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10 outubro 2011

A Paróquia São Paulo Apóstolo, a Igreja Anglicana e a Rainha da Inglaterra.

O Templo, antes da tempestade que danificou sua fachada.Varias pessoas que visitam nosso templo elogiam sua beleza e ao mesmo tempo preocupam-se com o estado de sua conservação. Às vezes perguntam a mim, ao Rev. Daniel ou ao fr. Fabiano assim: “porque vocês não pedem ajuda da Rainha da Inglaterra? afinal é a Igreja Anglicana e ela é a chefe da Igreja…
Para um episcopal anglicano tradicional, essa pergunta poderia soar como zombaria, mas tal indagação e outras semelhantes mostra  que nossa Igreja ainda não conseguiu afirmar claramente a sua identidade do meio cultural brasileiro.
De fato, nosso templo tem sérios problemas de conservação. E nossa pequena comunidade paroquial tem trabalhado para superar isso. Mas é importante explicar algumas coisas e desfazer erros de compreensão sobre a nossa identidade.
A Paróquia São Paulo Apóstolo é parte da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, que por sua vez é parte da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, uma das Igrejas Nacionais Autônomas que fazem parte da Comunhão Anglicana: igrejas nacionais unidas pela mesma tradição católica apostólica e em comunhão com a Sé de Cantuária.
Ao contrário do que muita gente pensa, não existe uma Igreja Anglicana mundial, nos mesmos moldes que existe a Igreja Católica Romana. As Igrejas Anglicanas espalhadas pelo mundo todo se organizaram em uma Comunhão, chamada Comunhão Anglicana. Essa Comunhão não tem uma cúria mundial, ou um comando mundial. O conceito de autoridade na Comunhão é muito diferente do sistema curial que rege a Igreja de Roma.
As Províncias que formam a Comunhão Anglicana são todas independentes, auto-sustentadas e auto- governadas, cada uma pela sua Câmara dos Bispos, seu Sínodo, Concílios, e organismos internos que não necessariamente funcionam do mesmo modo em todas as províncias.
Em nível mundial a Comunhão é presidida simbolicamente pelo Arcebispo de Cantuária e possui vários órgãos consultivos – sem poder normativo: o Conselho dos Primazes (Bispos que presidem as Províncias), o Conselho Consultivo Anglicano (formado por representantes provinciais – bispos, clérigos e leigos), e a Conferência de Lambeth que reúne, a cada dez anos, os Bispos de todo o mundo. Nenhum desses organismos tem poder de decidir sobre a vida, a administração e a forma de ser de uma Província ou Diocese. Exatamente essa experiência de diversidade e autoridade partilhada e ao mesmo tempo dispersa que caracteriza o anglicanismo.
As Províncias nem mesmo têm um nome em comum. Por exemplo, a Igreja da Inglaterra (The Church of England), a Santa Igreja Católica Apostólica do Japão (Nippon Sei Ko Kai), a Igreja Anglicana do Canadá, A Igreja Episcopal dos Estados Unidos da América (The Episcopal Church), a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, A Igreja Episcopal da Escócia (The Scottish Episcopal Church), A Igreja de Hong Kong (Hong Kong Sheng Kung Hui), A Igreja Reformada Episcopal da Espanha, A Igreja Episcopal de Cuba, são algumas das Igrejas que formam a Comunhão Anglicana, unidas em uma mesma tradição apostólica que – em sua diversidade – afirmam sua catolicidade.
A Igreja da Inglaterra é a Igreja considerada mãe da Comunhão, mas não é a Igreja chefe. Sua especial situação como Igreja Estatal é específica na Inglaterra, assim como na Alemanha e na Escandinávia a Igreja Luterana é estatal – o que significa ligada ao Estado, que é confessional. Isso não tem nada a ver com o resto do mundo, é uma situação específica de cada país.
Como a cultura brasileira é marcada pela tradição do catolicismo romano, temos a tendência de achar que todas as Igrejas são iguais à Igreja de Roma, quando na verdade, a grande maioria das Igrejas (Protestantes, Evangélicas ou Orientais) são bastante diferentes entre si e do próprio modelo Romano.
Assim a pequena comunidade que forma a paróquia São Paulo Apóstolo em Santa Teresa é parte de uma grande comunhão de Igrejas advindas de uma mesma tradição apostólica, à qual se vincula através da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, cujo Bispo Diocesano está em Comunhão com os demais Bispos da Igreja Episcopal do Brasil e com o Arcebispo de Cantuária, e portanto, com todos os Bispos da tradição anglicana no mundo.
A Paróquia é mantida pela contribuição regular de seus membros e pelas ofertas do povo, e pela Diocese. Não temos nenhuma subvenção do Estado, seja o brasileiro, seja estrangeiro. O governo paroquial é exercido pelo Pároco e seu Coadjutor em conjunto com a Junta Paroquial composta por seis pessoas membros da comunidade, eleitas em Assembleia sem interferência dos pastores. A administração financeira e patrimonial da paróquia é de responsabilidade da Junta Paroquial, conforme determinam os Cânones da Diocese e da Igreja brasileira.
E a Rainha da Inglaterra??? Ela é exatamente isso: a Rainha da Inglaterra! com todas as atribuições previstas pela legislação daquele país, e nós não temos nada a ver com isso porque somos brasileiros, e aqui exercemos nossa cidadania.
Portanto, se você deseja cooperar para a restauração e manutenção de nosso templo, fale conosco. Há muitas formas de você ajudar!
Nossa pequena comunidade é acolhedora e está sempre aberta à colaborar com a vida em nosso Bairro e em nossa cidade, de muitas maneiras, além de oferecer o serviço religioso nos moldes da tradição herdada pela Comunhão Anglicana.
Sejam bem vindos e bem vindas em nosso meio e em nosso templo para orar, partilhar, estudar a Palavra de Deus e cooperar com seus dons no grande ministério do Senhor Jesus Cristo!
Rev. Luiz Caetano, ost+
mais informações veja em coluna lateral deste blogue alguns links para páginas de Igrejas que compõem a Comunhão Anglicana e a página da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
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4 comentários:

Sóror Joan Claire disse...

Acho que você foi muito feliz nesse texto: esclarecedor e acolhedor! Beijo.

Roberto Monteiro Salles disse...

Gosto muito de ser organista nesta paróquia, sinto-me respeitado como ser-humano, recebo a Palavra de Deus, alimento pra minha alma. Fiquem ligados comunidade, no coral que está para surgir, oportunidade para você que gosta de cantar, e quer se aprimorar em conhecimentos musicais em uma atividade conjunta onde podemos através da música ampliarmos nossos meios de amizades, e até mesmo nível cultural, na medida que conheceremos todo tipo de música de muitos lugares de todo o mundo. Roberto Monteiro Salles - Organista e músico da Paróquia EPISCOPAL ANGLICANA SÃO PAULO APÓSTOLO - em Santa Teresa - Cidade do Rio de Janeiro, RJ

Anônimo disse...

Puxa mestre,se eu não fosse anglicano,essas vossas palavras me converteriam ao anglicanismo.Não tem como não admirar vossa pessoa ao passar dos tempos pelas vossas palavras e pelo vosso modo de evangelizar.Sábias palavras sempre escritas coerentemente.Obrigado por dividir conosco palavras que edificam.

Paróquia S. Paulo Apóstolo - Episcopal Anglicana disse...

Uma nova informação: Há dois anos a Assembléia paroquial reduziu o número de membros da Junta Paroquial para três membros eleitos, além dos dois tesoureiros, e outros oficiais que formam com a Junta o Conselho Pastoral da Comunidade.

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