo grandiosidade! (características do estilo gótico: simplicidade decorativa, iluminação e grandiosidade estética). Além de ser uma referência turística, o templo e o complexo paroquial têm servido como espaço de serviço e acolhimento de muitas iniciativas da população do bairro. A comunidade, de formação ecumênica, abre o seu espaço sagrado para outras atividades, especialmente culturais e artísticas e até mesmo como local de repouso e acolhida, como testemunho do amor de Deus por todas as pessoas, o Deus que não exclui mas que busca ser presença e companheiro de cada ser humano.
Em terceiro lugar, é dever da comunidade preservar o seu patrimônio, patrimônio da Igreja Diocesana, construído com as ofertas generosas recebidas de seus membros e irmãos e irmãs de outras comunidades pelo mundo.
Com a graça de Deus temos conseguido, como comunidade paroquial e diocesana,  com a ajuda de muitos amigos e amigas, enfrentar o desafio e preservar com gratidão o legado que recebemos dos pioneiros que deram início à Missão de São Paulo Apóstolo no morro de Santa Teresa em 1917, e das seguidas gerações que mantiveram este templo aberto a serviço de Deus e acolhendo todas as pessoas.
Nosso sonho é ter nosso templo totalmente restaurado em 2017, ano do centenário da comunidade! Se você deseja contribuir com essa causa, entre em contato conosco!
Rev. Luiz Caetano, ost+
Note bem: Nossa administração é plenamente transparente! O relatório mensal da Tesouraria está sempre disponível no mural interno de templo, e em breve estaremos divulgando o mesmo na Rede Mundial, de forma a permitir o acesso publico às nossas informações financeiras. A Paróquia é administrada pela Junta Paroquial, composta por membros plenos da Igreja, eleitos em Assembleia Paroquial, de acordo com a ordenação canônica da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, que supervisiona a administração paroquial. Não cobramos serviços religiosos, e a Paróquia é mantida pela Contribuição Regular de seus membros, ofertas especiais recebidas de pessoas e instituições do Brasil e do mundo, além da importante subvenção da Diocese, para quem também damos modesta contribuição como Quota Diocesana, formando o recurso que é distribuído em bens e serviços para todas as comunidades. Parte significativa das coletas nos ofícios religiosos regulares é destinada a entidades de serviço social com quem temos parceria e outros projetos sociais comunitários. Os proventos do Pároco são garantidos pela Diocese (somos subvencionados); nosso Coadjutor presta seu serviço voluntariamente, recebendo apenas uma ajuda de custo para transporte. Todas as despesas da casa paroquial são patrocinadas pelo próprio pároco, por opção do mesmo. Tudo que temos e fazemos, é pela graça de Deus e a solidariedade que anima o povo cristão (Igreja) de todo o mundo.
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14 fevereiro 2012

Termina o tempo da Epifania: Jesus rompe o paradigma da mesmice!

transf 2O próximo domingo, dia 19 de fevereiro, domingo de Carnaval, é  o Último Domingo da Epifania, encerrando o ciclo do ano litúrgico que começou com o dia da Epifania (o reconhecimento de Cristo pelos Magos do Oriente, 6 de janeiro).
Foram sete domingos onde a comunidade paroquial refletiu, a partir da leitura litúrgica do Santo Evangelho, sobre as manifestações de Jesus como o Messias, o Ungido de Deus! Já no dia da Epifania, vimos que os magos do oriente, sábios pagãos, reconhecem o sinal da presença de Cristo no mundo e vão ao Seu encontro (Mateus 2.1-12).
Nos domingos seguintes, refletimos sobre as várias manifestações do Cristo, os sinais de sua presença transformadora no mundo: a começar pelo batismo de Jesus no rio Jordão, por João o Batista (Marcos 1.7-13); o chamado dos primeiros discípulos (João 1:35-51); como Jesus fez a água assumir o sabor do vinho e assim mostrar que há um novo paradigma para a compreensão da benção de Deus (João 2:1-12); vimos Jesus libertando um homem das forças do Mal (Marcos 1.21-28); no domingo seguinte, vimos Jesus curando a sogra de Pedro, a cura para o serviço e a reintegração na vida social (Marcos 1.29-39); no domingo passado, vimos Jesus libertando um ser humano da exclusão e assumindo com isso o risco e a consequência da própria exclusão (Marcos 1.40-45). Todos esses sinais manifestam a nova presença de Deus na história humana, transformando a vida, fazendo-a plena e feliz.
Também vimos, nesses domingos, que nem todas as pessoas foram capazes de perceber a Presença de Deus! Pessoas presas a antigos costumes, que surgiram para atender necessidades específicas dentro de um contexto histórico, mas que se perpetuaram e se tornaram paradigmas, confundindo-se com a pureza da Tradição Revelada desde Moisés.
Assim, a manifestação de Jesus como o Cristo, Senhor e Redentor, provoca – para as pessoas – a decisão  de escolher entre  reconhecer a novidade, a boa-nova (evangelho!) e aceitar o desafio de iniciar o caminho rumo a um novo mundo possível; ou manter a comodidade da mesmice já conhecida e rejeitar o desafio de lançar-se rumo a novos horizontes. E você? o que você prefere?
No último domingo da Epifania, veremos o momento da Transfiguração, quando alguns dos discípulos de Jesus, os mais próximos a Ele, o percebem pela Graça, como Senhor através da Visão de Alguém que está além da Lei e dos Profetas, e confirma-se assim a compreensão de que Jesus é o Cristo e Senhor! Esse será o assunto do deste domingo (Marcos 9.2-10)
Após a Epifania, começa, já na quarta-feira após o Carnaval, a Quaresma, tempo de metanóia, conversão, mudança de rumo! Motivados pelas reflexões durante a Epifania, vamos iniciar a Quaresma com o lema: Em busca de novos paradigmas! novos paradigmas para a vida de cada pessoa, para a vida social, para a ação cidadã e para a Igreja, diante dos desafios que surgem no horizonte de nossa História!
Rev. Luiz Caetano, ost+

Nota: tomo a liberdade de sugerir a leitura de artigo em meu blog pessoal - Pirilampos e Pintassilgos - sobre a questão dos paradigmas: Romper Paradigmas! 
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30 dezembro 2011

E a vida continua…

Maria e José levam Jesus ao templo para ação de graças, cumprindo o preceito.Dia 19 de dezembro completou um ano que assumi a Paróquia. Foi um tempo de tentativas, acertos e erros, uma experiência bastante rica e sou grato a Deus pelo retorno ao pastorado depois de passar quase 15 anos servindo ao Senhor e à Igreja de Cristo no movimento ecumênico e no ensino teológico.
Sinto-me feliz em ser o Pároco da São Paulo Apóstolo, a terceira Igreja Episcopal do Rio de Janeiro.  Por aqui passaram alguns pregadores ilustres e grandes pastores; eu me sinto honrado pelos ancestrais de meu pastorado aqui, e tento ser digno de seguir as trilhas abertas por eles. Este ano em Santa Teresa foi muito rico em experiências de convívio, partilha e solidariedade em Cristo.
O serviço oferecido pela São Paulo Apóstolo é serviço religioso de solidariedade e acolhimento em nome de Cristo. Somos uma comunidade aberta e inclusiva que reconhece a diversidade humana como dom de Deus, Pai e Mãe da Humanidade. Nesse sentido, seguimos o caminho aberto pela nossa antecessora, a Rev. Inamar, que, de fato, colocou esta Igreja “na rua”, como presença ativa, solidária e engajada com a população de Santa Teresa.
A São Paulo Apóstolo não é uma paróquia típica. Na verdade, ela tem sido, no decorrer dos anos, um serviço de capelania, um espaço de acolhimento e um dos sinais da presença de Deus em Santa Teresa, um bairro também atípico. Enquanto Equipe Pastoral, o Rev. Daniel, o Frei Fabiano e eu temos dado continuidade a isso, porque sentimos ser essa a vocação desta pequena comunidade episcopaliana, neste tempo de vida líquida e multiplicidade conceitual. Desenvolver alternativas de Pastoral Urbana e de testemunho solidário, no contexto típico de Santa Teresa, é o desafio que nos anima. Uma pastoral dirigida não só aos moradores do bairro, mas também aos nossos paroquianos que não residem aqui por perto e à grande quantidade de turistas e visitantes que passam por aqui quase todos os dias.
As características peculiares da nossa comunidade nos animam a desenvolver pesquisas em alternativas de liturgia e esperamos aos poucos utilizar a vocação artística do bairro para somar à nossa liturgia e espiritualidade. Aprendemos muito no ano que termina, e temos planos para prosseguir nossa vocação enquanto comunidade de fé e testemunho cristão.
Durante a Primavera, hospedamos três casais de pássaros no adro (jardim) do templo paroquial.  Um casal de rolinhas construiu seu ninho entre os arbustos laterais. Um casal de sabiás logo acima deles, também construiu um ninho. E, no poste à esquina do templo, um casal de andorinhas brancas chegou e ocupou um antigo ninho lá existente (provavelmente utilizado pelo mesmo casal em anos anteriores).  Diariamente eu e o Marcos, nosso Sacristão, observávamos os casais; viviam em paz entre eles e partilhavam a comida que espalhávamos pelo jardim. Vimos quando apareceram os ovos; acompanhamos o tempo de maturação; e nos alegramos quando eclodiram, quase ao mesmo tempo: duas rolinhas, dois sabiás e três andorinhas brancas! Nos temporais que chegaram ao final da primavera, ficávamos preocupados com eles e nos alegrávamos ao ver que haviam sobrevivido bravamente. Foi muito bonito ver o cuidado do Marcos quando, ao podar os arbustos, evitava assustar os pássaros.
Os filhotinhos cresceram e há alguns dias alçaram vôo. O casal de andorinhas permanece unido no ninho agora vazio e vemos seus filhotes sempre voando por perto.  Os sabiás e as rolinhas também estão por perto, mas não vivem mais no jardim. Ao final do verão, com certeza, as andorinhas partirão para o norte onde reviverão o milagre da vida com novos filhotes; nós ficaremos esperando seu retorno na próxima primavera. As andorinhas sempre voltam ao ninho antigo e formam casais estáveis pela vida toda!
A vida continua! segue seus ritmos e seus rumos. O Menino que acolhemos no Natal segue conosco no dia a dia, animando e encorajando todos nós a prosseguirmos rumo aos horizontes que vislumbramos em esperança.
Convidamos você a seguir e caminhar conosco! Queremos acolher você e partilhar com você nossa oração e a vivência solidária no amor de Deus em Cristo, Jesus.
Feliz Ano Novo!
Rev. Luiz Caetano, ost
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09 dezembro 2011

São Nicolau e Papai Noel

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Filho de nobres, Nicolau nasceu na cidade de Patara, na Ásia Menor, na metade do século III, por volta do ano 250. Foi consagrado bispo de Mira, atual Turquia, quando ainda era muito jovem e desenvolveu seu apostolado também na Palestina e no Egito.
Mais tarde, durante as perseguições do imperador Diocleciano, foi aprisionado até a época em que foi decretado o Edito de Constantino, sendo finalmente libertado. Segundo alguns historiadores, o bispo Nicolau esteve presente no primeiro Concílio de Nicéia, em 325.
Foi venerado como santo ainda em vida, tal era a fama que gozava entre o povo cristão da Ásia Menor. Morreu no dia 6 de dezembro de 326, em Mira. Imediatamente, o local da sepultura se tornou meta de intensa peregrinação.
São Nicolau é conhecido principalmente pelo seu carinho e cuidado para com os pobres e as crianças, já que ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou a prostituição, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro. No hemisfério norte, dezembro é inverno.
O nome Nicolau vem de duas palavras gregas: nikos, que significa vitória, e de laos, “povo”; Nicolau significa, então, “vitória do povo”.
A origem do Papai Noel
Pela sua compaixão com os pobres e especialmente com as crianças, São Nicolau inspirou a lenda do Papai Noel; sendo confundido com ele. Chamado Nikolaus na Alemanha, passou a ser Santa Claus entre os anglo-saxões, Père Noël na França e Pai Natal em Portugal. No Brasil, é Papai Noel.
Havia em alguns lugares da Europa a tradição de, pelo Natal, presentear-se as crianças das aldeias com doces e brinquedos, como símbolo de homenagear o Menino Jesus, o Deus-Criança; era o próprio Menino Jesus quem trazia os presentes. Em algumas regiões, esses presentes eram dados na festa da Epifania, 6 de janeiro, quando era celebrada a visita dos Magos (que não eram reis) do oriente ao Menino Deus. Aos poucos essa tradição se firmou com a história de São Nicolau e a ele passou-se a atribuição de trazer os presentes…
Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do Papai Noel foi Clemente Clark Moore, um professor de literatura grega de Nova Iorque, que lançou o poema Uma Visita de São Nicolau, em 1822, escrito para seus seis filhos. Nesse poema, Moore divulgava a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas. Ele também ajudou a popularizar outras características do bom velhinho, como o fato dele entrar pela chaminé.
Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente Papai Noel é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto.
Nicoçau Noel
Antigamente, ele usava cores que tendiam mais para o marrom e costumava usar uma coroa de azevinhos na cabeça, mas não havia um padrão. Seu atual visual foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper's Weeklys, em 1886, na edição especial de Natal. Em alguns lugares na Europa, contudo, algumas vezes ele também é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo, tendo, em vez do gorro vermelho, uma mitra episcopal.
Em 1931 a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ou Pai Natal ao mesmo modo de Nast, com as cores vermelha e branca, o que foi bastante conveniente, já que estas são as cores de seu rótulo. Tal campanha, destinada a promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período em que as vendas da bebida eram baixas na época), fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai Noel ou Pai Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo.  Essa imagem tem se mantido e reforçado por meio da música, rádio, televisão e filmes.
Recuperando o significado do Papai Noel
Hoje a figura do Papai Noel está intimamente relacionada ao consumismo desenfreado das festas de fim de ano. Lamentavelmente, se perdeu o significado original, inspirado na solidariedade e na compaixão. Papai Noel hoje é personagem da propaganda indutora do consumo disfarçado de gesto carinhoso na troca de presentes, sem nenhuma relação direta com a celebração cristã do nascimento de Cristo. 
Nesse sentido, não vale a pena combater Papai Noel, mas tentar trazer de volta seu significado maior de solidariedade e partilha, inspirado na figura de São Nicolau; uma atenção carinhosa às crianças sem necessariamente associar a ideia de consumo e trocas interesseiras. Por exemplo, reunir as crianças com o Papai Noel e conversar com elas, ouvi-las e contar estórias que provoque nelas uma reflexão simples sobre relações humanas, comportamento solidário, ecologia, etc.
Nessa esperança, o Papai Noel estará na Igreja de São Paulo Apóstolo aos domingos à tarde, para acolher as crianças que passarem por perto do templo, mostrar-lhes o presépio e contar estorinhas. E durante a semana, o Papai Noel tentará estar em vários espaços do Bairro de Santa Teresa visitando as crianças do lugar.
É uma modesta (e talvez ingênua) tentativa de apresentar uma alternativa mais adequada à celebração do Natal de Jesus, o Cristo, um serviço às crianças, em nome do Senhor.
Rev. Luiz Caetano, ost+
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10 outubro 2011

A Paróquia São Paulo Apóstolo, a Igreja Anglicana e a Rainha da Inglaterra.

O Templo, antes da tempestade que danificou sua fachada.Varias pessoas que visitam nosso templo elogiam sua beleza e ao mesmo tempo preocupam-se com o estado de sua conservação. Às vezes perguntam a mim, ao Rev. Daniel ou ao fr. Fabiano assim: “porque vocês não pedem ajuda da Rainha da Inglaterra? afinal é a Igreja Anglicana e ela é a chefe da Igreja…
Para um episcopal anglicano tradicional, essa pergunta poderia soar como zombaria, mas tal indagação e outras semelhantes mostra  que nossa Igreja ainda não conseguiu afirmar claramente a sua identidade do meio cultural brasileiro.
De fato, nosso templo tem sérios problemas de conservação. E nossa pequena comunidade paroquial tem trabalhado para superar isso. Mas é importante explicar algumas coisas e desfazer erros de compreensão sobre a nossa identidade.
A Paróquia São Paulo Apóstolo é parte da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, que por sua vez é parte da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, uma das Igrejas Nacionais Autônomas que fazem parte da Comunhão Anglicana: igrejas nacionais unidas pela mesma tradição católica apostólica e em comunhão com a Sé de Cantuária.
Ao contrário do que muita gente pensa, não existe uma Igreja Anglicana mundial, nos mesmos moldes que existe a Igreja Católica Romana. As Igrejas Anglicanas espalhadas pelo mundo todo se organizaram em uma Comunhão, chamada Comunhão Anglicana. Essa Comunhão não tem uma cúria mundial, ou um comando mundial. O conceito de autoridade na Comunhão é muito diferente do sistema curial que rege a Igreja de Roma.
As Províncias que formam a Comunhão Anglicana são todas independentes, auto-sustentadas e auto- governadas, cada uma pela sua Câmara dos Bispos, seu Sínodo, Concílios, e organismos internos que não necessariamente funcionam do mesmo modo em todas as províncias.
Em nível mundial a Comunhão é presidida simbolicamente pelo Arcebispo de Cantuária e possui vários órgãos consultivos – sem poder normativo: o Conselho dos Primazes (Bispos que presidem as Províncias), o Conselho Consultivo Anglicano (formado por representantes provinciais – bispos, clérigos e leigos), e a Conferência de Lambeth que reúne, a cada dez anos, os Bispos de todo o mundo. Nenhum desses organismos tem poder de decidir sobre a vida, a administração e a forma de ser de uma Província ou Diocese. Exatamente essa experiência de diversidade e autoridade partilhada e ao mesmo tempo dispersa que caracteriza o anglicanismo.
As Províncias nem mesmo têm um nome em comum. Por exemplo, a Igreja da Inglaterra (The Church of England), a Santa Igreja Católica Apostólica do Japão (Nippon Sei Ko Kai), a Igreja Anglicana do Canadá, A Igreja Episcopal dos Estados Unidos da América (The Episcopal Church), a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, A Igreja Episcopal da Escócia (The Scottish Episcopal Church), A Igreja de Hong Kong (Hong Kong Sheng Kung Hui), A Igreja Reformada Episcopal da Espanha, A Igreja Episcopal de Cuba, são algumas das Igrejas que formam a Comunhão Anglicana, unidas em uma mesma tradição apostólica que – em sua diversidade – afirmam sua catolicidade.
A Igreja da Inglaterra é a Igreja considerada mãe da Comunhão, mas não é a Igreja chefe. Sua especial situação como Igreja Estatal é específica na Inglaterra, assim como na Alemanha e na Escandinávia a Igreja Luterana é estatal – o que significa ligada ao Estado, que é confessional. Isso não tem nada a ver com o resto do mundo, é uma situação específica de cada país.
Como a cultura brasileira é marcada pela tradição do catolicismo romano, temos a tendência de achar que todas as Igrejas são iguais à Igreja de Roma, quando na verdade, a grande maioria das Igrejas (Protestantes, Evangélicas ou Orientais) são bastante diferentes entre si e do próprio modelo Romano.
Assim a pequena comunidade que forma a paróquia São Paulo Apóstolo em Santa Teresa é parte de uma grande comunhão de Igrejas advindas de uma mesma tradição apostólica, à qual se vincula através da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, cujo Bispo Diocesano está em Comunhão com os demais Bispos da Igreja Episcopal do Brasil e com o Arcebispo de Cantuária, e portanto, com todos os Bispos da tradição anglicana no mundo.
A Paróquia é mantida pela contribuição regular de seus membros e pelas ofertas do povo, e pela Diocese. Não temos nenhuma subvenção do Estado, seja o brasileiro, seja estrangeiro. O governo paroquial é exercido pelo Pároco e seu Coadjutor em conjunto com a Junta Paroquial composta por seis pessoas membros da comunidade, eleitas em Assembleia sem interferência dos pastores. A administração financeira e patrimonial da paróquia é de responsabilidade da Junta Paroquial, conforme determinam os Cânones da Diocese e da Igreja brasileira.
E a Rainha da Inglaterra??? Ela é exatamente isso: a Rainha da Inglaterra! com todas as atribuições previstas pela legislação daquele país, e nós não temos nada a ver com isso porque somos brasileiros, e aqui exercemos nossa cidadania.
Portanto, se você deseja cooperar para a restauração e manutenção de nosso templo, fale conosco. Há muitas formas de você ajudar!
Nossa pequena comunidade é acolhedora e está sempre aberta à colaborar com a vida em nosso Bairro e em nossa cidade, de muitas maneiras, além de oferecer o serviço religioso nos moldes da tradição herdada pela Comunhão Anglicana.
Sejam bem vindos e bem vindas em nosso meio e em nosso templo para orar, partilhar, estudar a Palavra de Deus e cooperar com seus dons no grande ministério do Senhor Jesus Cristo!
Rev. Luiz Caetano, ost+
mais informações veja em coluna lateral deste blogue alguns links para páginas de Igrejas que compõem a Comunhão Anglicana e a página da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
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19 setembro 2011

Ecumenismo e Missão

Rosto de Cristo 2Nossa Paróquia sempre esteve envolvida em ações ecumênicas, seja pela participação de nossa liderança em eventos e organizações ecumênicas, seja também hospedando eventos ecumênicos.
Mas afinal o que vem a ser Ecumenismo?
A palavra Ecumenismo tem raiz no grego “Oikomene” – o mundo habitado, a Casa Comum, a Casa de Todos… e tem muito a ver com as relações humanas de solidariedade e cooperação.
A origem do Movimento Ecumênico se dá no século XIX. Na Conferência de Lambeth de 1868 os Bispos da Comunhão Anglicana fazem um apelo para que a atividade missionária cristã seja pautada pela união de esforços e cooperação ao invés de concorrência entre as Igrejas. A partir desse apelo, surge um movimento que vai culminar com a Conferência sobre a Missão, em Edimburgo, em 1910, que marca o início da caminhada que levou à fundação do Conselho Mundial de Igrejas em 1948, reunindo as Igrejas Protestantes, Orientais e de Tradição Anglicana. Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja de Roma se aproxima do Movimento Ecumênico (até então ele era considerado anátema pelos Papas), mas tal aproximação se dá apenas em nível do Ecumenismo Institucional.
No meu tempo de jovem, e ainda hoje, o ecumenismo se traduz em ações concretas de cooperação e solidariedade entre as comunidades cristãs e também com comunidades não cristãs. Na verdade, ação ecumênica é ação entre pessoas e não entre instituições!
Há quem faça distinção entre Diálogo Ecumênico (que seria entre cristãos) e Diálogo Inter-religioso (com outras religiões). Na verdade, esse é o entendimento Católico Romano, mas para nós – e isso é histórico – o Ecumenismo envolve mais que simplesmente as religiões, mas as culturas!
O paradigma do Movimento Ecumênico é que solidariedade, cooperação e convívio são possíveis entre culturas diferentes. Ecumenismo significa, portanto, inclusão e solidariedade entre diferentes, entre os diferentes habitantes da Casa Comum. Não se trata de simples tolerância, mas de reconhecimento do direito de existir do diferente, pois o paradigma maior é a Vida em Plenitude.
Isso não significa que os cristãos deixem de fazer Missão e o Evangelho não deva ser anunciado! Na verdade, o anúncio do Evangelho se faz não por apologia de sermos melhores que os outros ou os únicos detentores da verdade, mas se dá pelo testemunho concreto de atitudes e ações em respeito à Vida e à Identidade dos outros.
Deus tem sua própria maneira de revelar-Se às culturas humanas. Não precisa que nós levemos a nossa cultura para outros a adotarem. Deus não depende da nossa cultura, nem da nossa crença; Ele é maior que isso.
Como na figura acima, o Cristo está sempre presente, como Mistério, transfigurado nos elementos da realidade! Esse é o significado da palavra Mistério: aquilo que sendo oculto, é revelado! Fazer Missão é, acima de tudo, perceber o Mistério de Deus em Sua Presença na humanidade, e anunciar isso através de atitudes e testemunho.
Assim, a primeira e mais importante ação de um missionário cristão é tentar compreender como Deus se manifesta aos diferentes e – mais do que o falar abusadamente – dar seu próprio testemunho de vida diante dos diferentes, não por ser melhor que eles, mas para ser sinal do Amor de Deus por todas as pessoas – afinal essa é a Boa Nova Cristã (Evangelho): Deus nos ama primeiro!
Não é dever do missionário converter! isso, segundo a boa teologia dos Pais da Igreja, é obra do Espírito Santo. É dever do missionário testemunhar o Evangelho de Cristo através de sua presença solidária e de serviço às necessidades dos outros.
Assim, o ser ecumênico impede a ação proselitista, mas não impede a ação missionária. Antes, o ser ecumênico nos faz missionários da boa vontade e da cooperação solidária, sinais da ação do Espírito de Cristo em nossas vidas. Anunciar o Evangelho não é anunciar um deus, mas um modo de vida, anunciar um Reinado que já está entre nós e sopra Ventos de boas novas em todas as culturas humanas que estejam abertas à promoção da Vida em todos os sentidos.
É nesse espírito que nossa Paróquia desenvolve sua ação missionária, em Santa Teresa e arredores, procurando obedecer a Cristo, ver os Sinais dos Tempos e colher os Frutos do Espírito. Que a Igreja cresça pela ação do Espírito Santo e não pela nossa capacidade de convencer os outros!
Rev. Luiz Caetano, ost+
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02 setembro 2011

Por que chora o Bonde?

Bonde peqA imagem do bondinho chorando está se tornando símbolo da mobilização do povo de Santa Teresa que exige respostas e providências do Estado quanto à situação dos Bondes.
Na quarta-feira, dia 31 de agosto, a AMAST (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa) realizou uma Plenária no templo da nossa Paróquia, com comparecimento de muitos moradores, lideranças comunitárias do bairro, e políticos solidários à causa da população de Santa Teresa. A indignação era geral, assim como a tristeza e a revolta. A AMAST recebeu uma quantidade enorme de sugestões e propostas concretas, que ainda estão sendo separadas e organizadas.
A mobilização continuou com manifestação diante da Estação da Carioca na quinta-feira pela manhã e um ato público no Largo do Guimarães à noite! ironicamente, quinta-feira era dia do aniversário do Bonde: 115 anos!  Foi quando começou a circular o cartaz do Bonde chorando, criação do Zod, artista plástico residente em Santa Teresa. Um cartaz que não precisa de palavras, como um ícone religioso (!), e traduz o sentimento da população do nosso maltratado bairro.
O Bonde chora pelo abandono a que foi condenado pelo poder público! O Bonde chora porque foi adulterado em sua forma e características em nome da “modernização”.  O Bonde chora por causa do sucateamento que vem sofrendo há anos, para fortalecer o argumento de “privatização” dos serviços. O Bonde chora, e o bairro chora com ele, as vítimas dos acidentes que passaram a acontecer depois que o Bonde deixou de ser Bonde para ser um “Veículo Leve sobre Trilhos” (VLT) resultado do que chamaram de modernização: uma carroceria de bonde sobre rolantes de trem, um monstrengo inadequado para a topografia do Bairro. O Bonde chora porque, vítima do desgoverno, passa ser acusado de inadequado, de retrógrado, de incômodo,e agora sofre a ameaça de morrer definitivamente em nome da “modernização”.
O Bonde chora porque deseja ser restaurado à sua dignidade de transporte coletivo do bairro, o nosso “bondinho”, alma de Santa Teresa, parte inseparável do nosso micro-universo cultural, da identidade teresiana. Aliás, creio que Teresa de Ávila, a Santa, chora no céu ao ver o que se faz com o Bairro da qual é a padroeira e inspiradora.
O Bonde chora, mas não se entrega! O Povo de Santa Teresa não se entrega. O Bonde que chora não é símbolo apenas da nossa tristeza, mas é ícone da luta dos moradores do bairro, das comunidades que formam o complexo de Santa Teresa. São lágrimas de quem luta, não lágrimas de quem foi derrotado!
Saibam, autoridades, que aqui em Santa Teresa, o Senhor do Universo anda de Bonde!!! e Ele quer continuar andando! e vai continuar sendo o nosso principal companheiro de jornada diária no bondinho, que está parado, mas não morreu!
Ele estava no acidente, sofre com as vítimas, acolheu Nelson e os falecidos em Sua Vida, e está conosco em todas as manifestações de protesto e repúdio que fazemos. Ele exige, conosco, o respeito à nossa dignidade cidadã! Não provoquem Sua Justiça!
Rev. Luiz Caetano, ost+
(acompanhe a luta do Povo de Santa Teresa por dignidade, respeito e em defesa do Bonde, a alma de nosso bairro, no site da AMAST).
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MOBILIZAÇÃO: Próximas ações


Sábado, 03 de setembro : 
     16h00 - Marcha saíndo do Curvelo até o local do acidente.
     19h00 - Missa de Sétimo Dia do Nelson, na Matriz de Santa Teresa (Rua Aurea), marcada por sua família.


Domingo, 04 de setembro:
     11h00 - Missa pelas vítimas do acidente - Paróquia Anglicana S. Paulo Apóstolo.


Terça-feira, 06 de setembro:
     15h30 - Concentração em frente ao Ministério Público. A Diretoria da AMAST terá audiência com o Procurador Geral às 17h00

Quinta-feira, 15 de setembro:
      10h00 - Audiência Pública sobre os Bondes na Assembléia Legislativa (ALERJ) - vamos lotar a galeria!

Se você mora em Santa Teresa ou apoia nossa luta, venha somar forças!
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29 agosto 2011

Dor e indignação em Santa Teresa

46xsgeod1vvz733x0ivvl1qkvEstávamos para iniciar a celebração eucarística vespertina no Concílio Diocesano em Araras, quando chegaram as primeiras notícias do acidente com o bondinho de Santa Teresa. Contatos telefônicos feitos imediatamente confirmaram a tragédia. Nosso Bispo Diocesano imediatamente colocou as vítimas na lista de intercessões e o Concílio reunido manifestou sua solidariedade ao povo de Santa Teresa em oração.
Nossa comunidade paroquial, no ofício de ontem, dirigido pelo nosso Ministro Frei Fabiano, fez oração  intercessora pelas vítimas e demostrou sua indignação com o acidente.
Hoje à noite, ao retornar para casa, busquei maiores informações sobre o fato e confirmaram-se as minhas suspeitas: a falta de manutenção devido a irresponsabilidade governamental e o desrespeito para com a população de Santa Teresa.
Fiquei muito triste com a morte do Nelson, o motorneiro gentil e atencioso que sempre trocava cumprimento comigo quando eu embarcava ou passava por ele na rua.
A perícia levará 30 dias… tempo suficiente para que o assunto seja “esquecido” pela mídia e, provavelmente colocarão a culpa no Nelson, ou em alguém que jogou uma casca de banana nos trilhos… vamos ver se relatam sobre o uso de arames improvisando conserto nos freios, como foi denunciado em uma notícia:
“O bondinho que descarrilou e tombou em Santa Teresa neste sábado, matando cinco pessoas e ferindo 57, tinha um pedaço de arame no lugar de parafuso debaixo da sapata do freio. Era, aparentemente, uma improvisação da equipe de manutenção da Central, empresa que administra o sistema de transporte sobre trilhos no bairro.”
NelsonNo mesmo site, há notícia que o bonde acidentado havia sofrido outro acidente, uma hora antes (clique aqui). Foi feita vistoria sobre o estado do veículo, ou ele simplesmente permaneceu em operação? ninguém deu explicação sobre isso… também o poder público tem sido omisso com a situação de superlotação dos bondes…
Com efeito, foi uma tragédia anunciada”, como declarou uma moradora: há muito que se reclama da manutenção dos bondes, e é conversa certa em Santa Teresa que há interesse em facilitar a ocorrência de problemas com os bondes para desapontar a população e justificar a privatização dos serviços. Obviamente que a privatização faria do sistema de bondes algo exemplar, porém com fins exclusivamente turísticos, portanto caríssimo, excluindo da população do bairro o acesso ao serviço.
Fazer o bem púbico chegar à condição de sucata tem sido uma estratégia utilizada pelos promotores de privatizações: tornando os serviços públicos ineficientes, cria-se insatisfação do povo que apoiaria a privatização.
É muito suspeita – e lacônica – a declaração do Governador do Estado, responsável último pela situação dos bondes; entre outras coisas, “(…) o Governador determinou que o transporte por bondes no bairro fique interrompido e que a Secretaria de Transportes conduza um plano de modernização dos bondes (...)” 
Por quanto tempo se dará a suspensão dos serviços? que modernização será essa? porque não foi feita antes ou iniciada? ainda terão de fazer  “planos”? quer dizer que se não fosse o acidente não haveria modernização? como fica a situação da população usuária do bonde, um meio barato para se chegar rapidamente ao centro do Rio? Haverá mais ônibus disponíveis? qual a tarifa? O serviço de bondes é uma amostra do desrespeito e descaso com que a população de Santa Teresa é tratada pelo poder público, que gostaria de fazer do bairro apenas um local de exploração turística, sem moradores.

Oferecemos nosso templo para um ato religioso ecumênico, em memória das vítimas e solidariedade a seus familiares! Ficamos à disposição da AMAST  e demais organizações populares do Bairro, para compor uma grande aliança em favor dos nossos direitos de cidadãos e o respeito para com o nosso bairro.
Rev. Luiz Caetano, ost+
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