Os artigos deste blogue expressam o pensamento de seus autores, e não refletem necessariamente o pensamento unânime absoluto da comunidade paroquial. Tal unanimidade seria resultado de um dogmatismo restrito e isso contraria o ethos episcopal anglicano. O objetivo deste blogue é fornecer subsídios para a reflexão e não doutrinação. Se você deseja enviar um artigo para publicação, entre em contato conosco e envie seu texto, para análise e decisão sobre a publicação. Artigos recebidos não serão necessariamente publicados.

Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Bíblia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bíblia. Mostrar todas as postagens

23 maio 2017

Ascensão: espiritualidade pé no chão!

ascensãoA narrativa da ascensão de Jesus aparece em três versões: em Marcos, em Lucas e nos Atos dos Apóstolos. Mateus e João não contém essa narrativa, a partir do contexto em que estes Evangelhos foram escritos.

O Evangelho segundo Marcos faz uma pequena referência à ascensão do Senhor e conclui afirmando estar Ele à direita de Deus (significando que Ele detém o poder de Deus).

Mas em Atos dos Apóstolos e no Evangelho de Lucas, a narrativa é bem detalhada, embora um pouco diferente nos dois livros.

Lucas conclui afirmando, como Marcos, que o Cristo foi se afastando e levado para o Céu (lugar de Deus) e os discípulos retornam a Jerusalém cheios de alegria. Mas o Livro de Atos apresenta um detalhe importantíssimo:

1.8 Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e se-rão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra. 9 Depois de ter dito isso, Jesus foi levado para o céu diante deles. Então uma nuvem o cobriu, e eles não puderam vê-lo mais. 10 Eles ainda estavam olhando firme para o céu enquanto Jesus subia, quando dois homens vestidos de branco apareceram perto deles 11 e disseram: — Homens da Galileia, por que vocês estão aí olhando para o céu? Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu voltará do mesmo modo que vocês o viram subir. (Atos 1.8-11 - NTLH)

19 novembro 2016

Que Rei é este?

Jesus na Cruz 2As Igrejas de tradição Anglicana, bem como a Igreja Romana e, em alguns lugares, várias outras denominações cristãs protestantes, incluindo os luteranos, alguns presbiterianos e metodistas, celebram, em honra de Cristo, a Festa de Cristo Rei, ou como diz no nosso Livro de Oração Comum, a Festa de Jesus Cristo, Rei do universo, no último domingo do ano litúrgico, antes que o novo ano comece com o primeiro domingo do Advento.
O belo poema de Paulo, na carta aos Filipenses, descreve muito bem a maneira de como o Senhor manifesta o Seu Poder e nos dá pistas para entender o Seu Reinado:
   “Ele tinha a natureza de Deus, mas não se impôs como igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte — morte de cruz.Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas no céu,na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai”. (Filipenses 2. 6-11)

26 outubro 2016

Uma questão de Justiça!

Viuva Chata 2a ovalA conhecida parábola “O Juiz Iníquo” é geralmente interpretada como uma orientação sobre a necessidade de se insistir na oração diante de Deus. Ou seja, Deus é como o juiz iníquo! Arrogante, e cheio de si, tipo aqueles que sempre perguntam ao interlocutor: “sabe com quem está falando?”. Seria Deus tão arrogante assim?  Jesus estava dizendo isso sobre o Papai?
Com certeza, não! Tal identidade contradiz tudo que Jesus nos ensina sobre Papai. Então, o objetivo da parábola é outro.  Vamos ao texto:
1 Jesus contou a seguinte parábola, mostrando aos discípulos que deviam orar sempre e  nun-ca desanimar: 2  — Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus e não respeitava ninguém. 3 Nessa cidade morava uma viúva que sempre o procurava para pedir justiça, dizendo: “Ajude-me e julgue o meu caso contra o meu adversário!” 4  — Durante muito tempo o juiz não quis julgar o caso da viúva, mas afinal pensou assim: “É verdade que eu não temo a Deus e também não respeito ninguém. 5 Porém, como esta viúva continua me aborrecendo, vou dar a sentença a favor dela. Se eu não fizer isso, ela não vai parar de vir me amolar até acabar comigo.” 6 E o Senhor continuou: — Prestem atenção naquilo que aquele juiz desonesto disse. 7 Será, então, que Deus não vai fazer justiça a favor do seu próprio povo, que grita por socorro dia e noite? Será que ele vai demorar para ajudá-lo? 8 Eu afirmo a vocês que ele julgará a favor do seu povo e fará isso bem depressa. Mas, quando o Filho do Homem vier, será que vai encontrar fé na terra? (Lucas 18.1-8 / NTLH)

11 fevereiro 2016

Deus é muito chato!

Não estou blasfemando! Isso é dito, com muitas palavras indignadas, no Livro de Jonas.

O Livro de Jonas é uma fábula. Explico: seu texto é um tanto absurdo, mas traz uma lição importante: a lição sobre o que significa ser Profeta.  Trata-se de um texto singelo e até divertido; é um desabafo e, ao mesmo tempo, uma advertência para quem recebe o chamado para ser Profeta (e o aceita).

Vamos ver o que o Livro de Jonas nos ensina sobre o ser Profeta (as citações são da Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil)

Certo dia, o SENHOR Deus disse a Jonas, filho de Amitai:  — “Apronte-se, vá à grande cidade de Nínive e grite contra ela, porque a maldade daquela gente chegou aos meus ouvidos”. Jonas se aprontou, mas fugiu do SENHOR, indo na direção contrária. Ele desceu a Jope e ali encontrou um navio que estava de saída para a Espanha. Pagou a passagem e embarcou a fim de viajar com os marinheiros para a Espanha, para longe do SENHOR.  (Jn 1.1-2)


Estava lá o Jonas, tranquilo e sossegado, cuidando de sua vida. Então Deus o chamou e o mandou ir a Nínive! Caramba! Nínive?! a capital da Assíria, um Império cruel (como todos os Impérios), que arrasou o Reino do Norte (Israel) e levou seu povo ao cativeiro?!?! Mas que coisa chata!

05 fevereiro 2016

Reflexão para a Quaresma: A Verdade que Liberta!

  [As citações bíblicas neste artigo são da Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH -SBB)]
           Romanos 14 apresenta, no meu entender, algo contundente: o Senhor não toma nenhuma posição sobre as nossas querelas doutrinárias, religiosas, de costumes e de moral. De certa forma o Apóstolo São Paulo apresenta um critério ético para que possamos conviver com as nossas diferenças.
 “Aceitem entre vocês quem é fraco na fé sem criticar as opiniões dessa pessoa.  Por exemplo, algumas pessoas creem que podem comer de tudo, mas quem é fraco na fé come somente verduras e legumes.  Quem come de tudo não deve desprezar quem não faz isso, e quem só come verduras e legumes não deve condenar quem come de tudo, pois Deus o aceitou.
 Quem é você para julgar o escravo de alguém? Se ele vai vencer ou fracassar, isso é da conta do dono dele. E ele vai vencer porque o Senhor pode fazê-lo vencer.
 Algumas pessoas pensam que certos dias são mais importantes do que outros, enquanto que outras pessoas pensam que todos os dias são iguais. Cada um deve estar bem firme nas suas opiniões.  Quem dá mais valor a certo dia faz isso para honrar o Senhor. E também quem come de tudo faz isso para honrar o Senhor, pois agradece a Deus o alimento. E quem evita comer certas coisas faz isso para honrar o Senhor e dá graças a Deus.”   (Rom 14. 1-6)
O acolhimento de quem está “fraco na fé” não deve ser para contendas.  Para muitos cristãos, os que não creem como eles creem, são “fracos na fé”, “heréticos”, possessos do demônio...  Surgem então as discussões infindáveis, que aumentam o preconceito de uns com os outros e de outros com os uns (preconceito gera preconceito)!  As discussões progridem para a ira, porque se tornam prisioneiras da “verdade absoluta”;  a ira gera intolerância e a intolerância gera a perseguição.  Nada melhor que “verdades absolutas” para gerar a histeria do fanatismo e da violência!

24 dezembro 2015

Um menino nos nasceu!


Um Menino nasceu para nós... pobre; na periferia de uma grande cidade situada na periferia de um grande Império (opressor como todos os impérios); visitado pelos pastores, aqueles que vivem fora dos muros; deitado em uma manjedoura, um curral, porque não havia quem o hospedasse... 
Alguém ainda lembra o que realmente se festeja?

22 novembro 2015

Milagres Acontecem?!

Viuva de Naim 2
Várias vezes acontece de pessoas me pararem na rua e perguntarem: “Padre, sua Igreja faz milagre?”  ou então: “Estou interessado na sua Igreja; o que ela tem para oferecer?”
É muito complicado dar uma resposta a perguntas desse tipo. Obviamente,  militantes imprudentes do proselitismo dirão que a resposta é simples: responder “Sim” à primeira questão e responder mostrando as atividades da igreja no caso da segunda, e, óbvio, convidar para que venha conhecer a igreja, que será bem recebido, que Jesus tem um presente para a pessoa, etc.
Mas não é tão simples, porque, por trás dessas perguntas estão alguns equívocos, e até mesmo uma disfarçada idolatria consumista, além de, muitas vezes , uma mente desesperada, uma alma aflita.
Eu costumo manter o diálogo assim:
“Padre, sua Igreja faz milagre?”  Respondo: “Olhe, a Igreja não é minha, mas é de Cristo; e ela não faz milagre, Deus é quem faz, em qualquer lugar e até lá… mas nós não fazemos disso uma propaganda para atrair pessoas, porque o milagre não é um mérito da Igreja, mas uma graça que Deus concede às pessoas que têm fé. Quando isso acontece, nós louvamos a Deus, mas não ficamos divulgando por ai, porque Deus não precisa de publicidade, nem milagres são possíveis de serem comprados. Você quer que eu ore com você?”
“O que a sua Igreja tem para oferecer?”  Respondo: “Olhe, a Igreja não é minha, mas é de Cristo. Ela tem para oferecer algo muito pequeno, nada de espetacular que esteja disponível em um Shopping. O que ela oferece cabe na palma da mão, Jesus disse que é do tamanho de uma sementinha… mas não se compra isso, nem se ganha com dinheiro, bajulação e arrogância; é de graça, mas requer muita humildade. E tem uma coisa importante que você precisa saber: exige compromisso e comprometimento. Você está mesmo interessado? Se estiver, será bem vindo!”

03 junho 2015

SS. Trindade: Justiça, Misericórdia e Graça!

Síntese do Sermão proferido no Domingo da SS. Trindade

ss_trindade08Conta uma tradição que certa vez estava Santo Agostinho de Hipona refletindo sobre o “Mistério da SS. Trindade”. Ele queria entender a partir da lógica helenista de seu tempo. Agostinho, olhando para a praia enquanto meditava, viu um menino brincando na areia, de forma curiosa: o menino havia cavado um buraco na areia e, com um vasilhame, corria até o mar e trazia água que jogava no buraco, e ficava olhando. Em seguida, ele voltava ao mar, e trazia água e jogava no buraco. E fez isso muitas vezes. Agostinho ficou encafifado com aquilo e resolveu descer até a praia para ver aquilo de perto. Ele precisava espairecer um pouco porque sua cabeça estava doendo de tanto pensar sobre a SS. Trindade e, talvez brincando um pouco com o menino, poderia distrair-se.

Chegando à praia, viu que o menino continuava fazendo a mesma coisa, parecia até um ritual: ia até o mar, enchia o vasilhame com água e jogava no buraco cavado na areia. Agostinho se aproximou e perguntou ao menino: “_ O que você está fazendo, com essa brincadeira de buscar água e jogar dentro do buraco?”. Olhando para Agostinho, o menino disse: “_Estou colocando o mar todinho dentro desse buraco!”

Agostinho riu e fazendo um carinho na cabeça do menino, disse: “_ Meu filho, isso é uma coisa impossível! Você não vê que a areia absorve a água que você joga? essa água volta para o mar… você não vai conseguir colocar o mar todo no buraco que você cavou, nem que faça o buraco crescer dez vezes!” O menino, olhando bem nos olhos de Agostinho disse: “_ Pois saiba que é mais fácil eu colocar o mar todo neste buraco que você explicar a SS. Trindade!”; em seguida, o menino desapareceu.

Agostinho entendeu que um Anjo, enviado por Deus, veio até ele para, simplesmente, ensinar que o Mistério da SS. Trindade é realmente um mistério, trata-se de uma percepção e não de uma racionalização.

A lenda, que aparentemente é uma apelação autoritária sobre a doutrinária, não nos serve para compreendermos o mistério.  A tradição bíblica do Antigo Testamento nos fala do Deus de Justiça!  Já, o Novo testamento nos apresenta o Deus da Misericórdia, e o Deus que derrama a Graça sobre seu povo.

O que significam Justiça, Misericórdia e Graça no contexto bíblico? Sem estender muito o assunto, podemos entender assim: JUSTIÇA é dar a cada um o que merece: o castigo ou a absolvição! MISERICÓRDIA é não dar a cada um a punição que merece! GRAÇA é dar a cada um o que não merece! (1) 

Mistério é algo que, estando oculto, é revelado! ou seja, quem sabe olhar, o vê! Mistério é algo que está ai, na cara da gente, mas só quem sabe olhar pode ver! E esse seria o olhar da fé!

Não explicamos racionalmente a SS. Trindade; nem estamos dando uma interpretação racional, pois, afinal, não queremos colocar todo o mar em um buraco na praia, mas esta é uma proposta de reflexão que pode ajudar você, leitor e leitora, a refletir no significado desse Mistério e o quê esse Mistério aponta para a sua vida e a vida da Comunidade de Fé:

O Deus Justo se revela em Seu Filho como Deus Misericordioso e se manifesta como o Deus da Graça, movendo seu povo a proclamar que um novo mundo é possível, a Boa Nova de Jesus o Cristo! 

A aventura utópica* da fé nos mantem na esperança desse novo mundo: como diz Aquele que está no Trono, conforme o Apocalipse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21.5b).

* Utopia (gr.: u topos) = não lugar ainda, pode vir a ser lugar; é diferente de Atopia (gr.: a topos) = nunca lugar! Utopia é um horizonte, Atopia é coisa nenhuma!

(1) Devo esta conceituação ao Prof. Dr. Márcio Redondo, em palestra apresentada  durante um evento preparatório para a Assembleia Geral do CLAI, em 2005, na Faculdade Teológica Sul-Americana, na cidade de Londrina (PR).

Rev. Luiz Caetano, ost+

===/===

05 abril 2015

O discípulo viu e creu: Jesus está vivo!

Viu e Creu 2Domingo bem cedo, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi até o túmulo e viu que a pedra que tapava a entrada tinha sido tirada. Então foi correndo até o lugar onde estavam Simão Pedro e outro discípulo, aquele que Jesus amava, e disse: — Tiraram o Senhor Jesus do túmulo, e não sabemos onde o puseram!  Então Pedro e o outro discípulo foram até o túmulo. Os dois saíram correndo juntos, mas o outro correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro. Ele se abaixou para olhar lá dentro e viu os lençóis de linho; porém não entrou no túmulo. Mas Pedro, que chegou logo depois, entrou. Ele também viu os lençóis colocados ali e a faixa que tinham posto em volta da cabeça de Jesus. A faixa não estava junto com os lençóis, mas estava enrolada ali ao lado. Aí o outro discípulo, que havia chegado primeiro, também entrou no túmulo. Ele viu e creu. [...] E os dois voltaram para casa. Maria Madalena tinha ficado perto da entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, ela se abaixou, olhou para dentro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus. Um estava na cabeceira, e o outro, nos pés. Os anjos perguntaram: — Mulher, por que você está chorando? Ela respondeu: — Levaram embora o meu Senhor, e eu não sei onde o puseram! Depois de dizer isso, ela virou para trás e viu Jesus ali de pé, mas não o reconheceu. Então Jesus perguntou: — Mulher, por que você está chorando? Quem é que você está procurando? Ela pensou que ele era o jardineiro e por isso respondeu: — Se o senhor o tirou daqui, diga onde o colocou, e eu irei buscá-lo.   — Maria! — disse Jesus. Ela virou e respondeu em hebraico: — “Rabôni!” (Esta palavra quer dizer “Mestre”.) Jesus disse: — Não me segure, pois ainda não subi para o meu Pai. Vá se encontrar com os meus irmãos e diga a eles que eu vou subir para aquele que é o meu Pai e o Pai deles, o meu Deus e o Deus deles. Então Maria Madalena foi e disse aos discípulos de Jesus: — Eu vi o Senhor! E contou o que Jesus lhe tinha dito.          (Evangelho de João, 20.1-18 – NTLH)
O texto bíblico fala por si mesmo. Tem sua própria linguagem! Tem sua própria semântica, seu contexto e intenção! É pelo teu coração que você precisa ver e crer!
A Fé Cristã só pode ser entendida e experimentada como um dom!  Ele é como poesia... Uma poesia de Ivan Junqueira, pode ajudar a entender isso:

FLOR AMARELA
(Ivan Junqueira - * 1934 , + 2014)
Atrás daquela montanha tem uma flor amarela;
dentro da flor amarela, o menino que você era.
Porém,
se atrás daquela montanha não houver a tal flor amarela,
o importante é acreditar
que atrás de outra montanha tenha uma flor amarela,
com o menino que você era
guardado dentro dela.
Lido dentro de uma lógica cartesiana/aristotélica, o texto se torna absurdo. Lido na perspectiva da fé (e da poesia), o texto ganha significado de esperança, cria sentido para a vida, abre portas para libertação!
Jesus Cristo está vivo! Hoje e sempre!
Rev. Luiz Caetano, ost+

05 setembro 2014

Renovar a vida

(Leia em tua bíblia: Evangelho de João 11.1-45)

Forte é a morte, que tem o poder para privar-nos do dom da vida.  Forte é o amor, que tem poder para restituir-nos o gozo de uma vida melhor. (Balduíno, Tratado 10 )

ressureição de LázaroNo tempo de sua caminhada conosco, Jesus manifestou, muitas vezes, por ações e palavras, a grande esperança da vida que ele vinha oferecer a todas as pessoas. Ele aparece nos Evangelhos como a única luz capaz de esclarecer as nossas dúvidas em torno da morte. Algo que é uma certeza de cada um de nós.

A ressurreição de Lázaro é o sinal mais concreto para afirmar que Ele veio para que tenhamos vida, mas vida em plenitude. Nesta passagem, encontramos Jesus indo ao encontro do amigo morto, para exatamente dizer que a morte não é um fim em sim mesma, mas que pode ser vencida pelo gesto de esperança e amor Nele. É isso que Ele faz com Maria e Marta. Tristes com a morte do irmão e com medo do futuro. Por isso Cristo vai consola-las, mais dizer: “Todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais”!

Através de Sua vida, morte e ressurreição, Ele revela-nos que não somos feitos para “morrer eternamente” e sim “viver eternamente” ou “viver em plenitude”; e não podemos ficar indiferentes diante dos atentados contra a vida, seja qual for, tão frequentes em nossos dias. Entendendo isso, o teólogo Harvey Cox – no seu livro “A Festa dos Foliões”, mostra como a explosão de vida e alegria se relaciona com a fé, a esperança e o amor...

Em certo sentido, nossas indignações contra morte são justas: manifestam-se nas profundezas de nosso ser, de onde brota a convicção de que a vida é algo muito precioso que não pode ser destruída sob qualquer pretexto.

Nossa esperança cristã não deve e não pode ser a de quem aguarda como simples espectador, que espera de braços cruzados algo acontecer, mas de mangas arregaçadas, para agir em Cristo na reconstrução de uma vida de esperança, mais digna e justa para todos.

Por isso o compositor Gonzaguinha numa inspiração, que só pode ser cristã, fala em sua canção:

Viver e não ter a vergonha de ser feliz, /Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. / Eu sei que a vida podia ser melhor – e será! / Mais isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita, é bonita!

Rev. Daniel Rangel, ost+

===/===

20 abril 2014

JESUS CRISTO ESTÁ VIVO!

Jesus Ressucitado com Madalena

A Proclamação do Santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João, no capítulo 20, começando no versículo 1º até o versículo 18º.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida. Então, correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes:

_”Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram.”

Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo e foram ao sepulcro. Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro; e, abaixando-se, viu os lençóis de linho; todavia, não entrou. Então, Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar à parte. Então, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu.  Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos. E voltaram os discípulos outra vez para casa.

Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés. Então, eles lhe perguntaram: _”Mulher, por que choras?”

Ela lhes respondeu: _ “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.”

Tendo dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus.

Perguntou-lhe Jesus: _”Mulher, por que choras? A quem procuras?”

Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: _ “Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.” 

Disse-lhe Jesus:”_Maria!”

Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: _“Raboni!” (que quer dizer Mestre)

Recomendou-lhe Jesus: _”Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.”

Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor! E contava que ele lhe dissera estas coisas.

Este é o Evangelho do Senhor!

===/===

25 fevereiro 2014

Um olhar para as Bem Aventuranças

discipulo

Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo: "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.   Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque  alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.    Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. (Mateus 5.1-12 – Almeida,R.A.)

Na Tradição do Antigo Testamento, a Lei declarada por Moisés se torna lei dos hebreus. Todavia, com o passar do tempo foi reinterpreta pelos interpretes autorizados (escribas e fariseus) para favorecer, no tempo do Novo Testamento, os religiosos e as elites judaicas, se tornando opressora e excludente do povo mais simples da época.

Os mais simples não tinham como observar os inúmeros preceitos lei que eram impostos para eles, sendo considerados sempre “pecadores”, “devedores” para com os códigos de purificação a serem cumpridos no Templo, através de sacrifícios e ofertas. Por outro lado, as elites do Templo e das Sinagogas, cumprindo esses preceitos, julgavam-se “puras”, “justas” e “santas”.

Neste contexto que é declarada as Bem Aventuranças (no grego: makarion), Jesus proclama um caminho alternativo para o povo simples, um caminho de justiça e amor, um olhar para vida de maneira mais leve e livre. As bem aventuranças não têm a intenção de substituir a Lei mosaica. Antes, são um chamado, ou uma proposta, para uma nova vida, com a prática da Justiça conduzindo ao Amor e à Paz. Priorizando o direito à vida plena, Jesus empenha-se em retirar as amarras das interpretações equivocadas da Lei, opressoras e excludentes, colocando a Lei no devido lugar sempre a favor do povo simples, humilde e explorado.

Sendo assim a mensagem das bem-aventuranças para hoje se torna mais ao menos assim: Os pobres descobrem seu espaço nas comunidades que vivem a partilha. Os que choram passam a sorrir no novo convívio da fraternidade. Os mansos cativam os corações aproximando-se uns dos outros. Os que tem fome e sede de Justiça são saciados pela conquista disto. Os misericordiosos, cheios de compaixão, livram aqueles que tem sua consciência impregnada de culpabilidade por causa desta visão opressora da vida. Os de coração puro são sensíveis a tudo o que é justo para todos sem discriminação. Os pacificadores se comprometem na construção de um mundo livre da ambição, da violência, do consumismo desenfreado, do hedonismo e egocentrismo.

A pratica do amor é libertador! subverte a ordem vigente porque sempre pensa no outro, na concórdia, nos que estão perto e longe. Infelizmente quem assume esta posição é perseguido, difamado, morto. Mas a alegria de unir a sua vida em comunhão com todas as pessoas, juntamente com Pai – que é amor, fraternidade e paz – é  eterna e não cessam neste mundo. Por isso o Cristo fala em “Alegrai-vos e regozijai-vos, pois grande é o vosso galardão nos Céus!”

Rev. Daniel, ost+

===/===

24 dezembro 2013

Onde está o Menino?

Ache o bebe“Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer. E foram apressadamente e acharam Maria e José, e a criança deitada na manjedoura.” (os pastores, cf. Lucas 2.15b-16)

“Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para adora-lo.” (os Magos, em Jerusalém, cf. Mateus 2.2)

“...então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer.” (atitude de Herodes, cf. Mateus 2.4)

“...Herodes, tendo chamado secretamente os Magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. E enviando-os a Belém, disse-lhes: ‘Ide informar-vos cuidadosamente a respeito; do menino; e quando o tiverdes encontrado, avisai-me para eu também ir adora-lo.” (Herodes, aos Magos, cf. Mateus 2.7-8)

“Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram...” (os Magos, em Belém, cf. Mateus 2.11)

“Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho à sua terra” (os Magos, cf. Mateus 2.12)

Onde está o Menino?

Cada um, por sua própria motivação, faz essa pergunta, e recebe a resposta que merece:

    • a) Os pastores, gente simples, excluída e que vivia fora da cidade, não perguntaram; a eles foi revelado gratuitamente pelos anjos; a eles foi anunciada a chegada do Salvador!
    • b) Os Magos do Oriente, que provavelmente seriam exorcizados na maioria das mega-igrejas pós-modernas, não eram judeus, não eram do povo eleito, a eles foi reveladosegundo a sua própria maneira de conhecer o Sagrado – a chegada do Rei. E eles partiram para vê-lo e adora-lo e indagaram... os mesmos Magos que recebem do Divino a advertência de não mais procurarem Herodes e regressarem por outro caminho: vieram de um jeito, retornaram de outro, desta vez guiados não mais pela estrela, mas pelo Divino!
    • c) Herodes, o rei, o poderoso, judeu mestiço, parte do povo eleito, mas lacaio do Império Romano que a tudo e todos dominava, em seu coração temeu perder o poder e as regalias, para ele a resposta não foi dada, e em seu desespero, tornou-se assassino pelo medo de perder o poder.

Neste início do século XXI, já desde o final do século XX, celebramos o Natal em meio ao consumismo, ao Papai Noel, aos banquetes e às vazias mensagens de paz e boa-vontade (no dia 26 os bancos e a agiotagem geral, impiedosamente, estarão liquidando vidas – como Herodes - em nome de dívidas e amparados pela lei – talvez até mesmo de alguns que receberam sua mensagem natalina); mas a pergunta ainda está presente: Onde está o Menino?

Talvez o Menino esteja entre os moradores de rua, que no dia 26 estarão buscando no lixo, as sobras dos banquetes do desperdício, recolhendo caixas de papelão dos brinquedos e TV’s digitais, para vender a fim de poder comprar pão e um pouco de dignidade...

Talvez o Menino esteja em algum assentamento de pobres migrantes no terceiro mundo – como aliás, estava em Belém....

Talvez o Menino esteja em algum lar muçulmano na Palestina, sem esperança futura de uma cidadania com dignidade, pois isso lhes é negada por um Estado de opressão...

Talvez o Menino esteja em algum cidade iraquiana ou afegã, entre as ruínas do assassinato... que motiva mais assassinatos... talvez o Menino acabe se tornando um terrorista, porque de Salvação só lhe restará a vingança...

Talvez o Menino esteja em algum acampamento de assolados pela seca, pela fome e pela opressão em algum canto da África, sem futuro, sem esperança, sem nada…

Talvez o Menino esteja na pequena e pobre comunidade cristã em alguma periferia ou favela controlada pelo tráfico de drogas, esquecida dos serviços públicos e à mercê da boa-vontade dos traficantes e dos milicianos…

Talvez hoje o Menino seja também uma Menina, qualquer criança ameaçada de viver, no futuro, em um mundo onde a água será privilégio e a natureza estará, em sua loucura, vingando tudo aquilo que a humanidade destruiu em nome da riqueza e do progresso.

Mas com certeza – e assim nos mostram Lucas e Mateus – o Menino não está nos grandes palácios dos poderosos (fosse em Roma, ou Jerusalém naquele tempo, seja em Washington, Bruxelas, Moscou, Brasília e tantos lugares onde o poder se instala em palácios cercados de barracos...).

Com certeza não estará entre os donos da verdade que, em sua arrogância, negam a diversidade e demonizam todos que diferem ou discordam deles...

Com certeza não estará nos mega-templos dos shows mirabolantes e da venda do sagrado...

Com certeza não estará como membro de qualquer instituição religiosa que segue a própria lógica da manutenção de seu “status quo”...

O Menino quer estar no teu coração... mas para isso é preciso que faças a pergunta certa, com o motivo certo, e não tenhas medo se a resposta não for aquela que imaginas.

O Menino nasce no estábulo, na periferia, é revelado entre pastores que vivem fora da cidade e é visto pelos Magos, que vieram de longe seguindo uma estrela. Não seja um Herodes!

Rev. Luiz Caetano, ost+

---/---

20 agosto 2013

Os muitos rebanhos do Bom Pastor

JesusCristo Pastor

Jesus se identifica como Bom Pastor, aquele que dá a vida pelas suas ovelhas, aquele que é reconhecido por elas:

“Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. [...] Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim,  assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.   Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.”  (Evangelho de João 10.1-5;11-16 – Almeida, R.A.)

O Bom Pastor tem rebanhos em todo o mundo. Os rebanhos não são todos iguais, porque as ovelhas também não são todas iguais. A diversidade da Igreja de Cristo é uma bênção para que se cumpra o pedido do Senhor, que todas as pessoas possam ter acesso ao Evangelho de Cristo e à Vida em Plenitude que Ele concede.

Essa Vida em Plenitude é dada por Cristo, não por uma denominação religiosa. As diferentes igrejas (instituições e denominações religiosas) são parte da IGREJA DE JESUS CRISTO (que é simplesmente a Comunidade Universal de Comunhão, Serviço e Testemunho à Luz do Evangelho).

Se você se sente uma ovelha fora do rebanho, como que perdida ou desgarrada, dê uma chance ao Bom Pastor, que está à sua procura!

Talvez possamos ser o redil que você está buscando!

Rev. Luiz Caetano, ost+

===/===

30 março 2013

JESUS RESSUSCITOU! ALELUIA!

Jesus ressuscitado

      “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida. Então, correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram. Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo e foram ao sepulcro.  Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro;  e, abaixando-se, viu os lençóis de linho; todavia, não entrou. Então, Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis,  e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar à parte.  Então, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos.E voltaram os discípulos outra vez para casa.
Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés. Então, eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela lhes respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Tendo dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus.  Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer Mestre)! Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus. Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor! E contava que ele lhe dissera estas coisas.”  (João 20.1-18)

Cristo ressuscitou! O Senhor vive no meio de nós!

Ele está conosco até o fim dos tempos!  Para sempre!

===/===

22 março 2013

Oração Consciente e Coerente

Jesus_orando- de dia Jesus fazia da oração o recurso para aquietar sua humanidade a fim de ouvir e falar com o Pai. Assim, contam os Evangelhos, ele recebeu orientação para, por exemplo, escolher seus discípulos, e também receber o conforto no Horto antes de ser preso. Na oração, o homem Jesus experimenta profunda comunhão com Seu Pai.

Certa vez um dos discípulos pediu a Jesus que os ensinasse a orar, e Jesus ensinou a oração que conhecemos como Oração Dominical ou Pai-Nosso, a oração que recitamos em comunidade e também individualmente.

Todavia a oração não se resume em uma fórmula definida que se repete, nem em ritos. A oração é mais que isso, é um estado consciente em que o coração humano pode entrar em comunhão com Deus mediante o Cristo, pois toda oração cristã é feita em nome do Senhor Jesus Cristo; ou seja, Jesus ora conosco quando oramos, e assim entramos na intimidade de Deus – o Pai – em  comunhão com Seu Filho. A oração nos dá acesso Àquele que nos criou e que nos conhece profundamente e, em amor misericordioso, supre nossas necessidades. 

Refletindo a partir da oração que Jesus nos ensinou, podemos tirar algumas lições sobre a oração cristã, orientando-nos para nosso momento pessoal de oração e também quando oramos com outras pessoas cristãs. Vamos fazer uma breve reflexão com base no texto que se encontra em nosso Livro de Oração Comum (LOC), ou seja, a fórmula que utilizamos em nossa oração comunitária.

“Pai Nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu Nome; venha o teu Reino; seja feita a Tua Vontade assim na terra como no céu”.

A oração é sempre dirigida ao Pai, é com o Pai que entramos em comunhão quando oramos. Assim, toda oração é louvor e reconhecimento do Nome Santo de Deus e de Sua Glória. A oração é também testemunho de submissão e confiança à vontade soberana de Deus, e manifestação de adesão ao Seu Reino como horizonte de nossa vida.

Talvez algumas pessoas considerem desrespeitosa a forma de tratamento para com Deus (segunda pessoal do singular), diante da majestade de Deus. Todavia, mesmo sendo Soberano, Ele deseja uma intimidade conosco, intimidade de companheiro, intimidade de quem se sabe Senhor mas, acima de tudo, se apresenta como Pai Amoroso. Não se trata de irreverência, mas de reconhecimento de intimidade que o próprio Deus concede. Assim, a ousadia de chamar Deus de Tu é, na verdade, reconhecimento de Sua Majestade Misericordiosa.

“O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje”.

A oração inclui o reconhecimento de nossas necessidades colocando-as diante do Pai Amoroso em plena confiança que Ele nos supre. Importante notar que a petição é  para hoje, não para amanhã ou para os próximos anos! Não há necessidade de cronogramas em nossa relação com Deus, pois Deus não tem relógio, nem calendário; o tempo de Deus é sempre o hoje, porque para Deus não há passado, nem presente, nem futuro. A confiança em Deus deve ser tal que nos liberta da ansiedade pelo futuro, e nos permite gozar as dádivas de Deus em cada momento de nossa vida. Jesus afirmou que devemos buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e tudo que necessitarmos nos será acrescentado (cf. Mateus 6.25-34).

“Perdoa as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos os nossos devedores”.

Não se trata apenas de reconhecimento e confissão de pecados! Naturalmente, cada vez que oramos, devemos reconhecer diante de Deus nosso pecado, nossa incapacidade de viver de forma absolutamente solidária e em obediência à Vontade Soberana de Deus. Mas é principalmente reconhecer que somos devedores de Deus, pois Ele nos ama incondicionalmente, atua em nossa vida com misericórdia e nos concede a Graça (de graça) porque o próprio Jesus, Seu Filho, já expiou para sempre os nossos pecados. Assim, invocar o perdão de Deus estamos afirmando também nossa disposição de sermos misericordiosos uns com os outros. O “assim como”  da oração não é uma condição, mas uma disposição solidária de sermos misericordiosos, uma abertura à graça de Deus que nos torna misericordiosos. Novamente o texto de Mateus 6.25-34 nos lembra: buscar o Reino de Deus e sua justiça, a justiça de Deus é misericórdia.

“Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do Mal”

Como seres históricos, vivemos cercados pela tentação. A tentação da auto-suficiência e de ocuparmos o lugar de Deus. Ao pedirmos livramento da tentação, estamos sendo coerentes com nosso desejo de submissão ao amor e à vontade de Deus, confiando plenamente em Deus.  Evitar ou não ceder à tentação é exercício de subordinar nossa vontade e nosso desejo à bondade de Deus. Deus não nos permite uma tentação maior que a Graça que nos concede para vencê-la!

Como não temos poder absoluto sobre nossas vidas, estamos à mercê do Mal. O Mal nos atinge sempre de forma imprevista e, por mais que cuidemos e ajamos com prevenção, não podemos evitá-lo de forma absoluta. Assim, precisamos contar om o livramento que vem de Deus. 

“Pois Teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre”.

Terminamos a oração louvando e afirmando o senhorio de Deus, uma forma de manifestar a gratidão pelo Seu Amor.

Uma coisa sempre me chamou a atenção no “Pai Nosso”: é uma oração feita no plural. Quando oramos sozinhos não dizemos “Pai Meu”, nem pedimos “o meu pão de cada dia”, ou “me livre do Mal”! Sempre a recitamos no plural,ou seja, quando estou orando não estou orando apenas por mim, mas estou incluindo outras pessoas! A oração por si mesma é inclusiva e intercessora! Ao orar o Pai Nosso, estou me colocando como parte de Seu Povo, de Sua Igreja, e incluindo todos os irmãos e irmãs nessa oração. Não basta buscar o Reino de Deus, mas também a sua justiça! A justiça do Reino é inclusiva!

Nossa oração pessoal deve ser sempre consciente e coerente; para isso deve ser inspirada no “Pai Nosso”, a oração por excelência, legada a nós pelos discípulos de Jesus que a aprenderam com ele. Não há lugar para petições egoístas, nem há lugar para determinar o que Deus deve fazer. A oração consciente e coerente sempre vai afirmar nossa gratidão pelo Amor de Deus que fala mais alto que nossos desejos e sonhos, é inclusiva e intercessora, e dá testemunho de nossa dependência da vontade soberana de Deus!

Rev. Luiz Caetano, ost + , em Recife.

===/===

04 março 2013

Uma nova chance!

figueira_esteril
O Evangelho de Lucas é conhecido como o Evangelho das Parábolas. De fato, escrevendo para cristãos helenistas, não necessariamente de origem judaica, Lucas transmite o Evangelho através das pequenas estórias que Jesus contava para ilustrar o ensino sobre do Reinado de Deus e a Boa Nova que estava anunciando. Essas pequenas estórias são chamadas de parábolas. Vamos conversar sobre uma delas, a Parábola da Figueira Estéril:
“Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la.”  (Lucas 13.6-9; Almeida, R.A.)
Chama atenção que se trata de uma vinha, plantação de uvas, onde havia uma figueira. Porque uma figueira entre as parreiras? talvez estivesse de lado, e sua função seria oferecer os figos! Talvez  por causa dos figos, o dono da vinha concordou em deixar ali a figueira. O fato é que estava ali a figueira, provavelmente há muitos anos, pois sabemos que figueiras vivem por mais de século. Porém, há três anos não oferecia seus frutos. Estava estéril, talvez já bem idosa.

08 fevereiro 2013

Sobre milagres: não basta ler, é preciso compreender!

Os 4 Evangelhos 2Muita gente lê os Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) como se fossem um registro histórico sobre Jesus, isto é, uma “biografia” de Jesus. Se realmente os Evangelhos fossem uma biografia ou um simples relato histórico sobre Jesus, a Igreja Primitiva, quando estes textos foram escritos, os chamaria de Crônicas e não de Evangelhos. Desde cedo os textos que relatam situações da vida de Jesus foram escritos não visando um registro factual, mas para anunciar uma boa notícia, dai serem chamados Evangelhos, palavra grega que significa Boa Notícia, Boas Novas… Ler os Evangelhos com a preocupação de quem lê uma biografia é perder a perspectiva dos autores, é não perceber as boas novas anunciadas.

E mais, a pessoa fica confusa porque os textos não são coerentes entre si, embora Mateus, Marcos e Lucas sejam bem semelhantes, pois foram escritos praticamente no mesmo contexto histórico e geográfico e na mesma época, 30 a 40 anos após o surgimento das comunidades cristãs (evento de Pentecostes). Porém o Evangelho de João surge após o ano 90, em um contexto muito específico e destinado a uma população bem específica: as comunidades judaico-cristãs dispersas em uma região da Ásia que hoje conhecemos como Turquia, as chamadas comunidades joaninas, que viviam a experiência da perseguição pelo Império Romano e pelas sinagogas judaicas, pois em 90 d.C. o Concílio Rabínico reunido em Jamria (Palestina) decidiu que os cristãos eram anátema e os cristãos não poderiam mais participarem da sinagoga.

As narrativas dos milagres de cura que Jesus realizou , por exemplo, querem dizer muito mais do que um simples fato miraculoso. Hoje em dia, as filosofias de prosperidade e auto-ajuda reduzem as narrativas das curas a um simples ato de magia e curandeirismo; porém Jesus não era um curandeiro, (haviam muitos em seu tempo, e prestavam um serviço relevante às populações pobres – como ainda hoje), nem era um mago; Jesus era chamado de Mestre, era conhecido como um rabino, alguém que explica e interpreta a Lei e os Profetas, bases da fé judaica.

Essa forma barata de compreender os milagres reduzem a Fé em Jesus Cristo a uma simples relação de troca com Deus! e um Deus injusto e cruel, porque não faz milagres para todo mundo! As pessoas, iludidas por uma interpretação simplória e geralmente forçada do texto bíblico, vivem no desespero da busca pelo milagre, fazendo mil sacrifícios e práticas insensatas de religiosidade para “merecer a atenção de Deus”; e se o “milagre” não acontece, sentem culpa porque “não tiveram fé suficiente” ou não ofereceram aquilo que Deus desejava delas (geralmente dízimos, trízimos, promessas, etc.). Assim, a narrativa de um “milagre” de Jesus não traz nenhuma Boa Notícia, apenas falsas esperanças… como quando a gente lê a notícia de que alguém ganhou sozinho a Mega-Sena.

Se a intenção da Igreja Primitiva fosse apenas dizer que Jesus fazia milagres, não precisava narrar os fatos com certos detalhes, bastaria uma lista de curas e milagres, sem dar muita explicação sobre como e onde aconteceram. Exatamente por serem narrativas que querem dizer mais que as palavras escritas – apresentar uma Boa Nova! – é que esses textos devem ser lidos e apreendidos com mais profundidade, conhecendo-se seu contexto, pessoas envolvidas, lugares… tudo isso traz uma mensagem que os cristãos àquela época entendiam muito bem e percebiam realmente a Presença de Deus agindo no Mundo – e não apenas na vida de algumas poucas pessoas merecedoras desse carinho divino; todos podiam perceber e experimentar essa ação carinhosa e poderosa de Deus no mundo e em suas vidas, sem esperar por coisas absolutamente mágicas!

Milagres realmente acontecem! mas não acontecem por si mesmos, nem por exibicionismo de Deus! milagres são sinais e significam muito mais do que o fato em si mesmo. É preciso ver além do fato, é preciso compreender a ação de Deus, permitir que Deus Se revele hoje, como Se revelou aos nossos ancestrais na fé.

Por isso, é muito importante que a comunidade da Igreja se reúna, sempre sob a inspiração do Espírito Santo, também para o Estudo da Palavra de Deus, da Bíblia, além da vivência sacramental comunitária e das reuniões de louvor e de oração. É muito importante a leitura pessoal e devocional da Escritura Sagrada, mas também é importante que a comunidade estude e compreenda em profundidade o texto bíblico, para realmente compreender o que Deus está fazendo e nos dizendo hoje!

--------

Em nossa comunidade paroquial buscamos estudar a Palavra de Deus através dos Sermões de nossos pastores, nos ofícios comunitários. Mas precisamos de mais! Por isso, em breve estaremos divulgando encontros para estudos da Palavra de Deus, além dos nossos ofícios litúrgicos.

Aguarde!

Rev. Luiz Caetano, ost+

===/===

31 dezembro 2012

O Natal e a Plenitude dos Tempos

natividade_sexto_sentido_14_0001_500_x_396São Paulo escreveu ao Gálatas:

                    Antes que viesse esta fé, estávamos sob a custódia da lei, nela encerrados, até que a fé que haveria de vir fosse revelada. Assim, a lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Agora, porém, tendo chegado a fé, já não estamos mais sob o controle do tutor. Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus. E, se vocês são de Cristo, são descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa. Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações, o qual clama: "Aba, Pai". Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro. (Gálatas 3.23-29; 4.4-7 – N.V.I.)

É uma pena que para muitas pessoas o nascimento de Jesus signifique apenas um momento do ano para se ganhar presentes. Nada contra os bonitos presentes que ganhamos neste momento especial do ano, mas não podemos reduzir o Natal a isso.

Quando lemos as escrituras, e em especial a perícope acima, nos damos conta que o primeiro Natal não significou exatamente aquilo que as pessoas hoje leem e acreditam. O primeiro Natal é descrito neste texto como sendo um momento especial. Ele é descrito como a “plenitude dos tempos”.

Por causa desta visão tão especial que Paulo tinha acerca do Natal, nos animamos a refletir hoje sobre o seguinte tema: “Quando a plenitude dos tempos chega…”

Quando a plenitude dos tempos chega, em primeiro lugar, somos livres da escravidão (v. 4, 5):O apóstolo Paulo descreve nossa relação com a Lei ( O Pentateuco), que regia os relacionamentos entre Deus e os homens, como uma relação de submissão. Ele nos diz, por exemplo, que todos estávamos “encerrados” (3:23) ou  seja “aprisiona-dos”, “tutelados” (3.23) e “submetidos” (3:25) a ela.

Quando Paulo nos diz que a Lei nos servia de “tutor”, ele estava dizendo que a Lei era uma espécie de guia que deveria nos levar até a escola para que aprendêssemos algo. E, de fato, a Lei nos ensinou o quão pecadores somos. O grande mérito da Lei, segundo Paulo, foi nos ensinar que somos pecadores. Foi nos revelar quem, de fato, somos, e quão necessitados estamos de um médico. A Lei, contudo, era incapaz de apresentar um remédio para a realidade que ela, tão eloquentemente, descrevia. A chegada da plenitude dos tempos, identificado por Paulo como o envio do Filho (v. 4), contudo a realidade muda: O período de escravidão está no fim e a libertação se aproxima.

Quando a plenitude dos tempos chega, em segundo lugar, somos transformam em filhos (V.6). Que mudança radical Paulo descreve aqui! Paulo se serve de uma figura para explicar esta mudança: a figura de uma família. Nas famílias da época além dos pais e dos filhos, havia também os escravos.

Estes não gozavam, obviamente, das mesmas condições e privilégios que eram próprios aos filhos. Contudo, com a chegada da plenitude dos tempos, os escravos são agora transformados em filhos. Eles são, segundo o texto, resgatados (v.5) do poder da Lei e adotados como filhos. A marca mais forte de que agora somos “filhos de Deus” é nosso direito de dizer aquilo que só os filhos legítimos podiam dizer: “Aba, Pai” (v.6), que significa “paizinho”.

Finalmente, quando a plenitude dos tempos chega, em terceiro lugar, somos contados entre os herdeiros (v.7). Uma vez que Deus nos resgatou dos grilhões da Lei, uma vez que ele nos adotou como filhos e nos deu o direito de chamá-Lo como os filhos legítimos o chamam; Ele, na plenitude dos tempos, também nos fez seus herdeiros. Como membros da família de Deus somos também beneficiários e herdeiros de todos os bens de nosso Pai. Esta figura nos assegura que a “fazenda” do Pai pertence a seus filhos e filhas, assim como o “Reino” de Deus também nos espera. E o que nos garante a posse e a entrada nesta nova realidade em que mora a paz, é a plenitude dos tempos, que já chegou.

Esse o grande significado do Natal!

Rev. Daniel, ost

===/===

19 dezembro 2012

Notícia Extraordinária !!!

Zacarias_e_anjo_Gabriel

Anjos são seres celestiais que estão junto do trono de Deus. Há uma enorme quantidade de anjos, de vários tipos, segundo as Escrituras: anjos, arcanjos, querubins, serafins, tronos, potestades… Mas o nosso assunto aqui não é exatamente sobre anjos, mas sobre um anjo em especial, chamado Gabriel, um Arcanjo (um anjo importante!!!).

Os Arcanjos são mensageiros especiais que trazem uma informação sobre o agir de Deus. Os nomes dos Arcanjos já indicam isso. Assim, Micael (Miguel), significa Deus Luta; Rafael significa Deus Cura; e Gabriel significa Deus Fala, Deus comunica.

Gabriel é o Anunciador do que Deus está fazendo e fará em breve; é o portador de notícias, de novidades! No início do Evangelho de São Lucas, o Arcanjo Gabriel é um personagem importante: ele traz notícias, boas notícias!

Eu sugiro que você leia com atenção Lucas 1.5-38. É um texto muito grande para colocar aqui no blogue; conta das visitas que o Arcanjo Gabriel fez a duas pessoas: a um sacerdote chamado Zacarias e a uma jovem chamada Maria. Nas duas visitas, Gabriel informa que Deus está agindo e em breve fará algo extraordinário!

Deus está para cumprir uma promessa, que foi anunciada pelos profetas e que era esperada pelo povo judeu, desde tempos muito antigos: Deus vai restaurar sua aliança com os seres humanos, vai começar uma nova relação com a humanidade.

Assim, Gabriel primeiro visita Zacarias, um sacerdote piedoso, já de idade avançada, que estava de serviço no Templo em Jerusalém, e anuncia que ele terá um filho, um homem especial, que virá para anunciar a chegada do Salvador, vem preparar o caminho, um caminho que será novo e inaugurado com a chegada do Ungido de Deus:

"Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor".

Assim, no tempo certo após a visita de Gabriel, a esposa de Zacarias, Isabel, deu à luz um menino que recebeu o nome de João e veio a ser São João Batista, aquele que testemunhou o Cristo quando Jesus chegou para ser batizado por ele. Nos três primeiros domingos do Advento nossa comunidade estudou sobre São João Batista, seu ministério e seu testemunho sobre Jesus, o Cristo.

Seis meses após falar com Zacarias, o Arcanjo Gabriel visitou uma jovem chamada Maria, que vivia em Nazareth, pequena aldeia situada na Galileia – uma região pobre e mal vista pelas pessoas que habitavam nas proximidades de Jerusalém. O que Gabriel revela a Maria é algo extraordinário: ela terá um filho, não um filho simplesmente, mas ela será mãe do Filho de Deus! Ela dará sua carne para que Deus se torne humano e viva entre as pessoas:anunciacao

O anjo, aproximando-se dela, disse: "Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!" Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no que poderia significar esta saudação. Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim". Perguntou Maria ao anjo: "Como acontecerá isso, se sou virgem?" O anjo respondeu: "O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus”.

Ao contrário de Zacarias, que duvidou das palavras do Arcanjo, Maria – mesmo surpresa e sem entender exatamente o que aquilo significava – colocou-se à disposição de Deus e aceitou ser serva do Senhor!

Os cristãos antigos, para afirmarem sua fé na divindade de Jesus Cristo, deram a Maria o título de Teotókos , portadora de Deus, mais literalmente, “paridora de Deus” (hoje nós a denominamos Mãe de Deus): aquele homem nascido de Maria é o próprio Deus que se encarnou e se tornou parte real da história humana, o Emanuel – Deus Conosco!

Gabriel trouxe uma notícia extraordinária: Deus vem estar conosco para sempre! Celebramos isso no Natal! Jesus não nasce de novo; mas nós celebramos seu nascimento, e oramos para que ele possa nascer no coração de muita gente que ainda não O conhece.

Nós não precisamos que o Arcanjo Gabriel venha nos anunciar novidades extraordinárias! Jesus o Cristo, humano conosco, divino com Deus, está vivo e presente na vida de quem O aceita e O acolhe. Juntamente com o Pai, enviou-nos o Espírito Santo que se manifesta como Deus agindo em nossas vidas, criando o novo, apontando horizontes, renovando a esperança. Se você abrir seu coração ao senhorio de Cristo, você perceberá, pela inspiração do Espírito Santo, o agir de Deus.

Veja bem ao seu redor, Deus está agindo! Deus não está ausente, nem nos deixou à mercê de nossa própria sorte. Ele está conosco em nossa vida, em todos os momentos. É isso que vamos celebrar no Natal: a presença de Deus na história humana, como parte da humanidade, companheiro de caminho, amigo solidário!

Cada pessoa cristã é vocacionada para ser missionária, ser, ao mesmo tempo, como Gabriel (trazendo uma boa notícia!), como João Batista (anunciando o Cristo que já é presente!), e como Maria (portadora de Deus, trazendo Deus para a vida das pessoas!).

Deixe Deus operar em sua vida e você terá boas notícias para anunciar às pessoas que estão ao seu redor. Tente viver isso de forma mais intensa neste tempo de Natal. Será um Natal diferente, um Natal realmente feliz!

Rev. Luiz Caetano, ost+

===/===