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03 junho 2017

O Tempo de Pentecostes

Pentecostes 8A Festa de Pentecostes celebra o início da Missão da Igreja, a partir do momento em que os discípulos e discípulas de Jesus, escondidos e com medo, recebem o Espírito Santo e dão início à Proclamação do Evangelho, a Boa Nova de Deus em Cristo.

A Festa de Pentecostes acontece 9 dias depois da Festa da Ascensão do Senhor, e inicia o Tempo Litúrgico da Igreja, quando as comunidades acompanham as narrativas dos Evangelhos sobre o Ministério de Jesus, como inspiração para o ministério missionário de Proclamar a Boa Nova, denunciar as ações diabólicas que ocorrem pelo mundo e testemunhar a Paz e a Justiça proclamando o Reinado de Deus. O Tempo depois de Pentecostes, também chamado Tempo Comum, termina na Festa de Cristo Rei, considerado o último domingo do ano litúrgico, que antecede o Domingo do Advento quando, então, reinicia-se o ano litúrgico.

O povo hebreu celebrava a festa da Colheita, o hag haqasir, sete semanas depois da Páscoa, e também como memória do dia em que Deus entregou a Moisés as Tábuas da Lei. Esse é o sentido original da festa de Pentecostes, celebrado no judaísmo dos tempos de Jesus.

A Igreja Cristã celebra nesse dia a vinda do Espírito Santo aos discípulos e discípulas de Jesus, dando início à pregação do Evangelho, a colheita da semeadura feita por Jesus... É a fundação da Igreja, não como instituição, mas como movimento que vai se expandir pelo Império Romano nos séculos seguintes e até mesmo para além dele.

Portanto, o Pentecostes nos convida a renovar nosso compromisso com a Missão (anúncio, denúncia e testemunho), essência do ministério que recebemos, por obra do Espírito Santo, em nosso Batismo. A Igreja, os discípulos e discípulas de Jesus saem com Ele pelo mundo, pelo poder do Espírito Santo, anunciando o Reinado de Deus, denunciando os poderes malignos e testemunhando a misericórdia e a graça infinita de Deus em Jesus, o Cristo.

Nos domingos durante o Tempo de Pentecostes, este ano as leituras estão focadas no Evangelho de São Mateus (Ano A cf. nosso Lecionário). Que esta caminhada nos ajude, pelo poder do Espírito Santo, como comunidade de Cristo, que sejamos renovados e assumamos com mais esperança e dedicação o compromisso com o Reinado de Deus, renunciando todos os demais reinos deste mundo.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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23 maio 2017

Ascensão: espiritualidade pé no chão!

ascensãoA narrativa da ascensão de Jesus aparece em três versões: em Marcos, em Lucas e nos Atos dos Apóstolos. Mateus e João não contém essa narrativa, a partir do contexto em que estes Evangelhos foram escritos.

O Evangelho segundo Marcos faz uma pequena referência à ascensão do Senhor e conclui afirmando estar Ele à direita de Deus (significando que Ele detém o poder de Deus).

Mas em Atos dos Apóstolos e no Evangelho de Lucas, a narrativa é bem detalhada, embora um pouco diferente nos dois livros.

Lucas conclui afirmando, como Marcos, que o Cristo foi se afastando e levado para o Céu (lugar de Deus) e os discípulos retornam a Jerusalém cheios de alegria. Mas o Livro de Atos apresenta um detalhe importantíssimo:

1.8 Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e se-rão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra. 9 Depois de ter dito isso, Jesus foi levado para o céu diante deles. Então uma nuvem o cobriu, e eles não puderam vê-lo mais. 10 Eles ainda estavam olhando firme para o céu enquanto Jesus subia, quando dois homens vestidos de branco apareceram perto deles 11 e disseram: — Homens da Galileia, por que vocês estão aí olhando para o céu? Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu voltará do mesmo modo que vocês o viram subir. (Atos 1.8-11 - NTLH)

27 fevereiro 2017

O Tempo da Quaresma

Cruz da Quaresma 3Desde os dias primitivos da vida da Igreja, o povo cristão tem observado com grande devoção o tempo da Paixão e da Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. É costume prepararmo-nos para essas celebrações com penitência e jejum.
Antigamente, o Tempo da Quaresma era observado pelas pessoas que se preparavam para o Batismo, que acontecia na Páscoa, e por aquelas pessoas que seriam restauradas à plenitude da vida da Igreja. Recordava-se, assim, a mensagem de perdão e absolvição proclamada no Evangelho, e a constante necessidade de renovação do arrependimento e da fé.
O Tempo da Quaresma se inicia na quarta-feira seguinte ao último domingo do Tempo da Epifania, chamada Quarta-Feira de Cinzas, e termina no primeiro dia da Semana Santa, chamado Domingo de Ramos, totalizando 40 dias. A Igreja lembra, assim, os 40 dias que o Senhor Jesus passou em jejum no deserto, antes de iniciar seu ministério de anúncio da Boa Nova. Recorda-se, também, de forma simbólica, os 40 anos que o povo hebreu passou no deserto, como peregrino diante de Deus, até chegar à Terra Prometida, após a Libertação do jugo egípcio.

02 janeiro 2017

O Tempo da Epifania

Eis o Cordeiro de Deus 1A palavra Epifania significa “aparição”. Epifania é uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. Também pode ser um termo usado para a realização de um sonho com difícil realização. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa". ( cf. Wikipédia).
A Igreja utiliza esse termo para se referir à descoberta de Cristo pelo mundo, à manifestação de Cristo ao mundo inteiro. Isso é representado no episódio narrado por São Mateus (Mt 2.1-12) sobre a visita dos “magos do oriente” a Jesus pouco tempo depois de seu nascimento.
Assim, a partir de 6 de janeiro – Dia da Epifania do Senhor, que no Oriente cristão se celebra também o Natal – até o domingo de carnaval (Domingo da Transfiguração), a Liturgia da Igreja se expressa no Tempo da Epifania. As leituras e reflexões dominicais procuram testemunhar as manifestações do Cristo Vivo, encarnado em Jesus de Nazaré, a diferentes pessoas em seu tempo (e nosso tempo).

20 dezembro 2016

O Tempo Litúrgico do Natal

Natal 2O tempo Litúrgico do Natal começa com a Vigília de Natal (a noite de 24 de dezembro) e termina na Véspera do Dia da Epifania do Senhor (6 de janeiro).
Tempo de festa e alegria, a Igreja relembra a chegada de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus que se tornou carne humana, e vive conosco para sempre!
Na Celebração da Natividade do Senhor ascende-se a quinta vela da Coroa do Advento, de cor branca, símbolo do Cristo, a Luz do Mundo!
Para as pessoas que vivem acima do Equador, portanto no hemisfério norte, é Inverno, o clima é muito frio e as noites são longas. Mas para nós, que vivemos no hemisfério sul, é Verão; portanto, faz calor e as noites são curtas. Por isso, nós não percebemos bem o simbolismo do Natal, uma festa de luz e de alegria, de esperança renovada.

26 outubro 2016

Uma questão de Justiça!

Viuva Chata 2a ovalA conhecida parábola “O Juiz Iníquo” é geralmente interpretada como uma orientação sobre a necessidade de se insistir na oração diante de Deus. Ou seja, Deus é como o juiz iníquo! Arrogante, e cheio de si, tipo aqueles que sempre perguntam ao interlocutor: “sabe com quem está falando?”. Seria Deus tão arrogante assim?  Jesus estava dizendo isso sobre o Papai?
Com certeza, não! Tal identidade contradiz tudo que Jesus nos ensina sobre Papai. Então, o objetivo da parábola é outro.  Vamos ao texto:
1 Jesus contou a seguinte parábola, mostrando aos discípulos que deviam orar sempre e  nun-ca desanimar: 2  — Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus e não respeitava ninguém. 3 Nessa cidade morava uma viúva que sempre o procurava para pedir justiça, dizendo: “Ajude-me e julgue o meu caso contra o meu adversário!” 4  — Durante muito tempo o juiz não quis julgar o caso da viúva, mas afinal pensou assim: “É verdade que eu não temo a Deus e também não respeito ninguém. 5 Porém, como esta viúva continua me aborrecendo, vou dar a sentença a favor dela. Se eu não fizer isso, ela não vai parar de vir me amolar até acabar comigo.” 6 E o Senhor continuou: — Prestem atenção naquilo que aquele juiz desonesto disse. 7 Será, então, que Deus não vai fazer justiça a favor do seu próprio povo, que grita por socorro dia e noite? Será que ele vai demorar para ajudá-lo? 8 Eu afirmo a vocês que ele julgará a favor do seu povo e fará isso bem depressa. Mas, quando o Filho do Homem vier, será que vai encontrar fé na terra? (Lucas 18.1-8 / NTLH)

09 dezembro 2011

São Nicolau e Papai Noel

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Filho de nobres, Nicolau nasceu na cidade de Patara, na Ásia Menor, na metade do século III, por volta do ano 250. Foi consagrado bispo de Mira, atual Turquia, quando ainda era muito jovem e desenvolveu seu apostolado também na Palestina e no Egito.
Mais tarde, durante as perseguições do imperador Diocleciano, foi aprisionado até a época em que foi decretado o Edito de Constantino, sendo finalmente libertado. Segundo alguns historiadores, o bispo Nicolau esteve presente no primeiro Concílio de Nicéia, em 325.
Foi venerado como santo ainda em vida, tal era a fama que gozava entre o povo cristão da Ásia Menor. Morreu no dia 6 de dezembro de 326, em Mira. Imediatamente, o local da sepultura se tornou meta de intensa peregrinação.
São Nicolau é conhecido principalmente pelo seu carinho e cuidado para com os pobres e as crianças, já que ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou a prostituição, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro. No hemisfério norte, dezembro é inverno.
O nome Nicolau vem de duas palavras gregas: nikos, que significa vitória, e de laos, “povo”; Nicolau significa, então, “vitória do povo”.
A origem do Papai Noel
Pela sua compaixão com os pobres e especialmente com as crianças, São Nicolau inspirou a lenda do Papai Noel; sendo confundido com ele. Chamado Nikolaus na Alemanha, passou a ser Santa Claus entre os anglo-saxões, Père Noël na França e Pai Natal em Portugal. No Brasil, é Papai Noel.
Havia em alguns lugares da Europa a tradição de, pelo Natal, presentear-se as crianças das aldeias com doces e brinquedos, como símbolo de homenagear o Menino Jesus, o Deus-Criança; era o próprio Menino Jesus quem trazia os presentes. Em algumas regiões, esses presentes eram dados na festa da Epifania, 6 de janeiro, quando era celebrada a visita dos Magos (que não eram reis) do oriente ao Menino Deus. Aos poucos essa tradição se firmou com a história de São Nicolau e a ele passou-se a atribuição de trazer os presentes…
Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do Papai Noel foi Clemente Clark Moore, um professor de literatura grega de Nova Iorque, que lançou o poema Uma Visita de São Nicolau, em 1822, escrito para seus seis filhos. Nesse poema, Moore divulgava a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas. Ele também ajudou a popularizar outras características do bom velhinho, como o fato dele entrar pela chaminé.
Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente Papai Noel é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto.
Nicoçau Noel
Antigamente, ele usava cores que tendiam mais para o marrom e costumava usar uma coroa de azevinhos na cabeça, mas não havia um padrão. Seu atual visual foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper's Weeklys, em 1886, na edição especial de Natal. Em alguns lugares na Europa, contudo, algumas vezes ele também é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo, tendo, em vez do gorro vermelho, uma mitra episcopal.
Em 1931 a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ou Pai Natal ao mesmo modo de Nast, com as cores vermelha e branca, o que foi bastante conveniente, já que estas são as cores de seu rótulo. Tal campanha, destinada a promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período em que as vendas da bebida eram baixas na época), fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai Noel ou Pai Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo.  Essa imagem tem se mantido e reforçado por meio da música, rádio, televisão e filmes.
Recuperando o significado do Papai Noel
Hoje a figura do Papai Noel está intimamente relacionada ao consumismo desenfreado das festas de fim de ano. Lamentavelmente, se perdeu o significado original, inspirado na solidariedade e na compaixão. Papai Noel hoje é personagem da propaganda indutora do consumo disfarçado de gesto carinhoso na troca de presentes, sem nenhuma relação direta com a celebração cristã do nascimento de Cristo. 
Nesse sentido, não vale a pena combater Papai Noel, mas tentar trazer de volta seu significado maior de solidariedade e partilha, inspirado na figura de São Nicolau; uma atenção carinhosa às crianças sem necessariamente associar a ideia de consumo e trocas interesseiras. Por exemplo, reunir as crianças com o Papai Noel e conversar com elas, ouvi-las e contar estórias que provoque nelas uma reflexão simples sobre relações humanas, comportamento solidário, ecologia, etc.
Nessa esperança, o Papai Noel estará na Igreja de São Paulo Apóstolo aos domingos à tarde, para acolher as crianças que passarem por perto do templo, mostrar-lhes o presépio e contar estorinhas. E durante a semana, o Papai Noel tentará estar em vários espaços do Bairro de Santa Teresa visitando as crianças do lugar.
É uma modesta (e talvez ingênua) tentativa de apresentar uma alternativa mais adequada à celebração do Natal de Jesus, o Cristo, um serviço às crianças, em nome do Senhor.
Rev. Luiz Caetano, ost+
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