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PARÓQUIA EPISCOPAL ANGLICANA SÃO PAULO APÓSTOLO - em Santa Teresa - Cidade do Rio de Janeiro, RJ
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17 fevereiro 2015
Lema da Quaresma 2015: Renovando-nos como Igreja!
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15 julho 2013
Mordomia Cristã (2): Ação Diaconal
(veja também o primeiro artigo da série “Mordomia Cristã”: clique aqui)
Nesta segunda reflexão sobre a Mordomia Cristã, vamos conversar sobre Ação Diaconal.
O termo Diaconia foi desde os primórdios do Cristianismo ligado ao serviço que se presta aos mais necessitados. Assim, em Atos dos Apóstolos 6.1-7 vemos o núcleo da Igreja Primitiva designando sete homens para exercerem o cuidado para com os órfãos e as viúvas, gente que – pela sua condição – sofria privações enormes. A criação dos Diáconos para cumprir essa tarefa em nome dos Apóstolos mostra que desde o início o cuidado com os necessitados era parte do ministério da Igreja, totalmente vinculado ao ministério apostólico.
O significado de Diaconia, com o passar dos séculos, desenvolveu-se para o conceito de serviço aos mais necessitados e, por extensão, à comunidade como um todo. Hoje podemos dizer, como uma simplificação, que Diaconia se aplica à ação social da Igreja, algo inerente à própria existência da Igreja e do seu testemunho do Evangelho de Cristo, uma vez que nosso Senhor está entre nós como “aquele que serve” (cf. Marcos 10.45: Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.)
Muitas organizações de inspiração cristã (e não cristã também), vinculadas ou não à uma determinada Igreja, fazem excelente trabalho de ação social. A maioria delas conta com quadros profissionais especializados e exercem importante papel no âmbito da cooperação e ação social. Ao contrário das instituições estatais ou exclusivamente patrocinadas pelo estado, a grande maioria delas adotam modelos de organização e gestão bastante sofisticados e eficazes, otimizando os recursos para suas atividades fins.
Nossa comunidade paroquial atua de diferentes maneiras em termos de ação diaconal:
1) Nós apoiamos duas organizações sociais que atuam servindo aos mais necessitados; dedicamos a elas mensalmente, pelo menos, duas coletas dos ofícios dominicais matutinos (conheça essas entidades, clique aqui);
2) Periodicamente definimos um determinado domingo como Domingo Diaconal da Comunidade, quando a congregação deposita sob o Altar gêneros alimentícios, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, e outros produtos que são encaminhados para famílias carentes e outras instituições de ação social;
3) Contribuindo mensalmente com a nossa Diocese através de determinado valor monetário, denominado Quota Diocesana, como parte de nossa contribuição para com o rateio de despesas da Diocese e da manutenção do clero diocesano; a comunidade começa a preparar-se para atender à solicitação da Diocese de, a médio prazo, ser capaz de contribuir com metade dos proventos do clero paroquial. Nossa paróquia mesmo é uma Paróquia Subvencionada, ou seja, nosso clero paroquial é mantido com recursos diocesanos, advindos basicamente das contribuições em quotas de todas as comunidades. Entendemos que contribuir com a manutenção da Diocese é uma ação diaconal, uma vez que a Diocese é uma organização a serviço de suas comunidades.
4) Nossa comunidade entende ainda como parte de sua Ação Diaconal a inserção nas campanhas e mobilizações populares do bairro de Santa Teresa e arredores. É comum nossas instalações servirem para reuniões das diferentes associações de moradores da região, especialmente o Conselho de Ruas da AMAST (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa), especialmente as Assembleias Gerais e Audiências Públicas promovidas pela Associação. Mesmo sendo uma comunidade dispersa pela cidade do Rio de Janeiro (temos membros que residem na Zona Oeste, na Zona Norte e até mesmo na Baixada) a Comunidade é bastante sensível aos problemas do bairro e totalmente solidária na defesa dos interesses do povo de Santa Teresa.
5) O Atelier Paroquial , sob coordenação da eclesiana, Sra. Lídia Crespo Correia, com apoio do Atelier Mãos que Fazem, promoveu, por muitos anos o curso de Patchwork em nosso salão paroquial. Hoje o Atelier continua funcionando como espaço onde mulheres oriundas dos cursos se reúnem para compartilhar experiências e confeccionar juntas seus trabalhos.
6) Várias iniciativas sociais hoje existentes em Santa Teresa, germinaram a partir do apoio decisivo e total da Paróquia São Paulo Apóstolo, nos últimos 15 anos. Por exemplo, o Cine Santa (cinema de qualidade a preços módicos especialmente para os moradores no bairro), começou há 10 anos exibindo filmes em nosso templo paroquial nos sábados à tarde. Hoje o Cine Santa tem seu próprio ambiente, no Largo do Guimarães, uma sala confortável onde são exibidos o que há de melhor na produção cinematográfica brasileira e internacional. Durante vários anos a Feira Ecológica em Santa Teresa funcionou semanalmente em nossas instalações; A Horta Comunitária do Morro da Coroa nasceu há quase 5 anos graças ao apoio total da Paróquia como responsável por um projeto submetido e apoiado pela Cooperação Ecumênica nacional e internacional.
7) Mais recentemente, a Paróquia promoveu um programa de Arte-terapia para mulheres vítimas de violência na Comunidade do Morro dos Prazeres, com parte dos recursos fornecidos pela Oferta Unida de Gratidão da nossa Igreja no Brasil. Esse projeto, coordenado pela Assistente Social, Sra. Sandra Mônica da Silva Schwarzstein, paroquiana e secretária da Junta Paroquial. O programa agora está em fase de avaliação e planejamento para ampliar sua abrangência, visando a criação de outro grupo que se reunirá no salão paroquial. Em breve publicaremos mais informações a respeito.
8) O programa Música e Café na Igreja é também entendido como parte de nossa Ação Diaconal, pois é um serviço ao bairro e uma oportunidade para jovens artistas se apresentarem sem custos de produção. Pelo menos uma vez por bimestre a Paróquia promove em seu templo a apresentação de artistas e grupos musicais (inclusive dança) com entrada franca, sendo servido um cafezinho ao final, facilitando o convívio e a boa conversa.
9) Nossa comunidade conta em sua congregação com quatro pessoas profissionais na área do Serviço Social, que estão sendo desafiadas pela comunidade e pelos pastores a organizarem de forma efetiva a Ação Diaconal da Paróquia.
As Contribuições Regulares e as Ofertas que recebemos são direcionadas não só para a manutenção do serviço religioso, mas também para a Ação Social. Apesar dos poucos recursos que temos, nossa Comunidade compartilha-os em nome do Senhor Jesus Cristo como testemunho do Seu amor e Sua misericórdia para com todas as pessoas. Nós entendemos que a Ação Diaconal é parte de nossa Missão e uma das nossas mais efetivas formas de evangelização.
Quando você contribui ou oferta para a Paróquia São Paulo Apóstolo sabe que o dinheiro oferecido é utilizado em nome do Senhor para o benefício da comunidade e da ação evangelizadora de presença e solidariedade. Muito obrigado a todos que, generosamente, partilham seus dons materiais, vocacionais e profissionais em nossa comunidade paroquial.
Rev. Luiz Caetano, ost+
Rev. Daniel Rangel, ost+
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08 fevereiro 2013
Sobre milagres: não basta ler, é preciso compreender!
Muita gente lê os Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) como se fossem um registro histórico sobre Jesus, isto é, uma “biografia” de Jesus. Se realmente os Evangelhos fossem uma biografia ou um simples relato histórico sobre Jesus, a Igreja Primitiva, quando estes textos foram escritos, os chamaria de Crônicas e não de Evangelhos. Desde cedo os textos que relatam situações da vida de Jesus foram escritos não visando um registro factual, mas para anunciar uma boa notícia, dai serem chamados Evangelhos, palavra grega que significa Boa Notícia, Boas Novas… Ler os Evangelhos com a preocupação de quem lê uma biografia é perder a perspectiva dos autores, é não perceber as boas novas anunciadas.
E mais, a pessoa fica confusa porque os textos não são coerentes entre si, embora Mateus, Marcos e Lucas sejam bem semelhantes, pois foram escritos praticamente no mesmo contexto histórico e geográfico e na mesma época, 30 a 40 anos após o surgimento das comunidades cristãs (evento de Pentecostes). Porém o Evangelho de João surge após o ano 90, em um contexto muito específico e destinado a uma população bem específica: as comunidades judaico-cristãs dispersas em uma região da Ásia que hoje conhecemos como Turquia, as chamadas comunidades joaninas, que viviam a experiência da perseguição pelo Império Romano e pelas sinagogas judaicas, pois em 90 d.C. o Concílio Rabínico reunido em Jamria (Palestina) decidiu que os cristãos eram anátema e os cristãos não poderiam mais participarem da sinagoga.
As narrativas dos milagres de cura que Jesus realizou , por exemplo, querem dizer muito mais do que um simples fato miraculoso. Hoje em dia, as filosofias de prosperidade e auto-ajuda reduzem as narrativas das curas a um simples ato de magia e curandeirismo; porém Jesus não era um curandeiro, (haviam muitos em seu tempo, e prestavam um serviço relevante às populações pobres – como ainda hoje), nem era um mago; Jesus era chamado de Mestre, era conhecido como um rabino, alguém que explica e interpreta a Lei e os Profetas, bases da fé judaica.
Essa forma barata de compreender os milagres reduzem a Fé em Jesus Cristo a uma simples relação de troca com Deus! e um Deus injusto e cruel, porque não faz milagres para todo mundo! As pessoas, iludidas por uma interpretação simplória e geralmente forçada do texto bíblico, vivem no desespero da busca pelo milagre, fazendo mil sacrifícios e práticas insensatas de religiosidade para “merecer a atenção de Deus”; e se o “milagre” não acontece, sentem culpa porque “não tiveram fé suficiente” ou não ofereceram aquilo que Deus desejava delas (geralmente dízimos, trízimos, promessas, etc.). Assim, a narrativa de um “milagre” de Jesus não traz nenhuma Boa Notícia, apenas falsas esperanças… como quando a gente lê a notícia de que alguém ganhou sozinho a Mega-Sena.
Se a intenção da Igreja Primitiva fosse apenas dizer que Jesus fazia milagres, não precisava narrar os fatos com certos detalhes, bastaria uma lista de curas e milagres, sem dar muita explicação sobre como e onde aconteceram. Exatamente por serem narrativas que querem dizer mais que as palavras escritas – apresentar uma Boa Nova! – é que esses textos devem ser lidos e apreendidos com mais profundidade, conhecendo-se seu contexto, pessoas envolvidas, lugares… tudo isso traz uma mensagem que os cristãos àquela época entendiam muito bem e percebiam realmente a Presença de Deus agindo no Mundo – e não apenas na vida de algumas poucas pessoas merecedoras desse carinho divino; todos podiam perceber e experimentar essa ação carinhosa e poderosa de Deus no mundo e em suas vidas, sem esperar por coisas absolutamente mágicas!
Milagres realmente acontecem! mas não acontecem por si mesmos, nem por exibicionismo de Deus! milagres são sinais e significam muito mais do que o fato em si mesmo. É preciso ver além do fato, é preciso compreender a ação de Deus, permitir que Deus Se revele hoje, como Se revelou aos nossos ancestrais na fé.
Por isso, é muito importante que a comunidade da Igreja se reúna, sempre sob a inspiração do Espírito Santo, também para o Estudo da Palavra de Deus, da Bíblia, além da vivência sacramental comunitária e das reuniões de louvor e de oração. É muito importante a leitura pessoal e devocional da Escritura Sagrada, mas também é importante que a comunidade estude e compreenda em profundidade o texto bíblico, para realmente compreender o que Deus está fazendo e nos dizendo hoje!
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Em nossa comunidade paroquial buscamos estudar a Palavra de Deus através dos Sermões de nossos pastores, nos ofícios comunitários. Mas precisamos de mais! Por isso, em breve estaremos divulgando encontros para estudos da Palavra de Deus, além dos nossos ofícios litúrgicos.
Aguarde!
Rev. Luiz Caetano, ost+
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08 março 2012
Cuidando da Casa da Comunidade, nosso templo!
09 dezembro 2011
São Nicolau e Papai Noel
06 janeiro 2011
Caminhar Juntos: Ênfases da Ação Pastoral
O Programa de Ação Pastoral apresenta três eixos de movimento (ênfases), que são os seguintes:
Acolhida e Consolação: movimento para dentro
O espaço sagrado como serviço para todas as pessoas; o respeito, o diálogo e a cooperação com os diferentes; a acolhida em espírito de misericórdia e fraternidade; a permanente construção da vida em comunidade.
Sacramentalidade e Vida Interior: movimento interno
Formação e amadurecimento na Fé e no compromisso do Discipulado; grupos de adoração, oração e intercessão; avivamento litúrgico compreendendo a herança recebida e a nossa identidade; equipe de liturgia e música; retiro e direção espiritual; a vivência do Evangelho no cotidiano.
Serviço e Solidariedade: movimento para fora
A solidariedade como expressão do amor divino; diaconia e serviço social; ética e cidadania; cultura de paz e não-violência; meio ambiente e defesa da vida.
Um plano semelhante será seguido também pela Paróquia São Lucas, em Botafogo, sob a liderança pastoral do Rev. Eduardo Coelho Grillo. Os dois párocos pretendem criar momentos de maior integração entre as duas comunidades, através de encontros de estudo, oração e convívio fraterno que serão realizados ora em uma ora em outra paróquia. A idéia é reforçar os laços internos na Diocese, que – na concepção episcopal-anglicana – é a Igreja Local. Espera-se que aos poucos as demais paróquias diocesanas comecem a atuar de maneira planificada e em conjunto. Não somos congregações isoladas!
O modelo congregacional (de inspiração calvinista) é uma das formas de identidade e ação das diversas denominações protestantes e evangélicas; tem seu valor e sua riqueza.
Mas nossa Igreja é episcopal, e por isso temos um conceito diferente de congregação: “uma comunidade interligada às outras em uma única Igreja (a Diocese)”.
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