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19 dezembro 2015

O Lado Escuro da Força

Herói e Bandido
Sem dúvida, a bactéria consumista deste final de ano é mais um episódio da série Guerra nas Estrelas.

Nada contra a serie, que, aliás, gosto muito e assisti todos os episódios. De certa forma, é uma série inteligente, mas demasiadamente fantasiosa para ser considerada Ficção Científica de boa qualidade.

O Darth Vader é ao mesmo tempo um vilão e um herói. Foi considerado pela crítica como um dos personagens mais significativos e emblemáticos do cinema no século XX, e pelo jeito, continua sendo nestas quase duas décadas do século XXI.

A estória do Darth Vader é conhecida: o “Jedi” Anakin Skywalker, depois de perder sua condição de “Cavaleiro Jedi”, e ter sofrido uma barbaridade (perdeu as pernas, teve quase todo seu corpo queimado por lava), entrega-e plenamente à sedução do “Lado Escuro da Força”.

Maniqueísmos à parte, toda a saga , como a maioria das produções de Hollywood, acaba sendo a velha luta entre o Bem e o Mal, com uma tremenda sofisticação tecnológica e um enredo muito bem bolado; mas no fundo, continua sendo um filme de “mocinho e bandido”, com direito à cavalaria chegando para salvar a pátria… e o bandido morre.

17 fevereiro 2015

Lema da Quaresma 2015: Renovando-nos como Igreja!

OraçãoÉ preciso que voltemos nosso olhar ao Evangelho para libertarmo-nos de conceitos, usos e costumes que foram sendo incorporados pela Igreja no decorrer de sua História. A Igreja deve estar em constante reforma, para que possa responder aos desafios deste tempo presente e dar o testemunho da vida em Cristo. Cada comunidade da Diocese na região do Arcediagado do Rio de Janeiro começa o processo de construir um Plano Trianual, um processo permanente de planejamento e avaliação, para caminhar rumo a uma renovação em termos de organização e percepção missionária. É um princípio que herdamos da Reforma do século XVI: Igreja Reformada, sempre se reformando!
Uma mudança de paradigmas é algo complexo, lento e não muito simples! A renovação da Igreja só acontecerá se cada um de nós renovarmo-nos diante de Deus, a partir do estudo e leitura orante da Palavra de Deus, se formos capazes de fazermos isso não só individualmente, mas também enquanto comunidade confessante.
Precisamos olhar a nós mesmos como comunidade, olharmos a realidade onde estamos inseridos, detectar as oportunidades e os desafios para nossa ação missionária. Ação missionária não significa proselitismo, mas testemunho diante das realidades do mundo. Devem ser as nossas atitudes, as nossas ações que apresentem o Evangelho, não o palavreado exagerado tentando convencer pessoas! Palavras podem convencer, mas atitudes convertem!
No processo de construção do Plano Trianual, apresentado na Conferência Diocesana de setembro passado, usaremos o método ver, julgar, agir e celebrar, a partir de uma avaliação do que temos sido, observar a realidade ao nosso redor, analisar essa realidade para compreende-la e definir o que podemos fazer nessa realidade como missão e testemunho, para construirmos relações de comunhão e serviço.
Comece você mesmo essa reflexão pessoal, depois faça-a com sua família, estenda à nossa comunidade: vamos iniciar o processo de VER! e de JULGAR!
Enquanto pessoa no mundo, você deve se perguntar:
1.Vendo e avaliando a mim mesmo: Como está minha vida pessoal? O que está bom? O que pode melhorar? O que precisa mudar?
2. Vendo e conversando com a minha família: Como está nossa vida familiar? O que está bom? O que pode melhorar? O que precisa mudar?
3. Vendo e conhecendo os arredores de minha casa: como é a vizinhança? que necessidades temos como moradores no bairro? como você e sua família podem ajudar?
4. Vendo e avaliando meu espaço profissional: Como são meus colegas de trabalho, meus clientes, meus fornecedores, meus empregados, meus superiores, meus subordinados? como tem sido a convivência? há pessoas sofrendo? necessitando algum tipo de apoio? que eu posso fazer?
Enquanto Comunidade Paroquial devemos nos perguntar e conversar:
1. Vendo e avaliando a mim mesmo perante a comunidade: Como eu tenho participado e assumido responsabilidades sendo parte de uma comunidade de fé? O que posso oferecer à Comunidade?
2. Vendo e avaliando nossa vida comunitária: quais as nossas necessidades? o que está bem na comunidade? o que precisa melhorar? o que precisa mudar? há necessitados entre nós, do ponto de vista de apoio emocional, financeiro, etc.? como podemos ajudar?
3. Vendo e avaliando nosso testemunho comunitário: nossa Paróquia tem tido uma presença concreta nas demandas do povo que habita o bairro de Santa Teresa e adjacências? que temos de mudar em nossa presença? o que mais podemos fazer? Como podemos incrementar as relações com as demais Igrejas em Santa Teresa? Como eu me enquadro nesse processo (como espectador ou agente com a comunidade)?
Vamos ter oportunidades de conversar e aprofundar essas questões em comunidade, mas é preciso que cada um de nós comece agora o processo de reflexão.
Que o Espírito Santo nos acompanhe e nos ilumine! Amém!
Vossos Pastores, na comunhão com o Bispo:
Rev. Luiz Caetano, ost+  e Rev. Daniel, ost+

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28 novembro 2012

Fé, Justiça e Amor

Jesus caminhandoAinda pensando na festa “Jesus Cristo, Rei do Universo”, volto ao texto que relata Jesus entrando em Jerusalém, num jumento, com as multidões gritando e aclamando-o como rei:

         Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé e Betânia, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: "Vão ao povoado que está adiante de vocês; logo que entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui. Se alguém lhes perguntar: ‘Por que vocês estão fazendo isso? ’ digam-lhe: ‘O Senhor precisa dele e logo o devolverá’". Eles foram e encontraram um jumentinho, na rua, amarrado a um portão. Enquanto o desamarravam, alguns dos que ali estavam lhes perguntaram: "O que vocês estão fazendo, desamarrando esse jumentinho?" Os discípulos responderam como Jesus lhes tinha dito, e eles os deixaram ir. Trouxeram o jumentinho a Jesus, puseram sobre ele os seus mantos; e Jesus montou. Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam cortado nos campos. Os que iam adiante dele e os que o seguiam gritavam: "Hosana! "Bendito é o que vem em nome do Senhor!" "Bendito é o Reino vindouro de nosso pai Davi! " "Hosana nas alturas!" Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-se ao templo. Observou tudo à sua volta e, como já era tarde, foi para Betânia com os Doze.      (Marcos 11:1-11 – N.V.I)

O Sinédrio, vendo isso, conspirou para mata-lo porque, analisando mal a cena, achou que Jesus lidera uma revolta contra os poderes estabelecidos.

Assim, quando Jesus entra em Jerusalém, ele sabe que será visto como ameaça e haveriam reações fortes. Pois tem percepção que sua vida e ministério contrariavam os interesses dos poderosos. Seu ministério se tornou ação política porque questiona as prioridades, os valores e a legitimidade das autoridades políticas e religiosas, incapazes de servir o bem comum. No entanto, ele não entra em Jerusalém para tomar o poder, nem fazer parte da maquina política: ele não anseia por poder. Pois o Poder dele é outro: Disse Jesus: "O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui". (João 18.36)

Essa fina linha de coerência entre seu discurso e a sua prática nos mostra como devemos viver. Jesus nos desafia, tanto como indivíduos, como sociedade, a vivermos de acordo com os padrões de sua Mensagem, a Boa Nova, Boa Noticia que transforma a vida cotidiana em vida em abundância. Vida que, ao mesmo tempo, dá autonomia, liberdade e livre pensar. Jesus ensina que devemos ser altruístas: o serviço ao próximo sem ansiar retornos ou vantagens pessoais. Assim, ser discípulo de Cristo é andar um caminho que, incomodamos e sofremos reações decorrentes das nossas atitudes concretas.

Duas grandes tentações nos tiram deste caminho: primeiro, somos tentados a resolver os nossos problemas ou/e dos outros “espiritualmente”: o problema se torna subjetivo, isentando-me da agir por minha livre decisão, não permitindo uma atitude concreta, me tornado infantil e dependente emocional da “vida espiritual”. Em segundo lugar, somos tentados a idolatrar o poder e a desejá-lo, acreditando que, se o “nosso padrão” seja aceito – ou imposto aos outros – tudo será lindo e perfeito: assim poderemos controlar as pessoas mais facilmente. Esta cobiça pelo poder, afasta-nos da vivência do Evangelho e lança-nos em disputas mesquinhas pelo poder, esquecendo que o Poder é de Cristo.

Com isso a boa noticia fica diluída e desfigurada quando se permite que uma destas tentações triunfe em nossas vidas ou Igreja.

Nosso chamado é para sermos corajosos e fiéis, ao Evangelho e confiarmos sempre no amor de Deus orientando nossa vida, em testemunho que outra realidade é possível: a vida social sem corrupção, desmando e injustiça. O poder para livremente servir, como o Filho do Homem serve!

Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos". (Marcos 10.45)

Rev. Daniel, ost+

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04 outubro 2012

Eleições! isso não é assunto da fé?

Cdigo Florestal 2 (julho 2011)Neste domingo teremos eleições municipais em nosso país. Somos convocados a exercer nosso direito e nosso poder como cidadãos. A Igreja, enquanto comunidade, não deve ficar alheia a isso, como se fosse algo “que nada tem a ver com a fé”! Pelo contrário, exercer a cidadania é dever ético de todas as pessoas cristãs, e é um imperativo da fé madura e vivida em comunhão profunda com Deus.
Evidentemente que a Igreja é um espaço político, uma vez que cada comunidade é formada por pessoas, e pessoas  reunidas – gostando ou não –  constituem por si só um fato político. Assim, a reflexão sobre os deveres e direitos cidadãos é parte da reflexão que a Igreja deve realizar, à luz da Palavra de Deus.  Entretanto, isso não significa que a Igreja (comunidade) deve determinar o voto individual de cada pessoa, e muito menos devem os clérigos induzirem suas comunidades a apoiar este ou aquele candidato, seja a que cargo eletivo for.
Exatamente por sermos um Estado Laico, os clérigos são primeiro Cidadãos (porque não nascem clérigos) e precisam exercer sua cidadania com transparência e devem SIM, por serem formadores de opinião, ajudar o povo de suas comunidades a exercer sua cidadania, como princípio ético. Não se trata de "obrigar" o voto, mas levar à uma análise crítica da realidade à luz da Palavra de Deus, o que é, de fato, o seu papel pastoral  na qualidade de teólogo com a comunidade. O que não se deve fazer, por ser antiético, é atrelar seu ministério a um projeto eleitoral que implique em "benefícios para a igreja", ou para o próprio pastor (como acaba acontecendo).
Esta tem sido a nossa postura pastoral – minha e do Rev. Daniel – aqui na São Paulo Apóstolo. Nossa comunidade sabe das opções políticas de seus pastores, mas não se sente pressionada por elas; a congregação tem em si mesma diferentes posicionamentos políticos, e isso é incentivado em respeito ao direito de livre pensamento e decisão de cada pessoa. Todavia, também incentivamos a reflexão sobre a situação do país e da cidade onde estamos. Nossa comunidade tem sido, historicamente. muito solidária e engajada nas lutas do povo que vive em Santa Teresa, e isso é entendido por nós como parte essencial de nosso testemunho cristão; tal postura não é de hoje, mas parte dos 95 anos de história da comunidade. A comunidade de São Paulo Apóstolo assume seu papel político no bairro, como parte de seu testemunho, sem medo mas em obediência e no temor a Deus.
Entendemos que o Poder Público não está isento de críticas, ou imune à análise crítica por parte dos cidadãos, uma vez  que as pessoas investidas de autoridade recebem um mandato, ou seja, uma permissão para exercerem o poder. Assim, precisam ser permanentemente avaliadas no exercício de sua autoridade de forma a manterem-se fiéis ao principio de zelarem e promoverem o bem comum da população, razão única porque foram eleitas. Todavia, estar exercendo o poder é uma situação de muita tentação! Por isso, cabe aos cidadãos vigiarem as autoridades, e – assim – cumprirem seu direito e dever de avaliar permanentemente essas autoridades. Eleições são um momento especial para isso.
Os princípios éticos que orientam os cristãos e cristãs são aqueles decorrentes do ensino do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo: mansidão, justiça, solidariedade, compaixão, misericórdia, honestidade, lisura, correção… Tais princípios devem servir como pano-de-fundo para a avaliação das autoridades e escolha dos candidatos que venham merecer o voto de uma pessoa que professa a fé cristã com maturidade e comunhão com Deus.
Lamentavelmente, nosso país é, historicamente, uma república muito jovem e nosso povo mal formado politicamente. Muitas pessoas, graças às campanhas massivas dos grupos que defendem Direitos Humanos, sabem seus direitos, mas poucos conhecem seus deveres! Também não temos uma organização político-partidária digna de confiança e transparência: votamos em pessoas sem nos preocupar com sua linha ideológica e opções políticas exatamente porque nada sabemos sobre os partidos políticos (que aliás primam em manter o povo desinformado sobre sua base ideológica e suas propostas – se é que alguns realmente as tenham!). Por isso, em nosso país, as coligações entre partidos são, algumas, absurdas, feitas visando interesses de grupos e não somar forças por ideais sociais reais e gerais.
Domingo, você, cristão ou cristã, deverá comparecer diante da urna para depositar seu voto. Seja coerente com a sua fé! Gaste um dia, ou algumas horas pelo menos, para refletir sobre os candidatos, procure conhecer as funções e deveres dos cargos eletivos, e acima de tudo ore buscando em Deus a inspiração para sua escolha. Não pense nas vantagens pessoais que possa vir a ter com a vitória de alguém nas urnas, mas pense o que seria melhor para a sua cidade. Afinal, você não é um ser isolado, mas vive em meio a outros.
Vote com ética!
Rev. Luiz Caetano, ost+

PS. - Sugiro que você leia o artigo imediatamente abaixo deste, uma reflexão sobre o Poder à luz do Evangelho. Talvez ajude sua reflexão.
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24 setembro 2012

O maior é o menor!

cristo_rey_2[1]“E chegaram a Cafarnaum. Quando ele estava em casa, perguntou-lhes: "O que vocês estavam discutindo no caminho?" Mas eles [os discípulos] guardaram silêncio, porque no caminho haviam discutido sobre quem era o maior. Assentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: "Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos". (Marcos 9:33-35 – Nova Versão Internacional).

A afirmação de Jesus veio na contra-mão das expectativas de seu tempo, e também do nosso tempo. Que contradição: o maior deve ser o menor! o primeiro deve ser o último! Uma nova maneira de conceituar o poder: o poder é dado para que se possa servir! Autoridade como serviço, e portanto, subalterna ao bem comum!

Talvez seja por isso que a Igreja Cristã, a partir de determinado momento, organiza seu clero em três Ordens: diaconato, presbiterado e episcopado, uma ordem dada sobre a outra, sendo o diaconato a primeira a ser dada. Nós, episcopais anglicanos mantemos essa tradição, o que significa que todo nosso clero é formado por diáconos (servos), onde alguns diáconos são também presbíteros e outros diáconos são, além de presbíteros, bispos. Outras identidades eclesiais separam o diaconato do presbiterado, mas nós seguimos a Tradição que vem dos primeiros séculos da Igreja.

Entretanto, a afirmação de Jesus vai além da Igreja, é um alerta ao mundo. Somos (mal) educados, como cidadãos, a entender que a Autoridade é soberana (e o é), mas de forma absoluta. Confundimos, por exemplo, Governo (quem exerce a autoridade) com Estado (a organização social onde exercício da autoridade é delegado às pessoas que compõem o Governo); e assim nos acostumamos com a corrupção e com as trocas de favores: “vou votar em fulano de tal porque se eleito vai me dar um emprego!”; “não vou votar no sicrano porque quando foi prefeito não dava passagem de ônibus de graça para eu ir à cidade vizinha!”  como se o prefeito ou qualquer autoridade pudesse dar aquilo que não lhe pertence (é do Estado), mas está sob seu cuidado (administração, isto é, governo). 

Assim, entendemos a autoridade como sendo o maior e mais importante, e lhe atribuímos, por ignorância devida à nossa má educação, o poder absoluto de fazer o que quiser com o bem comum; então surgem as badalações, as trocas de favores, a corrupção. Achamos tudo isso normal, como se fosse natural que o mundo seja assim: alguns tomam o poder e favorecem os seus amigos e aliados e desprezam todo o resto da população.  Até mesmo para fazer uma obra em benefício da população, favorecem seus comparsas através da burla em licitações, permissão de superfaturamento, vista grossa quando a lei é ferida, etc. Vemos isso todos os dias denunciado pela imprensa e achamos tudo muito natural.

A Palavra de Jesus é muito clara e objetiva: a autoridade é para o serviço! Não é algo dado a uma pessoa para ela mesma, mas para capacitá-la ao serviço em benefício de todas as demais pessoas sob sua autoridade, em benefício do bem estar de todos!

Os cristãos, realmente comprometidos com a Palavra de Deus, têm o dever de exercer sua cidadania em plenitude e não se conformarem com o senso comum (o mundo).  É dever ético cristão, implícito nas palavras de Jesus que a comunidade de fé anuncie essa visão de poder, denuncie os que abusam do poder e testemunhe, através de sua atitude cidadã, a Palavra de Deus.

Isso começa no nosso universo pessoal: como exerço a autoridade em minha casa, na qualidade de pai ou de mãe? como exerço minha autoridade sobre aqueles que são meus empregados, ou subordinados no trabalho? Se me foi delegado um cargo de autoridade, por exemplo, síndico do prédio, diretor da associação do bairro, professor, diretor de escola, etc., como eu a compreendo? como eu exerço esse poder que me foi delegado?

Assim, começando em nossas relações familiares, passando pelas relações profissionais, vamos exercendo a cidadania não só neste mundo, mas sinalizando sermos cidadãos de um outro Reino, o Reino de Deus, o Reino daquele “… que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” (Filipenses 2:6-8 – Nova Versão internacional).

Rev. Luiz Caetano, ost+

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02 setembro 2011

Por que chora o Bonde?

Bonde peqA imagem do bondinho chorando está se tornando símbolo da mobilização do povo de Santa Teresa que exige respostas e providências do Estado quanto à situação dos Bondes.
Na quarta-feira, dia 31 de agosto, a AMAST (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa) realizou uma Plenária no templo da nossa Paróquia, com comparecimento de muitos moradores, lideranças comunitárias do bairro, e políticos solidários à causa da população de Santa Teresa. A indignação era geral, assim como a tristeza e a revolta. A AMAST recebeu uma quantidade enorme de sugestões e propostas concretas, que ainda estão sendo separadas e organizadas.
A mobilização continuou com manifestação diante da Estação da Carioca na quinta-feira pela manhã e um ato público no Largo do Guimarães à noite! ironicamente, quinta-feira era dia do aniversário do Bonde: 115 anos!  Foi quando começou a circular o cartaz do Bonde chorando, criação do Zod, artista plástico residente em Santa Teresa. Um cartaz que não precisa de palavras, como um ícone religioso (!), e traduz o sentimento da população do nosso maltratado bairro.
O Bonde chora pelo abandono a que foi condenado pelo poder público! O Bonde chora porque foi adulterado em sua forma e características em nome da “modernização”.  O Bonde chora por causa do sucateamento que vem sofrendo há anos, para fortalecer o argumento de “privatização” dos serviços. O Bonde chora, e o bairro chora com ele, as vítimas dos acidentes que passaram a acontecer depois que o Bonde deixou de ser Bonde para ser um “Veículo Leve sobre Trilhos” (VLT) resultado do que chamaram de modernização: uma carroceria de bonde sobre rolantes de trem, um monstrengo inadequado para a topografia do Bairro. O Bonde chora porque, vítima do desgoverno, passa ser acusado de inadequado, de retrógrado, de incômodo,e agora sofre a ameaça de morrer definitivamente em nome da “modernização”.
O Bonde chora porque deseja ser restaurado à sua dignidade de transporte coletivo do bairro, o nosso “bondinho”, alma de Santa Teresa, parte inseparável do nosso micro-universo cultural, da identidade teresiana. Aliás, creio que Teresa de Ávila, a Santa, chora no céu ao ver o que se faz com o Bairro da qual é a padroeira e inspiradora.
O Bonde chora, mas não se entrega! O Povo de Santa Teresa não se entrega. O Bonde que chora não é símbolo apenas da nossa tristeza, mas é ícone da luta dos moradores do bairro, das comunidades que formam o complexo de Santa Teresa. São lágrimas de quem luta, não lágrimas de quem foi derrotado!
Saibam, autoridades, que aqui em Santa Teresa, o Senhor do Universo anda de Bonde!!! e Ele quer continuar andando! e vai continuar sendo o nosso principal companheiro de jornada diária no bondinho, que está parado, mas não morreu!
Ele estava no acidente, sofre com as vítimas, acolheu Nelson e os falecidos em Sua Vida, e está conosco em todas as manifestações de protesto e repúdio que fazemos. Ele exige, conosco, o respeito à nossa dignidade cidadã! Não provoquem Sua Justiça!
Rev. Luiz Caetano, ost+
(acompanhe a luta do Povo de Santa Teresa por dignidade, respeito e em defesa do Bonde, a alma de nosso bairro, no site da AMAST).
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MOBILIZAÇÃO: Próximas ações


Sábado, 03 de setembro : 
     16h00 - Marcha saíndo do Curvelo até o local do acidente.
     19h00 - Missa de Sétimo Dia do Nelson, na Matriz de Santa Teresa (Rua Aurea), marcada por sua família.


Domingo, 04 de setembro:
     11h00 - Missa pelas vítimas do acidente - Paróquia Anglicana S. Paulo Apóstolo.


Terça-feira, 06 de setembro:
     15h30 - Concentração em frente ao Ministério Público. A Diretoria da AMAST terá audiência com o Procurador Geral às 17h00

Quinta-feira, 15 de setembro:
      10h00 - Audiência Pública sobre os Bondes na Assembléia Legislativa (ALERJ) - vamos lotar a galeria!

Se você mora em Santa Teresa ou apoia nossa luta, venha somar forças!
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29 agosto 2011

Dor e indignação em Santa Teresa

46xsgeod1vvz733x0ivvl1qkvEstávamos para iniciar a celebração eucarística vespertina no Concílio Diocesano em Araras, quando chegaram as primeiras notícias do acidente com o bondinho de Santa Teresa. Contatos telefônicos feitos imediatamente confirmaram a tragédia. Nosso Bispo Diocesano imediatamente colocou as vítimas na lista de intercessões e o Concílio reunido manifestou sua solidariedade ao povo de Santa Teresa em oração.
Nossa comunidade paroquial, no ofício de ontem, dirigido pelo nosso Ministro Frei Fabiano, fez oração  intercessora pelas vítimas e demostrou sua indignação com o acidente.
Hoje à noite, ao retornar para casa, busquei maiores informações sobre o fato e confirmaram-se as minhas suspeitas: a falta de manutenção devido a irresponsabilidade governamental e o desrespeito para com a população de Santa Teresa.
Fiquei muito triste com a morte do Nelson, o motorneiro gentil e atencioso que sempre trocava cumprimento comigo quando eu embarcava ou passava por ele na rua.
A perícia levará 30 dias… tempo suficiente para que o assunto seja “esquecido” pela mídia e, provavelmente colocarão a culpa no Nelson, ou em alguém que jogou uma casca de banana nos trilhos… vamos ver se relatam sobre o uso de arames improvisando conserto nos freios, como foi denunciado em uma notícia:
“O bondinho que descarrilou e tombou em Santa Teresa neste sábado, matando cinco pessoas e ferindo 57, tinha um pedaço de arame no lugar de parafuso debaixo da sapata do freio. Era, aparentemente, uma improvisação da equipe de manutenção da Central, empresa que administra o sistema de transporte sobre trilhos no bairro.”
NelsonNo mesmo site, há notícia que o bonde acidentado havia sofrido outro acidente, uma hora antes (clique aqui). Foi feita vistoria sobre o estado do veículo, ou ele simplesmente permaneceu em operação? ninguém deu explicação sobre isso… também o poder público tem sido omisso com a situação de superlotação dos bondes…
Com efeito, foi uma tragédia anunciada”, como declarou uma moradora: há muito que se reclama da manutenção dos bondes, e é conversa certa em Santa Teresa que há interesse em facilitar a ocorrência de problemas com os bondes para desapontar a população e justificar a privatização dos serviços. Obviamente que a privatização faria do sistema de bondes algo exemplar, porém com fins exclusivamente turísticos, portanto caríssimo, excluindo da população do bairro o acesso ao serviço.
Fazer o bem púbico chegar à condição de sucata tem sido uma estratégia utilizada pelos promotores de privatizações: tornando os serviços públicos ineficientes, cria-se insatisfação do povo que apoiaria a privatização.
É muito suspeita – e lacônica – a declaração do Governador do Estado, responsável último pela situação dos bondes; entre outras coisas, “(…) o Governador determinou que o transporte por bondes no bairro fique interrompido e que a Secretaria de Transportes conduza um plano de modernização dos bondes (...)” 
Por quanto tempo se dará a suspensão dos serviços? que modernização será essa? porque não foi feita antes ou iniciada? ainda terão de fazer  “planos”? quer dizer que se não fosse o acidente não haveria modernização? como fica a situação da população usuária do bonde, um meio barato para se chegar rapidamente ao centro do Rio? Haverá mais ônibus disponíveis? qual a tarifa? O serviço de bondes é uma amostra do desrespeito e descaso com que a população de Santa Teresa é tratada pelo poder público, que gostaria de fazer do bairro apenas um local de exploração turística, sem moradores.

Oferecemos nosso templo para um ato religioso ecumênico, em memória das vítimas e solidariedade a seus familiares! Ficamos à disposição da AMAST  e demais organizações populares do Bairro, para compor uma grande aliança em favor dos nossos direitos de cidadãos e o respeito para com o nosso bairro.
Rev. Luiz Caetano, ost+
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