Os artigos deste blogue expressam o pensamento de seus autores, e não refletem necessariamente o pensamento unânime absoluto da comunidade paroquial. Tal unanimidade seria resultado de um dogmatismo restrito e isso contraria o ethos episcopal anglicano. O objetivo deste blogue é fornecer subsídios para a reflexão e não doutrinação. Se você deseja enviar um artigo para publicação, entre em contato conosco e envie seu texto, para análise e decisão sobre a publicação. Artigos recebidos não serão necessariamente publicados.

Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Missão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Missão. Mostrar todas as postagens

23 maio 2017

Ascensão: espiritualidade pé no chão!

ascensãoA narrativa da ascensão de Jesus aparece em três versões: em Marcos, em Lucas e nos Atos dos Apóstolos. Mateus e João não contém essa narrativa, a partir do contexto em que estes Evangelhos foram escritos.

O Evangelho segundo Marcos faz uma pequena referência à ascensão do Senhor e conclui afirmando estar Ele à direita de Deus (significando que Ele detém o poder de Deus).

Mas em Atos dos Apóstolos e no Evangelho de Lucas, a narrativa é bem detalhada, embora um pouco diferente nos dois livros.

Lucas conclui afirmando, como Marcos, que o Cristo foi se afastando e levado para o Céu (lugar de Deus) e os discípulos retornam a Jerusalém cheios de alegria. Mas o Livro de Atos apresenta um detalhe importantíssimo:

1.8 Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e se-rão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra. 9 Depois de ter dito isso, Jesus foi levado para o céu diante deles. Então uma nuvem o cobriu, e eles não puderam vê-lo mais. 10 Eles ainda estavam olhando firme para o céu enquanto Jesus subia, quando dois homens vestidos de branco apareceram perto deles 11 e disseram: — Homens da Galileia, por que vocês estão aí olhando para o céu? Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu voltará do mesmo modo que vocês o viram subir. (Atos 1.8-11 - NTLH)

28 agosto 2016

Vem ai o Centenário! Centenário???

IgrejaNossa Comunidade paroquial completou este mês de agosto, 99 anos. Quando falamos assim, temos a impressão de uma continuidade no tempo, sem interrupções, como se fôssemos a mesma comunidade que surgiu na Rua Aprazível, no alto de Santa Teresa, em 1917*.  Na verdade, somos e não somos!

Somos, à medida em que a comunidade hoje existente mantém a mesma Tradição, a mesma identidade e a mesma presença de testemunho solidário em Santa Teresa, desde quando o Rev. Meen aqui chegou atendendo ao chamado do Dr. Francisco de Castro Junior, para cuidar da espiritualidade das pessoas internadas na Assistência de Santa Teresa, pessoas pobres que sofriam de febre amarela e tuberculose.  Somos, à medida que hoje nossa pequena comunidade herdou o belo templo e a responsabilidade de mantê-lo e preservá-lo. Somos, à medida que os clérigos e clérigas que hoje presidem em nosso altar e ensinam em nosso púlpito seguem a mesma orientação doutrinária e litúrgica em sucessão às gerações de clérigos que exerceram seu ministério diaconal e sacerdotal como Ministros Encarregados e posteriormente Párocos, Coadutores e Colaboradores. A mesma herança apostólica ordenou aqueles clérigos do passado e os do momento presente.

Mas não somos, se considerarmos que a maioria de nós que hoje pertence à comunidade, ou a frequenta, não descende daquelas pessoas que há 99 anos fundaram a comunidade. Não somos, portanto descendetes dos fundadores, embora os consideremos nossos Ancestrais (mas não Antepassados). Hoje somos uma comunidade pequena de pessoas que optaram a prosseguir seu seguimento a Jesus o Cristo nesta tradição, se reunindo em adoração e serviço neste templo, na comunhão desta denominação religiosa cristã, parte da Única, Una e Diversa Igreja de Cristo, espalhada por todo o mundo em diferentes formatos, tradições, ritos e expressões de sua fé.

11 fevereiro 2016

Deus é muito chato!

Não estou blasfemando! Isso é dito, com muitas palavras indignadas, no Livro de Jonas.

O Livro de Jonas é uma fábula. Explico: seu texto é um tanto absurdo, mas traz uma lição importante: a lição sobre o que significa ser Profeta.  Trata-se de um texto singelo e até divertido; é um desabafo e, ao mesmo tempo, uma advertência para quem recebe o chamado para ser Profeta (e o aceita).

Vamos ver o que o Livro de Jonas nos ensina sobre o ser Profeta (as citações são da Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil)

Certo dia, o SENHOR Deus disse a Jonas, filho de Amitai:  — “Apronte-se, vá à grande cidade de Nínive e grite contra ela, porque a maldade daquela gente chegou aos meus ouvidos”. Jonas se aprontou, mas fugiu do SENHOR, indo na direção contrária. Ele desceu a Jope e ali encontrou um navio que estava de saída para a Espanha. Pagou a passagem e embarcou a fim de viajar com os marinheiros para a Espanha, para longe do SENHOR.  (Jn 1.1-2)


Estava lá o Jonas, tranquilo e sossegado, cuidando de sua vida. Então Deus o chamou e o mandou ir a Nínive! Caramba! Nínive?! a capital da Assíria, um Império cruel (como todos os Impérios), que arrasou o Reino do Norte (Israel) e levou seu povo ao cativeiro?!?! Mas que coisa chata!

22 novembro 2015

Milagres Acontecem?!

Viuva de Naim 2
Várias vezes acontece de pessoas me pararem na rua e perguntarem: “Padre, sua Igreja faz milagre?”  ou então: “Estou interessado na sua Igreja; o que ela tem para oferecer?”
É muito complicado dar uma resposta a perguntas desse tipo. Obviamente,  militantes imprudentes do proselitismo dirão que a resposta é simples: responder “Sim” à primeira questão e responder mostrando as atividades da igreja no caso da segunda, e, óbvio, convidar para que venha conhecer a igreja, que será bem recebido, que Jesus tem um presente para a pessoa, etc.
Mas não é tão simples, porque, por trás dessas perguntas estão alguns equívocos, e até mesmo uma disfarçada idolatria consumista, além de, muitas vezes , uma mente desesperada, uma alma aflita.
Eu costumo manter o diálogo assim:
“Padre, sua Igreja faz milagre?”  Respondo: “Olhe, a Igreja não é minha, mas é de Cristo; e ela não faz milagre, Deus é quem faz, em qualquer lugar e até lá… mas nós não fazemos disso uma propaganda para atrair pessoas, porque o milagre não é um mérito da Igreja, mas uma graça que Deus concede às pessoas que têm fé. Quando isso acontece, nós louvamos a Deus, mas não ficamos divulgando por ai, porque Deus não precisa de publicidade, nem milagres são possíveis de serem comprados. Você quer que eu ore com você?”
“O que a sua Igreja tem para oferecer?”  Respondo: “Olhe, a Igreja não é minha, mas é de Cristo. Ela tem para oferecer algo muito pequeno, nada de espetacular que esteja disponível em um Shopping. O que ela oferece cabe na palma da mão, Jesus disse que é do tamanho de uma sementinha… mas não se compra isso, nem se ganha com dinheiro, bajulação e arrogância; é de graça, mas requer muita humildade. E tem uma coisa importante que você precisa saber: exige compromisso e comprometimento. Você está mesmo interessado? Se estiver, será bem vindo!”

25 agosto 2015

Um pouco de História para deixar claro algumas coisas…

Boa Nova
Hoje em dia o adjetivo “evangélico” está substantivado, como identidade de grupos religiosos dos mais diversos, todos se afirmando “cristãos”, embora grande parte deles não professa exatamente a Fé Evangélica Cristã.
Entretanto, o desgaste sofrido pelo adjetivo “evangélico” leva as pessoas a pensarem que “ser evangélico” é exatamente ter a prática religiosa desses grupos, especialmente aqueles grupos em que a Graça e a Bênção são substituídas pela prosperidade material, pela compra de bênçãos e pela idolatria de seus líderes.
Em poucas palavras, de forma bem resumida, é bom lembrar que o adjetivo “Evangélica” foi atribuído por Martilho Lutero quando – excomungado pela Igreja de Roma – definiu seu grupo como Igreja Evangélica, não em oposição à Igreja Católica, mas afirmando a identidade de uma Reforma que deveria fazer a Igreja retornar sua confessionalidade à afirmação dos valores do Evangelho: a salvação pela Graça e pela Fé, e total obediência ao senhorio de Cristo, sempre com base nas Escrituras.
Aliás, “católico” e “apostólico” são outros adjetivos que foram substantivados como nome de Igreja ao invés de serem entendidos como qualidade universal da Igreja que vem dos Apóstolos; nesse sentido, todas as Igrejas que mantém seu vínculo histórico com o cristianismo primitivo, são católicas e apostólicas! Inclusive a Igreja Evangélica que surge a partir do pensamento de Martinho Lutero! e a maioria das Igrejas vindas do movimento da Reforma do Século XVI e, obviamente, as Igrejas Orientais, também conhecidas como Ortodoxas.

17 fevereiro 2015

Lema da Quaresma 2015: Renovando-nos como Igreja!

OraçãoÉ preciso que voltemos nosso olhar ao Evangelho para libertarmo-nos de conceitos, usos e costumes que foram sendo incorporados pela Igreja no decorrer de sua História. A Igreja deve estar em constante reforma, para que possa responder aos desafios deste tempo presente e dar o testemunho da vida em Cristo. Cada comunidade da Diocese na região do Arcediagado do Rio de Janeiro começa o processo de construir um Plano Trianual, um processo permanente de planejamento e avaliação, para caminhar rumo a uma renovação em termos de organização e percepção missionária. É um princípio que herdamos da Reforma do século XVI: Igreja Reformada, sempre se reformando!
Uma mudança de paradigmas é algo complexo, lento e não muito simples! A renovação da Igreja só acontecerá se cada um de nós renovarmo-nos diante de Deus, a partir do estudo e leitura orante da Palavra de Deus, se formos capazes de fazermos isso não só individualmente, mas também enquanto comunidade confessante.
Precisamos olhar a nós mesmos como comunidade, olharmos a realidade onde estamos inseridos, detectar as oportunidades e os desafios para nossa ação missionária. Ação missionária não significa proselitismo, mas testemunho diante das realidades do mundo. Devem ser as nossas atitudes, as nossas ações que apresentem o Evangelho, não o palavreado exagerado tentando convencer pessoas! Palavras podem convencer, mas atitudes convertem!
No processo de construção do Plano Trianual, apresentado na Conferência Diocesana de setembro passado, usaremos o método ver, julgar, agir e celebrar, a partir de uma avaliação do que temos sido, observar a realidade ao nosso redor, analisar essa realidade para compreende-la e definir o que podemos fazer nessa realidade como missão e testemunho, para construirmos relações de comunhão e serviço.
Comece você mesmo essa reflexão pessoal, depois faça-a com sua família, estenda à nossa comunidade: vamos iniciar o processo de VER! e de JULGAR!
Enquanto pessoa no mundo, você deve se perguntar:
1.Vendo e avaliando a mim mesmo: Como está minha vida pessoal? O que está bom? O que pode melhorar? O que precisa mudar?
2. Vendo e conversando com a minha família: Como está nossa vida familiar? O que está bom? O que pode melhorar? O que precisa mudar?
3. Vendo e conhecendo os arredores de minha casa: como é a vizinhança? que necessidades temos como moradores no bairro? como você e sua família podem ajudar?
4. Vendo e avaliando meu espaço profissional: Como são meus colegas de trabalho, meus clientes, meus fornecedores, meus empregados, meus superiores, meus subordinados? como tem sido a convivência? há pessoas sofrendo? necessitando algum tipo de apoio? que eu posso fazer?
Enquanto Comunidade Paroquial devemos nos perguntar e conversar:
1. Vendo e avaliando a mim mesmo perante a comunidade: Como eu tenho participado e assumido responsabilidades sendo parte de uma comunidade de fé? O que posso oferecer à Comunidade?
2. Vendo e avaliando nossa vida comunitária: quais as nossas necessidades? o que está bem na comunidade? o que precisa melhorar? o que precisa mudar? há necessitados entre nós, do ponto de vista de apoio emocional, financeiro, etc.? como podemos ajudar?
3. Vendo e avaliando nosso testemunho comunitário: nossa Paróquia tem tido uma presença concreta nas demandas do povo que habita o bairro de Santa Teresa e adjacências? que temos de mudar em nossa presença? o que mais podemos fazer? Como podemos incrementar as relações com as demais Igrejas em Santa Teresa? Como eu me enquadro nesse processo (como espectador ou agente com a comunidade)?
Vamos ter oportunidades de conversar e aprofundar essas questões em comunidade, mas é preciso que cada um de nós comece agora o processo de reflexão.
Que o Espírito Santo nos acompanhe e nos ilumine! Amém!
Vossos Pastores, na comunhão com o Bispo:
Rev. Luiz Caetano, ost+  e Rev. Daniel, ost+

===/===

















02 agosto 2014

Pastoral ou Poder?

jesus e os fariseus e saduceus
      Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.  Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.  Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas. Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado. (Mateus 23 1-12)
Este capítulo do Evangelho segundo Mateus se encontra inúmeras vezes a frase: “Ai de vós, Escribas e Fariseus”; a frase é bem forte, um tom de condenação. Esta expressão vem dos livros dos proféticos e sempre tem um teor condenatório para quem o recebe, uma critica sobre a atitude de quem o recebe.
Jesus ataca os religiosos da sua época (sacerdote e escribas) por causa do clericalismo exagerado que havia em seu tempo. Qualquer ato religioso deveria passar pelo sacerdote e/ou os fariseus (os únicos interpretes da lei). Além disso, obrigavam pesadas penitências às pessoas para expurgar os pecados. Os escribas e os fariseus conseguiam assim hegemonia e controle sobre o sagrado e controlando, por isso mesmo, a vida do povo no campo social, religioso e político.
Como o ser humano consegue corromper as coisas boas quando se encantam pelo poder! Jesus, em Mateus, esta criticando a tendência dos religiosos em deter o monopólio da vida e do sagrado do povo da época, criando um clericalismo exagerado, como “deuses” na terra.
Infelizmente vemos religiosos manipulado o povo com o sagrado e a santidade. Usando de sua posição para manipular e vilipendiar pessoas que buscam simplesmente serem bons crentes e seguidores da fé. Por isso me lembrei desta frase: “O homem verdadeiramente santo é aquele que não se preocupa com a santidade, assim como o homem que se deixa dominar pelo amor não se importa mais com conceitos e classificações” que dizia o teólogo e educador Rubem Alves (1933-2014). Com isso, ser bom ou santo é algo que deve ser incorporado naturalmente no nosso dia a dia. E não uma qualidade a ser usada e explorada pelo homem.
Sabemos que em nossa Igreja, como na maioria das denominações cristãs, existe o clero (bispo, presbíteros e diáconos); os quais precisam, a todo o momento, lembrar que – como Igreja e como clero – não têm a última palavra, pois nós, anglicanos, herdamos, pela Reforma, o conceito de sacerdócio universal dos fiéis, de que fala a Epistola aos Hebreus. 
Todavia, às vezes, por causa das tentações que a posição lhes dá, membros do clero buscam apenas desfrutar das regalias do ministério, e desviam seu ministério (serviço) pastoral buscando controlar a vida das pessoas ao seu bel prazer, usando-as e explorando-as emocionalmente.
Jesus nos alerta, ainda hoje, que o crente (o povo) tem a possibilidade de tomar decisões sobre a sua vida, e que nós, do clero, somos simples orientadores espirituais. Cabe a nós,  clérigos, realizar nossa atividade pastoral (visitas e aconselhamento) com espírito de humildade e simplicidade para não cairmos na tentação do monopólio da vida dos fies.
Rev. Daniel Rangel, ost+
===/===

20 agosto 2013

Os muitos rebanhos do Bom Pastor

JesusCristo Pastor

Jesus se identifica como Bom Pastor, aquele que dá a vida pelas suas ovelhas, aquele que é reconhecido por elas:

“Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. [...] Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim,  assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.   Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.”  (Evangelho de João 10.1-5;11-16 – Almeida, R.A.)

O Bom Pastor tem rebanhos em todo o mundo. Os rebanhos não são todos iguais, porque as ovelhas também não são todas iguais. A diversidade da Igreja de Cristo é uma bênção para que se cumpra o pedido do Senhor, que todas as pessoas possam ter acesso ao Evangelho de Cristo e à Vida em Plenitude que Ele concede.

Essa Vida em Plenitude é dada por Cristo, não por uma denominação religiosa. As diferentes igrejas (instituições e denominações religiosas) são parte da IGREJA DE JESUS CRISTO (que é simplesmente a Comunidade Universal de Comunhão, Serviço e Testemunho à Luz do Evangelho).

Se você se sente uma ovelha fora do rebanho, como que perdida ou desgarrada, dê uma chance ao Bom Pastor, que está à sua procura!

Talvez possamos ser o redil que você está buscando!

Rev. Luiz Caetano, ost+

===/===

19 julho 2012

Separado para servir!

No domingo, 22 de agosto, a Paróquia São Paulo Apóstolo hospedará a cerimônia de Ordenação ao Diaconato do Frei Fabiano Nunes, osb. Fabiano atua em nossa comunidade paroquial há alguns anos como Ministro Leigo e administra um amplo projeto de ação social diocesana na Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro.

O Diaconato é a primeira ordem que recebemos quando ingressamos no Sagrado Ministério da Igreja. O Diaconato é a Ordem do Serviço, e o ministério diaconal é exatamente o ministério de servo da comunidade em nome de Cristo. O Presbiterado (sacerdócio ordenado) é dado ao Diácono, assim como o Episcopado é dado ao Presbítero. Ou seja, todos os sacerdotes (presbíteros) são diáconos, assim como todos os bispos são presbíteros e diáconos. Portanto, todo o ministério ordenado da Igreja repousa sobre o Diaconato, ou seja, repousa sobre a ordem dada para servir à comunidade da Igreja e ao mundo em nome do Senhor Jesus Cristo, sob a inspiração do Espírito Santo.

O ministério do Diácono é fundamentado em Atos dos Apóstolos, quando é decidido separar entre membros da comunidade gentílica, sete homens para dedicarem-se ao cuidado dos órfãos e das viúvas, ou seja, das pessoas mais necessitadas da comunidade (cf. Atos 6.1-7).

Sabiamente a Igreja, desde algum tempo, e retomando antiga tradição, incluiu as mulheres nas Ordens Sagradas, e assim temos hoje na Igreja Episcopal Anglicana diáconas e diáconos, como temos também Presbíteras e Bispas. Evitamos a palavra diaconisa, pois no tradição protestante este termo não tem o mesmo significado de uma Ordem Sacramental.

Uma vez que todas as demais Ordens são dadas sobre o Diaconato,  tanto o Presbiterado quanto o Episcopado devem ser exercidos de maneira diaconal, ou seja, como serviço à comunidade em nome de Jesus Cristo, e em testemunho do Evangelho.

Na Igreja Episcopal  Anglicana acontece o renascimento da vocação diaconal e uma reflexão teológica e pastoral buscando fortalecer o papel do Diácono na vida das dioceses. Durante algum tempo o Diaconato foi visto como um “estágio” anterior ao Presbiterado, mas hoje há uma visão que recupera o significado desse ministério específico de acordo com a Tradição herdada pela Igreja.  Surgem vocações que se destinam ao Diaconato especificamente, pessoas que não buscam o Presbiterado, mas querem colocar-se em serviço diaconal de forma permanente. Fabiano, desde o início, afirma sentir-se chamado à esta vocação especial de servir como Diácono sem almejar as demais ordens. A exemplo de Fabiano, outras pessoas começam a manifestar-se sentindo o mesmo chamado, não só em nossa Diocese como também em outras.

É preciso salientar que na nossa visão doutrinária sobre as Sagradas Ordens, adotamos o princípio estabelecido na Carta aos Hebreus, de que o Sacerdócio é único e pertence ao Senhor Jesus Cristo, o qual é delegado a todas as pessoas pelo Batismo. Assim,  ao separar pessoas para o exercício das Sagradas Ordens, a Igreja como um todo delega a essas pessoas o exercício de seu sacerdócio (de todos) para exatamente exerce-lo como serviço à comunidade e ao mundo. Assim, devemos entender que Diáconos, Presbíteros e Bispos são pessoas da comunidade, separadas pela comunidade e ordenadas para o serviço à comunidade, cada ministério em seu múnus específico.  Tais pessoas têm a grave responsabilidade de serem sinais da presença de Cristo na Igreja, e por isso é necessário que haja realmente uma vocação (chamado) inspirado pelo Espírito Santo para que uma pessoa receba as Sagradas Ordens com dignidade e humildade. A Igreja, sabiamente, reserva um tempo relativamente longo para que tal vocação seja testada e avaliada até que se concretize o momento em que a pessoa é separada para exercer o ministério ordenado em nome da Comunidade em em perfeita comunhão com o Senhor Jesus Cristo.

Colocamos Fabiano, assim como todas as pessoas vocacionadas diante de Deus, intercedendo para que seu ministério seja realmente sinal da Presença do Cristo Vivo e da Bênção de Deus em nossa diocese e Igreja. Após sua ordenação, Fabiano será nomeado pelo Bispo Diocesano para servir às comunidades do Mediador e Bom Jesus, ambas na Zona Oeste da nossa cidade. Fabiano deixa a São Paulo Apóstolo com a mesma dignidade que sempre mostrou no seu longo período de ministério conosco e leva nossa gratidão e saudade.

Rev. Luiz Caetano, ost+

Rev. Daniel, ost diácono

===/===

26 junho 2012

Passe para o outro lado, mas fique ai mesmo!


Naquele dia, ao anoitecer, disse Jesus aos seus discípulos: "Vamos atravessar para o outro lado". Deixando a multidão, eles o levaram no barco, assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam. Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água. Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: "Mestre, não te importas que morramos?" Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: "Aquiete-se! Acalme-se!" O vento se aquietou, e fez-se completa bonança. Então perguntou aos seus discípulos: "Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?" Eles estavam apavorados e perguntavam uns aos outros: "Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?" (Marcos 4:35-41 – N.V.I.)
Parece uma ordem simples: “Vamos atravessar para o outro lado!”; mas não era. O outro lado do Mar da Galileia era território estrangeiro, habitado por um povo de costumes e padrões diferentes. Era o território chamado Decápolis, que significa as 10 cidades. Não era um lugar como a Judéia e a Galileia, era um território estranho habitado por gente cujos costumes eram contrários à Lei… Não era algo confortável ouvir um rabino dizer “Vamos atravessar para o outro lado!”; afinal, fazer o quê, por lá?
Além do mal estar causado pela ideia “maluca” de Jesus, a travessia não era fácil. Uma coisa é navegar ao longo da costa, onde estão os cardumes, para pescar; coisa bem diferente era atravessar o mar. Longe da costa os ventos sopram mais forte, as águas são mais agitadas, e as pequenas barcas dos pescadores galileus não se davam bem em tal ambiente. Ainda por cima, o Mestre resolve cochilar tranquilamente, como que não dando pelota para o temor dos que estavam com ele, e isso durante a pior parte da travessia, e durante uma tempestade! Um desaforo!

06 junho 2012

Igreja Viva é Igreja Confessante!

Sob a influência dos valores consumistas, muita gente avalia a Igreja através de critérios pouco evangélicos (do Evangelho!). Uma Igreja cheia de gente, que movimenta muito dinheiro, que promove show de bênçãos, é considerada uma Igreja viva, porque mostra resultados de sucesso… Ou então, uma Igreja que se envolve em tudo, opina sobre tudo, participa de todas as mobilizações e suas lideranças apresentam discursos altamente engajados, é considerada uma Igreja viva porque “dá testemunho”, aparece na mídia, chama a atenção.
Entretanto, eu acredito que tais são Igrejas moldadas no ativismo e na imagem bem construída de seus pastores, não necessariamente na Cruz do Cristo. Personalismo e estrelismo, síndrome de sucesso no mercado. Um produto bem sucedido e bem vendido!
Qual seria o critério de Cristo para avaliar a Igreja? Penso que João 6:63-70 pode nos dar uma pista:
O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente. Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo. (João 6:63-70 _ Nova Versão Internacional)
Depois de multiplicar o alimento através da partilha, o Senhor fala com clareza sobre Sua Missão, sobre o significado de Sua Presença. Então, as mesmas pessoas, saciadas da fome, se afastam, saem de cena, porque as palavras do Senhor é estranha e contrária às expectativas…  Entretanto, o Senhor fica olhando todos se afastarem, não tenta negociar, não tenta agradar a clientela! Ainda, talvez cinicamente, pergunta aos que sobram, os Doze, se também não desejam abandoná-lo! Fica bem claro que o Senhor não está preocupado em organizar um movimento de massa, nem em angariar clientes ou “agradar os fiéis”; Ele não tenta seduzir com palavras doces, antes anuncia duramente o sentido de Sua Presença!  Ele mesmo sabia, diz-nos o texto, que muitos não criam. Mesmo entre os poucos que sobraram, havia um traidor.
Interessante notar que, no texto joanino, após esse episódio, Jesus não anda mais com multidões, mas reduz seu círculo de discípulos aos doze e algumas outras pessoas. Não está preocupado em ter auditório, mas em cumprir Sua tarefa, e ministrar aos poucos seguidores, inclusive ao traidor…
Qual o motivo alegado por Pedro, em nome dos que ficaram, para permanecerem com Ele?  “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente”. Mais do que uma afirmação filosófica, Pedro dá um testemunho de fé e de reconhecimento do Cristo! Sua primeira frase mais parece uma oração: “Senhor, para quem iremos nós?” , como uma súplica! e conclui com uma confissão de fé: “E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente”. Exatamente estes poucos que sobraram se tornam depois, os arautos da Palavra, anunciam o Evangelho por todo o mundo, tornam-se Apóstolos e Apóstolas, testemunhas vivas da Presença permanente de Cristo no mundo, testemunhas do Ressuscitado!
Aos contrário dos que hoje em dia se autodenominam “apóstolos”, ou muitos que – no decorrer da história – se proclamam seus sucessores, estes homens e mulheres que permaneceram com Jesus até a Ressurreição (mesmo tendo fugido diante da Cruz), não viviam de pompa e circunstância, não foram tomados pela vaidade, mas na simplicidade de suas vidas, são os alicerces da Igreja de todos os tempos.  E criaram comunidades confessantes da fé no Ressuscitado, comunidades solidárias aos que sofrem e choram, comunidades pequenas mas corajosas em enfrentar a perseguição do Império e da Sinagoga – os cristãos foram considerados anátema pelo Sinédrio reunido em Jâmnia, por volta do ano 90 d.C.  O primeiro fruto da ação daqueles remanescentes seguidores de Jesus na Palestina, foi a Igreja dos Mártires, a Igreja Confessante por excelência! Animados pelo Espírito Santo em suas vidas, enfrentaram a morte com ousadia e coragem!
A Igreja que herdamos é a Igreja que permaneceu no tempo e na história mesmo depois do desaparecimento de seus fundadores. Não estava alicerçada na personalidade ou no personalismo deles, mas no Espírito Santo. Quando surge a tentação do personalismo e do culto à personalidade, Paulo, um confessante, admoesta a Igreja:
Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissen-sões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. (1 Coríntios 3:3-7 – Nova Versão Internacional)
Igreja Viva é a Igreja que confessa a Fé no Cristo Ressuscitado, que anuncia o Evangelho, denuncia o Mal em todas as suas formas e testemunha com coragem a Vontade de Deus e Sua Bondade e Misericórdia. Não importa sermos muitos ou poucos, não importa sermos reconhecidos ou elogiados pela sociedade. Importa antes que seja cumprida a Vontade Soberana de Deus Pai/Mãe, manifesta em Seu Filho, o Cristo, e permanentemente anunciada através da ação do Espírito Santo.
A Igreja de Cristo está Viva quando dobra seu joelho em oração e adoração, e obedece a Deus. Ela segue ao Cristo, em Sua Cruz e Ressurreição, não segue lideres carismáticos personalistas!
Luiz Caetano, ost+
===/===

22 maio 2012

Entendendo o Pentecostes

Pentecostes 06

Logo estaremos celebrando o Domingo de Pentecostes, quando a Igreja festeja a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus, inaugurando a Missão e, assim, a própria Igreja de Cristo. Todavia, o Pentecostes não é uma festa originariamente cristã, mas é uma das nossas heranças do Judaísmo. A Festa do Pentecostes era celebrada sete semanas depois da Páscoa Judaica e está referenciada no Antigo Testamento, e recebeu vários nomes conforme a época (cf. Wikipédia):

    • Festa da Colheita ou Sega - no hebraico hag haqasir. Por se tratar de uma colheita de grãos, trigo e cevada, essa festa ganhou esse nome.(Ex 23.16).
    • Festa das Semanas - no hebraico, hag xabu´ot. A razão desse nome está no período de tempo entre a Páscoa e esta festa, que é de sete semanas. Esta festa acontece cinquenta dias depois da Páscoa, com a colheita da cevada; o encerramento acontece com a colheita do trigo (Ex 34.22; Nm 28.26; Dt 16.10).
    • Dia das Primícias dos Frutos - no hebraico yom habikurim. Este nome tem sua razão de ser na entrega de uma oferta voluntária, a Deus, dos primeiros frutos da terra colhidos naquela sega (Nm 28.26). Provavelmente, a oferta das primícias acontecia em cada uma das três tradicionais festas do antigo calendário bíblico. Na primeira, Páscoa, entregava-se uma ovelha nascida naquele ano; na segunda, Colheita ou Semanas, entregava-se uma porção dos primeiros grãos colhidos; e, finalmente, na terceira festa, Tabernáculos ou Cabanas, o povo oferecia os primeiros frutos da colheita de frutas, como uva, tâmara e figo, especialmente.
    • Festa de Pentecostes. As razões deste novo nome são várias: (a) nos últimos trezentos anos do período do Antigo Testamento, os gregos assumiram o controle do mundo, impondo sua língua, que se tornou muito popular entre os judeus. Os nomes hebraicos - hag haqasir e hag xabu´ot - perderam as suas atualidades e foram substituídos pela denominação Pentecostes, cujo significado é cinquenta dias depois (da Páscoa). Como o Império Grego passou a ter hegemonia em 331 a.C., é provável que o nome Pentecostes tenha ganhado popularidade a partir desse período.
    • Enquanto a Páscoa era uma festa caseira, Festa da Colheita ou das Semanas ou Pentecostes era uma celebração agrícola, originalmente, realizada na roça, no lugar onde se cultivava o trigo e a cevada, entre outros produtos agrícolas. Posteriormente, essa celebração foi levada para os lugares de culto, particularmente, o Templo de Jerusalém. Observação: Era ilegal usufruir da nova produção da roça, antes do cerimonial da Festa das Colheitas (Lv 23.14).

Todavia, o Livro dos Atos dos Apóstolos (At. 2:1-11)  relata que:

Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar.   De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. Havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo. Ouvindo-se este som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua. Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: "Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna? Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, Ponto e da província da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua!" 

O autor de Atos, São Lucas, informa que na “festa da colheita” o Espírito Santo dá início à Missão dos Apóstolos, e os capacita para isso – eles se tornam capazes de testemunhar o Evangelho a todos os povos conhecidos de então, os povos que habitam no vasto território do Império Romano. O Espírito Santo torna o Evangelho (a Boa Nova) compreensível para pessoas de diferentes lugares, diferentes contextos e diferentes culturas: não mais limitado ao pequeno território entre a Galileia e a Judéia, o Evangelho agora começa a espalhar-se pelo mundo,  através das testemunhas do Ressuscitado, até os confins da Terra, movimento este previsto pelo Profeta Joel alguns séculos antes:

" [...] derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até sobre os servos e as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias. Mostrarei maravilhas no céu e na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas, e a lua em sangue; antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo, pois, conforme prometeu o Senhor, no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento para os sobreviventes, para aqueles a quem o Senhor chamar. (Joel 2:28-32)

Pentecostes 04

Assim nasce a Igreja, a Comunidade de Jesus, não uma instituição, mas a comunidade que, a partir do testemunho dos Apóstolos, se reúne em comunhão em torno de Jesus Cristo, o Ressuscitado. Com o passar do tempo, a Igreja vai adquirindo caráter institucional, muitas vezes desvia-se de sua verdadeira tarefa, algumas vezes torna-se até instrumento do Mal, mas o Espírito Santo a dirige, a corrige e a reforma sempre que necessário.

O Pentecostes que celebramos hoje é sempre a recordação do que significa ser Igreja de Cristo: a comunidade movida e capacitada pelo Espírito de Deus, pessoas em comunhão solidária testemunhando o poder de Deus em suas vidas e proclamando um novo Reinado, não o Reinado de César, mas o Reinado de Cristo, um Novo Mundo plenamente possível! O Espírito de Deus se move em nosso mundo conduzindo a Igreja – Comunidade de Testemunho – na fidelidade à missão delegada por Jesus, o Cristo, o Ressuscitado!

Luiz Caetano, ost+

===/===

03 maio 2012

Será que é Verdade? Será?

Jesus diante de Pilatos 1     Durante o julgamento de Jesus, segundo o Evangelho de João, Pilatos faz a pergunta chave: "Então, você é rei?", Jesus respondeu: "Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem”. “Que é a verdade?”, perguntou Pilatos. (João 18.37-38).
Verdade tem vários significados: desde o cerne do caso, estar de acordo com os fatos ou a realidade, até ser fiel às origens ou a um padrão. Uso mais antigo abarcava o sentido de fidelidade, constância ou sinceridade em atos, palavras e caráter . Assim, a verdade pode significar o que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores vigentes. Estas qualificações da verdade implicam o imaginário, a realidade e a ficção, das culturas. Questões centrais em matéria de antropologia cultural, arte,  filosofia e até ser atribuída à própria razão.

19 abril 2012

Igreja: comunidade da misericórdia e do perdão!

Jesus Ressuscitado com discípulosAo cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "Paz seja com vocês!" Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se quando viram o Senhor.
Novamente Jesus disse: "Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio". E com isso, soprou sobre eles e disse: "Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados".
  (João 20:19-23 – N.V.I.)

Este é o primeiro encontro, no Evangelho de João, do Ressuscitado com seu grupo de discípulos.  O Cristo se apresenta em um lugar de intimidade, isolamento e medo (portas trancadas…), e sua primeira palavra é uma saudação de Paz e um sinal claro de sua real identidade (as mãos e o lado…) . O medo dá lugar à alegria! e o Cristo se revela como a Presença da Paz que afasta os temores e traz a alegria!

Novamente o Cristo faz a saudação da Paz e então envia seus discípulos na mesma condição que Ele fora enviado: “assim como o Pai me enviou, eu os envio”, dando a eles a unção do Espírito Santo. Assim, os discípulos do Cristo são enviados com o poder do Espírito Santo e como portadores da Paz! Mas a unção do Espírito traz uma motivação: o perdão dos pecados!

E aqui precisamos ser muito cuidadosos. Não vejo no texto a delegação de autoridade para perdoar ou não perdoar. Porque perdoar ou não perdoar, significa também a capacidade de decidir o que é pecado. Uma leitura fundamentalista e moralista vê aqui que, aqueles homens, fracos, ignorantes, medrosos e covardes, teriam o poder de decidir sobre o pecado alheio! Por extensão, o texto seria uma justificativa para o poder da instituição religiosa em definir absolutos, o que significa que a ação de Deus fica limitada à decisão humana, decisão essa que não pode ser absoluta porque condicionada à condição humana (cultura, código moral, poder político, e o próprio pecado!). 

Na verdade, o perdão aqui anunciado, é exatamente o motivo da vinda do Filho ao mundo: o exercício da misericórdia do Pai e a oferta do perdão – reconciliação definitiva. Perdoar é, então, uma identificação com o ministério de Jesus.  Os discípulos são enviados ao mundo em Paz como testemunhas do Cristo Vivo e do perdão dos pecados. Se os discípulos não viverem a permanente experiência do perdão, o perdão deixa de ser tangível, deixa de ser uma experiência concreta!

Assim, a comunidade de fé que se reúne em torno dos discípulos – e a partir deles, se torna a comunidade onde o exercício do perdão (misericórdia) é seu sentido maior. Se a comunidade de Cristo não  for a comunidade do perdão, não haverá perdão, não haverá a misericórdia manifesta e o amor de Deus deixa de ser percebido na vida das pessoas.

Assim, é dever da comunidade construir-se como espaço de perdão e misericórdia, no acolhimento de todas as pessoas tais como são, para ajudá-las na superação de si mesmas em sua humanidade, abrindo-se à ação de Deus em suas vidas e alcançando a Vida em Plenitude pela obra e graça de Deus em Jesus o Cristo.

Rev. Luiz Caetano, ost+

===/===

28 março 2012

A escassez se vence com a partilha!

Multiplicação 1      A Páscoa, a festa principal dos judeus, estava perto. Jesus olhou em volta de si e viu que uma grande multidão estava chegando perto dele. Então disse a Filipe: — Onde vamos comprar comida para toda esta gente? Ele sabia muito bem o que ia fazer, mas disse isso para ver qual seria a resposta de Filipe. Filipe respondeu assim: — Para cada pessoa poder receber um pouco de pão, nós precisaríamos gastar mais de duzentas moedas de prata.Então um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse:  — Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos. Mas o que é isso para tanta gente? Jesus disse: — Digam a todos que se sentem no chão. Então todos se sentaram. (Havia muita grama naquele lugar.) Estavam ali quase cinco mil homens. Em seguida Jesus pegou os pães, deu graças a Deus e os repartiu com todos; e fez o mesmo com os peixes. E todos comeram à vontade. Quando já estavam satisfeitos, ele disse aos discípulos: — Recolham os pedaços que sobraram a fim de que não se perca nada.Eles ajuntaram os pedaços e encheram doze cestos com o que sobrou dos cinco pães. Os que viram esse sinal de Jesus disseram: — De fato, este é o Profeta que devia vir ao mundo! Jesus ficou sabendo que queriam levá-lo à força para o fazerem rei; então voltou sozinho para o monte.          (João 6.4-15)

Quando lê esse texto, muita gente fica imaginando Jesus fazendo aparecer pão e peixe do nada a fim de alimentar todas aquelas pessoas que O estavam acompanhando. Mas eu sempre achei que se assim tivesse acontecido, seria muito injusto, muito mesmo! Afinal, ele resolveu o problema daquelas pessoas, mas e as outras milhares que, em seu tempo também sentiam fome? e os bilhões de pessoas que hoje morrem de fome? Milagrezinho safado esse de Jesus… parece até coisa da tal filosofia safada da prosperidade que enriquece os mercadores da fé!

Entretanto, não foi isso que aconteceu. O alimento que saciou a fome de todas aquelas pessoas não surgiu do nada. Houve alguém que ofereceu o que tinha para ser partilhado. Não fosse aquele menino estar disposto a dividir seus pães e peixes, Jesus não teria feito o SINAL! (no Evangelho de João, nos manuscritos antigos em grego, a palavra milagre praticamente não aparece, mas sim a palavra SINAL)

Jesus começou a dividir e distribuir o pouco que aquele menino tinha para oferecer… e então sim aconteceu o milagre: quem tinha algo partilhou com quem não tinha e então todos experimentaram a fartura, a ponto de sobrar! Eu acho que, isso sim, é um milagre porreta, como dizem lá em Recife. E muito justo! e não resolveu só o problema daquelas pessoas.

O menino apenas tinha lá seus pães e peixes; deixou que Jesus os distribuísse entre os que estavam por perto. Com certeza o menino não comeu cinco pães e dois peixes, muito menos dez pães e quatro peixes. Comeu menos do que tinha, mas comeu e ficou saciado. Mas outros que nada tinham também ficaram saciados. E ainda puderam levar o que sobrou para partilhar em sua casa.

Um SINAL para todas as épocas: dividindo, se multiplica! a quebra dos paradigmas do egoísmo: “primeiro eu!”, “isso é meu!”, e rejeitando a hipócrita resposta de muitos que se dizem cristãos: “_ Vou orar por você, é assim que posso ajudar. Deus vai resolver tua dificuldade, tenha fé!”  ou o que é pior: “Faça a sua doação para o nosso ministério que Deus multiplicará para você” (e quem enriquece é o charlatão, apesar da blasfêmia).

Nosso mundo é um mundo de fartura. Se olharmos bem as estatísticas que mostram a produção de riquezas, veremos que produzimos muito mais do que necessitamos. Todavia, somos movidos pela ganância e pelo espírito (diabólico) de rapina. O lixo das nossas cidades está cheio de alimento de boa qualidade, enquanto milhões não tem o que comer.  Terras produtivas ficam anos sem uso, acumulando valor especulativo para um futuro empreendimento que criará mercado, enquanto milhões de pessoas não têm onde trabalhar e produzir comida para si mesmas. Moradias ficam fechadas esperando melhor oportunidade de preço de aluguel ou venda, e milhões não têm onde morar com dignidade. Roupas de “grife” custam muito dinheiro, acumulando  lucro cruel para seus proprietários que enriquecem à custa de mão-de-obra escrava ou mal remunerada. A ciência médica é avançadíssima em nosso tempo, mas milhões morrem de doenças elementares. Nosso mundo é lugar onde poucos acumulam tudo e a grande maioria vive de migalhas.

Em matemática, dividir significa multiplicar pelo inverso.  Isto é, dividir um número por 3 significa multiplicar esse número pelo inverso de três. Assim, dividir é multiplicar pelo inverso: dividir dons é multiplicar pelo inverso do egoísmo, ou seja, dividir é multiplicar pela solidariedade. Por isso, dividindo, se multiplica! Um milagre matemático!

Jesus pergunta a você hoje: “Como alimentaremos tanta gente? como poderemos melhorar a vida de tanta gente? Como vamos curar tanta gente? Como podemos diminuir a tristeza de tanta gente?”

O que você tem a oferecer para ser partilhado? que dons você pode colocar nas mãos do Cristo, no exercício da divisão que é multiplicação?

Luiz Caetano, ost+

NOTA: Agradecemos os e-mails que nos são enviados comentando favorável ou desfavoravelmente as postagens deste blogue. Mas preferimos que você comente aqui mesmo, partilhando suas ideias com outras pessoas. Nós publicamos todos os comentários, inclusive os anônimos, exceto quando um comentário seja ofensivo à dignidade humana ou à nossa comunidade – mas mesmo assim, respondemos com misericórdia quando o autor se identifica.

===/===

18 janeiro 2012

Seguir a Cristo

                                             “ser livre é escolher o Bem, o Sumo Bem e o Sumo Bem é Deus”                                    John Duns Scotos Eurigina
vem_segue_meNão é de admirar que hoje os cristãos têm dificuldade de entender o que é seguir a Cristo.  Algumas passagens bíblicas falam que quem segue o Cristo fará maravilhas e proezas; outras passagens comentam que o maior é o que serve e será reconhecido por Ele. Hoje em dia isso fica confuso, principalmente quando ouvimos as mensagens dos tele-pregadores (tanto católicos romanos como evangélicos) falando de poder, riqueza, benção e fartura... sem nenhuma menção ao serviço.
Afinal, o que significa seguir a Cristo realmente?
Para entender o seguir, primeiro temos que entender o chamar. O cristão é chamado para se inserir no mundo em vida, atuação e “encarnação” (se tornar um igual). Ele é chamado pelo próprio Cristo para desenvolver sua vocação na história humana, na vida.
O cristão tem sua própria maneira de viver, agindo no mundo de acordo com sua inspiração, seus valores e sua espiritualidade. A identidade do cristão é um conjunto de características específicas, que qualificam sua vocação e o diferenciam de membros de outros grupos religiosos. No contexto atual, marcado pelo pluralismo religioso, o cristão é interpelado a assumir sua identidade . É desafiado a afirmar e cultivar sua fé, sua forma de celebrar, seu modo de agir e sua maneira de atuar.
Assim, para ser discípulo (aquele que atende ao chamado de Cristo) é necessário à pessoa viver pelo exemplo de como Cristo realizou o seu projeto. Então, a força do discípulo é entender isso e aplicar em sua vida , perceber que o anúncio do Cristo (kerygma) faz parte de sua ação de vida. A ação consciente, generosa, dócil e fiel à Deus deve impregnar o ser e o agir de quem segue o Cristo no mundo. Ele é chamado a seguir o Cristo em seu itinerário pessoal e social.
É importante que o discípulo entenda o contexto, a vida e a obra de Jesus, tornando sua realidade encarnada na dele. A única maneira de fazer isto é estudando as Sagradas Escrituras e participando dos Sacramentos da comunidade de fé.
O seguimento a Cristo implica a comunhão vital e constante com Jesus e compromisso irredutível com o próximo. Por isso, ele deve se identificar, paulatinamente, com Jesus e se conformar ao seu estilo de vida, de maneira que fique parecido com o Mestre.
O seguimento a Jesus engaja o cristão na missão de Deus. O discípulo  dá continuidade à missão de Jesus aqui e agora. Para nós, episcopais anglicanos, a perspectiva de encarnar no mundo faz com que esta missão seja sempre memória e afirmação da ação do Cristo na História.
Rev. Daniel, ost diac.
===/===

30 dezembro 2011

E a vida continua…

Maria e José levam Jesus ao templo para ação de graças, cumprindo o preceito.Dia 19 de dezembro completou um ano que assumi a Paróquia. Foi um tempo de tentativas, acertos e erros, uma experiência bastante rica e sou grato a Deus pelo retorno ao pastorado depois de passar quase 15 anos servindo ao Senhor e à Igreja de Cristo no movimento ecumênico e no ensino teológico.
Sinto-me feliz em ser o Pároco da São Paulo Apóstolo, a terceira Igreja Episcopal do Rio de Janeiro.  Por aqui passaram alguns pregadores ilustres e grandes pastores; eu me sinto honrado pelos ancestrais de meu pastorado aqui, e tento ser digno de seguir as trilhas abertas por eles. Este ano em Santa Teresa foi muito rico em experiências de convívio, partilha e solidariedade em Cristo.
O serviço oferecido pela São Paulo Apóstolo é serviço religioso de solidariedade e acolhimento em nome de Cristo. Somos uma comunidade aberta e inclusiva que reconhece a diversidade humana como dom de Deus, Pai e Mãe da Humanidade. Nesse sentido, seguimos o caminho aberto pela nossa antecessora, a Rev. Inamar, que, de fato, colocou esta Igreja “na rua”, como presença ativa, solidária e engajada com a população de Santa Teresa.
A São Paulo Apóstolo não é uma paróquia típica. Na verdade, ela tem sido, no decorrer dos anos, um serviço de capelania, um espaço de acolhimento e um dos sinais da presença de Deus em Santa Teresa, um bairro também atípico. Enquanto Equipe Pastoral, o Rev. Daniel, o Frei Fabiano e eu temos dado continuidade a isso, porque sentimos ser essa a vocação desta pequena comunidade episcopaliana, neste tempo de vida líquida e multiplicidade conceitual. Desenvolver alternativas de Pastoral Urbana e de testemunho solidário, no contexto típico de Santa Teresa, é o desafio que nos anima. Uma pastoral dirigida não só aos moradores do bairro, mas também aos nossos paroquianos que não residem aqui por perto e à grande quantidade de turistas e visitantes que passam por aqui quase todos os dias.
As características peculiares da nossa comunidade nos animam a desenvolver pesquisas em alternativas de liturgia e esperamos aos poucos utilizar a vocação artística do bairro para somar à nossa liturgia e espiritualidade. Aprendemos muito no ano que termina, e temos planos para prosseguir nossa vocação enquanto comunidade de fé e testemunho cristão.
Durante a Primavera, hospedamos três casais de pássaros no adro (jardim) do templo paroquial.  Um casal de rolinhas construiu seu ninho entre os arbustos laterais. Um casal de sabiás logo acima deles, também construiu um ninho. E, no poste à esquina do templo, um casal de andorinhas brancas chegou e ocupou um antigo ninho lá existente (provavelmente utilizado pelo mesmo casal em anos anteriores).  Diariamente eu e o Marcos, nosso Sacristão, observávamos os casais; viviam em paz entre eles e partilhavam a comida que espalhávamos pelo jardim. Vimos quando apareceram os ovos; acompanhamos o tempo de maturação; e nos alegramos quando eclodiram, quase ao mesmo tempo: duas rolinhas, dois sabiás e três andorinhas brancas! Nos temporais que chegaram ao final da primavera, ficávamos preocupados com eles e nos alegrávamos ao ver que haviam sobrevivido bravamente. Foi muito bonito ver o cuidado do Marcos quando, ao podar os arbustos, evitava assustar os pássaros.
Os filhotinhos cresceram e há alguns dias alçaram vôo. O casal de andorinhas permanece unido no ninho agora vazio e vemos seus filhotes sempre voando por perto.  Os sabiás e as rolinhas também estão por perto, mas não vivem mais no jardim. Ao final do verão, com certeza, as andorinhas partirão para o norte onde reviverão o milagre da vida com novos filhotes; nós ficaremos esperando seu retorno na próxima primavera. As andorinhas sempre voltam ao ninho antigo e formam casais estáveis pela vida toda!
A vida continua! segue seus ritmos e seus rumos. O Menino que acolhemos no Natal segue conosco no dia a dia, animando e encorajando todos nós a prosseguirmos rumo aos horizontes que vislumbramos em esperança.
Convidamos você a seguir e caminhar conosco! Queremos acolher você e partilhar com você nossa oração e a vivência solidária no amor de Deus em Cristo, Jesus.
Feliz Ano Novo!
Rev. Luiz Caetano, ost
===/===

09 dezembro 2011

São Nicolau e Papai Noel

natalvintage-s25c325a3onicolau06
Filho de nobres, Nicolau nasceu na cidade de Patara, na Ásia Menor, na metade do século III, por volta do ano 250. Foi consagrado bispo de Mira, atual Turquia, quando ainda era muito jovem e desenvolveu seu apostolado também na Palestina e no Egito.
Mais tarde, durante as perseguições do imperador Diocleciano, foi aprisionado até a época em que foi decretado o Edito de Constantino, sendo finalmente libertado. Segundo alguns historiadores, o bispo Nicolau esteve presente no primeiro Concílio de Nicéia, em 325.
Foi venerado como santo ainda em vida, tal era a fama que gozava entre o povo cristão da Ásia Menor. Morreu no dia 6 de dezembro de 326, em Mira. Imediatamente, o local da sepultura se tornou meta de intensa peregrinação.
São Nicolau é conhecido principalmente pelo seu carinho e cuidado para com os pobres e as crianças, já que ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou a prostituição, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro. No hemisfério norte, dezembro é inverno.
O nome Nicolau vem de duas palavras gregas: nikos, que significa vitória, e de laos, “povo”; Nicolau significa, então, “vitória do povo”.
A origem do Papai Noel
Pela sua compaixão com os pobres e especialmente com as crianças, São Nicolau inspirou a lenda do Papai Noel; sendo confundido com ele. Chamado Nikolaus na Alemanha, passou a ser Santa Claus entre os anglo-saxões, Père Noël na França e Pai Natal em Portugal. No Brasil, é Papai Noel.
Havia em alguns lugares da Europa a tradição de, pelo Natal, presentear-se as crianças das aldeias com doces e brinquedos, como símbolo de homenagear o Menino Jesus, o Deus-Criança; era o próprio Menino Jesus quem trazia os presentes. Em algumas regiões, esses presentes eram dados na festa da Epifania, 6 de janeiro, quando era celebrada a visita dos Magos (que não eram reis) do oriente ao Menino Deus. Aos poucos essa tradição se firmou com a história de São Nicolau e a ele passou-se a atribuição de trazer os presentes…
Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do Papai Noel foi Clemente Clark Moore, um professor de literatura grega de Nova Iorque, que lançou o poema Uma Visita de São Nicolau, em 1822, escrito para seus seis filhos. Nesse poema, Moore divulgava a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas. Ele também ajudou a popularizar outras características do bom velhinho, como o fato dele entrar pela chaminé.
Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente Papai Noel é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto.
Nicoçau Noel
Antigamente, ele usava cores que tendiam mais para o marrom e costumava usar uma coroa de azevinhos na cabeça, mas não havia um padrão. Seu atual visual foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper's Weeklys, em 1886, na edição especial de Natal. Em alguns lugares na Europa, contudo, algumas vezes ele também é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo, tendo, em vez do gorro vermelho, uma mitra episcopal.
Em 1931 a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ou Pai Natal ao mesmo modo de Nast, com as cores vermelha e branca, o que foi bastante conveniente, já que estas são as cores de seu rótulo. Tal campanha, destinada a promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período em que as vendas da bebida eram baixas na época), fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai Noel ou Pai Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo.  Essa imagem tem se mantido e reforçado por meio da música, rádio, televisão e filmes.
Recuperando o significado do Papai Noel
Hoje a figura do Papai Noel está intimamente relacionada ao consumismo desenfreado das festas de fim de ano. Lamentavelmente, se perdeu o significado original, inspirado na solidariedade e na compaixão. Papai Noel hoje é personagem da propaganda indutora do consumo disfarçado de gesto carinhoso na troca de presentes, sem nenhuma relação direta com a celebração cristã do nascimento de Cristo. 
Nesse sentido, não vale a pena combater Papai Noel, mas tentar trazer de volta seu significado maior de solidariedade e partilha, inspirado na figura de São Nicolau; uma atenção carinhosa às crianças sem necessariamente associar a ideia de consumo e trocas interesseiras. Por exemplo, reunir as crianças com o Papai Noel e conversar com elas, ouvi-las e contar estórias que provoque nelas uma reflexão simples sobre relações humanas, comportamento solidário, ecologia, etc.
Nessa esperança, o Papai Noel estará na Igreja de São Paulo Apóstolo aos domingos à tarde, para acolher as crianças que passarem por perto do templo, mostrar-lhes o presépio e contar estorinhas. E durante a semana, o Papai Noel tentará estar em vários espaços do Bairro de Santa Teresa visitando as crianças do lugar.
É uma modesta (e talvez ingênua) tentativa de apresentar uma alternativa mais adequada à celebração do Natal de Jesus, o Cristo, um serviço às crianças, em nome do Senhor.
Rev. Luiz Caetano, ost+
===/===

19 setembro 2011

Ecumenismo e Missão

Rosto de Cristo 2Nossa Paróquia sempre esteve envolvida em ações ecumênicas, seja pela participação de nossa liderança em eventos e organizações ecumênicas, seja também hospedando eventos ecumênicos.
Mas afinal o que vem a ser Ecumenismo?
A palavra Ecumenismo tem raiz no grego “Oikomene” – o mundo habitado, a Casa Comum, a Casa de Todos… e tem muito a ver com as relações humanas de solidariedade e cooperação.
A origem do Movimento Ecumênico se dá no século XIX. Na Conferência de Lambeth de 1868 os Bispos da Comunhão Anglicana fazem um apelo para que a atividade missionária cristã seja pautada pela união de esforços e cooperação ao invés de concorrência entre as Igrejas. A partir desse apelo, surge um movimento que vai culminar com a Conferência sobre a Missão, em Edimburgo, em 1910, que marca o início da caminhada que levou à fundação do Conselho Mundial de Igrejas em 1948, reunindo as Igrejas Protestantes, Orientais e de Tradição Anglicana. Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja de Roma se aproxima do Movimento Ecumênico (até então ele era considerado anátema pelos Papas), mas tal aproximação se dá apenas em nível do Ecumenismo Institucional.
No meu tempo de jovem, e ainda hoje, o ecumenismo se traduz em ações concretas de cooperação e solidariedade entre as comunidades cristãs e também com comunidades não cristãs. Na verdade, ação ecumênica é ação entre pessoas e não entre instituições!
Há quem faça distinção entre Diálogo Ecumênico (que seria entre cristãos) e Diálogo Inter-religioso (com outras religiões). Na verdade, esse é o entendimento Católico Romano, mas para nós – e isso é histórico – o Ecumenismo envolve mais que simplesmente as religiões, mas as culturas!
O paradigma do Movimento Ecumênico é que solidariedade, cooperação e convívio são possíveis entre culturas diferentes. Ecumenismo significa, portanto, inclusão e solidariedade entre diferentes, entre os diferentes habitantes da Casa Comum. Não se trata de simples tolerância, mas de reconhecimento do direito de existir do diferente, pois o paradigma maior é a Vida em Plenitude.
Isso não significa que os cristãos deixem de fazer Missão e o Evangelho não deva ser anunciado! Na verdade, o anúncio do Evangelho se faz não por apologia de sermos melhores que os outros ou os únicos detentores da verdade, mas se dá pelo testemunho concreto de atitudes e ações em respeito à Vida e à Identidade dos outros.
Deus tem sua própria maneira de revelar-Se às culturas humanas. Não precisa que nós levemos a nossa cultura para outros a adotarem. Deus não depende da nossa cultura, nem da nossa crença; Ele é maior que isso.
Como na figura acima, o Cristo está sempre presente, como Mistério, transfigurado nos elementos da realidade! Esse é o significado da palavra Mistério: aquilo que sendo oculto, é revelado! Fazer Missão é, acima de tudo, perceber o Mistério de Deus em Sua Presença na humanidade, e anunciar isso através de atitudes e testemunho.
Assim, a primeira e mais importante ação de um missionário cristão é tentar compreender como Deus se manifesta aos diferentes e – mais do que o falar abusadamente – dar seu próprio testemunho de vida diante dos diferentes, não por ser melhor que eles, mas para ser sinal do Amor de Deus por todas as pessoas – afinal essa é a Boa Nova Cristã (Evangelho): Deus nos ama primeiro!
Não é dever do missionário converter! isso, segundo a boa teologia dos Pais da Igreja, é obra do Espírito Santo. É dever do missionário testemunhar o Evangelho de Cristo através de sua presença solidária e de serviço às necessidades dos outros.
Assim, o ser ecumênico impede a ação proselitista, mas não impede a ação missionária. Antes, o ser ecumênico nos faz missionários da boa vontade e da cooperação solidária, sinais da ação do Espírito de Cristo em nossas vidas. Anunciar o Evangelho não é anunciar um deus, mas um modo de vida, anunciar um Reinado que já está entre nós e sopra Ventos de boas novas em todas as culturas humanas que estejam abertas à promoção da Vida em todos os sentidos.
É nesse espírito que nossa Paróquia desenvolve sua ação missionária, em Santa Teresa e arredores, procurando obedecer a Cristo, ver os Sinais dos Tempos e colher os Frutos do Espírito. Que a Igreja cresça pela ação do Espírito Santo e não pela nossa capacidade de convencer os outros!
Rev. Luiz Caetano, ost+
===/===

23 agosto 2011

Celebrando os 94 anos da Comunidade

A comunidade paroquial comemorou seus 94 anos com quatro celebrações em ação de graças, de 31 de julho a 21 de setembro. Pregadores convidados participaram das celebrações e deixaram mensagens encorajadoras para que a comunidade olhe em novas direções e reforce sua vocação de serviço no contexto onde estamos localizados. Nas celebrações foram lembrados os ancestrais da comunidade, clérigos e lideranças leigas do passado, nos momentos de oração e memória ancestral.

DSC05110

Assim  no dia 31 de julho, tivemos a visita do Rev. Eduardo Coelho Grillo, Reitor da Paróquia Episcopal São Lucas (Botafogo), que deixou uma mensagem de esperança e confiança, ressaltando a vocação dos discípulos de Jesus em preocupar-se com as outras pessoas, no sentido de estarem a serviço das necessidades dos outros, inspirado no texto de São Mateus sobre a  multiplicação dos pães (Mt 14.13-21), conforme o lecionário para aquele domingo.

Cleber 2011 08 07No dia 7 de agosto, recebemos a mensagem do Rev. Cleber Diniz Torres, Pastor Titular da Igreja Presbiteriana Independente da Penha Circular, que fazendo uma retrospectiva histórica da nossa comunidade, ressaltou sua presença em Santa Teresa como comunidade aberta e de serviço desde seus primórdios. O Rev. Cleber, que em tempos de seminário colaborou com o Rev. Luiz Caetano no CLAI (Conselho latino-Americano de Igrejas) mostrou sua emoção por estar ao lado de seu velho amigo celebrando a Eucaristia.

No dia 14 recebemos a Visita Episcopal de Dom Filadelfo, que em sua mensagem abordou os aspectos da diversidade anglicana e de nossa abertura ao diálogo e cooperação ecumênica. O Bispo Diocesano enalteceu a proposta pastoral de acolhimento e diversidade da São Paulo Apóstolo, afirmando que a comunidade, com tal espírito de abertura ao seu contexto local, busca caminhos novos de pastoral para os tempos da pós-modernidade no meio urbano. Também no dia 14 recebemos a visita de três diretoras da União de Senhoras Evangélicas de Ação Social (veja Notícias), uma entidade da qual a nossa Paróquia é parceira (veja Diaconia).

Ac Ribeiro 2011 08 21 (2)Finalmente, no dia 21 de agosto, a mensagem foi ministrada pelo Rev. Antônio Carlos Ribeiro, Pastor da Comunidade Martin Luther (Centro do Rio), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. O Pastor Antônio Carlos falou dos talentos recebidos pela Igreja incentivando a comunidade a manter-se aberta aos novos desafios e investir os talentos concedidos por Deus no testemunho, sendo uma igreja aberta, inclusiva e presente nos novos desafios da missão. O Pastor Antônio Carlos, no início de agosto, assessorou a abertura do Curso de Teologia do CAET (Centro Anglicano de Estudos Teológicos, da nossa Diocese), evento que também foi hospedado pela Paróquia no contexto de seu aniversário.

Infelizmente não pudemos contar com a presença dos Corais que havíamos anunciado. Por problemas de espaço físico, decidimos adiar a apresentação do Coral da PUC, uma vez que o tamanho do Coral criaria dificuldades para seu posicionamento no Templo sendo celebrada a Santa Eucaristia. O Coral da PUC fará uma apresentação especial em nossa Paróquia, em data ainda a ser definida, fora do contexto litúrgico, em uma atividade especial ainda em organização e que contará com a presença de outros corais. Todavia, o Coral da Igreja Presbiteriana de Copacabana informou-se uma hora antes do ofício, que o Conselho daquela Igreja não autorizou sua apresentação; isso trouxe constrangimento à nossa congregação e lamentamos a indelicadeza de não nos darem essa informação com a devida antecedência.

Nosso Ministro Coadjutor, Rev. Daniel Cabral Jr, foi o responsável pela organização do nosso mês de aniversário. A ele nosso agradecimento e cumprimento. Também queremos registrar nosso agradecimento aos ministros de Deus que acolheram nosso convite para dirigir a Homilia nas celebrações: Rev. Eduardo, Rev. Cleber e Rev. Antônio Carlos.

A partir do próximo ano pretende-se que a Paróquia organize a contagem regressiva para seu centenário, em 2017. A meta mais arrojada para o Centenário, será a restauração completa do templo. Esperamos iniciar em breve uma campanha nesse sentido, bem como dar andamento às providências para o tombamento do edifício.

Rev. Luiz Caetano, ost+

===/===