Os artigos deste blogue expressam o pensamento de seus autores, e não refletem necessariamente o pensamento unânime absoluto da comunidade paroquial. Tal unanimidade seria resultado de um dogmatismo restrito e isso contraria o ethos episcopal anglicano. O objetivo deste blogue é fornecer subsídios para a reflexão e não doutrinação. Se você deseja enviar um artigo para publicação, entre em contato conosco e envie seu texto, para análise e decisão sobre a publicação. Artigos recebidos não serão necessariamente publicados.

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28 junho 2017

Cem anos de presença episcopaliana em Santa Teresa

Templo paroquialEm agosto próximo nossa comunidade celebra o centenário da presença de nossa denominação em Santa Teresa. Aqui viemos, em 1915, através do Rev. Meen, a convite do Dr. Francisco de Castro Junior, para atender pastoralmente os internos da Assistência de Santa Teresa, obra social fundada pelo Dr. Francisco servindo pastoralmente às pessoas, pobres em sua quase totalidade, enfermas de tuberculose e febre amarela que, à época, assolavam o Rio de Janeiro.

Em 12 de agosto de 1917, o Bispo Kinsolving visitou a pequena comunidade nascida a partir do ministério do Rev. Meen junto aos enfermos e suas famílias. Na ocasião, o Bispo recebeu à Comunhão da Igreja 53 pessoas. E declarou organizada a Missão São Paulo Apóstolo. Você pode ler mais sobre a história em nossa página web (ver final deste artigo1).

Passados 100 anos, temos hoje o desafio de refletir sobre o significado desta Igreja no nosso Bairro. Começamos como uma pequena comunidade de serviço, e assim fomos na maior parte do tempo até hoje: uma igreja engajada no bairro, envolvida com suas causas e necessidades, testemunhando a ação de Deus no mundo através de Jesus, o Cristo.

Temos um belo templo, mas de caríssima manutenção, e a pequena comunidade paroquial não consegue atender às necessidades da manutenção e conservação do templo. E não temos visto, por parte da comunidade do Bairro uma real preocupação com isso, sempre na fácil e falsa ilusão de que somos a “igreja da Rainha da Inglaterra”, apesar de todos os nossos esforços em informar que não temos nada com a Inglaterra, sua Igreja, e a Rainha; apenas fazemos parte da Comunhão de Igrejas unidas pela Fé comum à Igreja da Inglaterra e a uma família de Igrejas Nacionais, Autóctones e Autônomas denominada Comunhão Anglicana, o que não significa que somos mantidos por essa Comunhão.2

Poucas pessoas no Bairro nos apoiam realmente com recursos para obras de manutenção, algumas até com grandes sacrifícios mas boa disposição. Mas, apesar disso, temos sido um espaço aberto a várias iniciativas em favor do bairro, e muitas ações hoje existentes em Santa Teresa nasceram ou ainda acontecem sob o guarda-chuva da nossa Paróquia.

A reflexão a ser feita é como continuar em Santa Teresa sem os recursos para garantir a manutenção do ministério da comunidade e sua infraestrutura. Talvez seja tempo de mudar nossa maneira de existir aqui e olharmos para novos paradigmas que desafiam a Igreja de Cristo hoje.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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1. Nossa História na página web da Paróquia: https://spapostoloepiscopal.wixsite.com/paroquial/blank-uic7m

2. Para entender a relação entender as Igrejas da Comunhão Anglicana, veja neste blogue, o artigo:

A Paróquia São Paulo Apóstolo, a Igreja Anglicana e a Rainha da Inglaterra

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03 junho 2017

O Tempo de Pentecostes

Pentecostes 8A Festa de Pentecostes celebra o início da Missão da Igreja, a partir do momento em que os discípulos e discípulas de Jesus, escondidos e com medo, recebem o Espírito Santo e dão início à Proclamação do Evangelho, a Boa Nova de Deus em Cristo.

A Festa de Pentecostes acontece 9 dias depois da Festa da Ascensão do Senhor, e inicia o Tempo Litúrgico da Igreja, quando as comunidades acompanham as narrativas dos Evangelhos sobre o Ministério de Jesus, como inspiração para o ministério missionário de Proclamar a Boa Nova, denunciar as ações diabólicas que ocorrem pelo mundo e testemunhar a Paz e a Justiça proclamando o Reinado de Deus. O Tempo depois de Pentecostes, também chamado Tempo Comum, termina na Festa de Cristo Rei, considerado o último domingo do ano litúrgico, que antecede o Domingo do Advento quando, então, reinicia-se o ano litúrgico.

O povo hebreu celebrava a festa da Colheita, o hag haqasir, sete semanas depois da Páscoa, e também como memória do dia em que Deus entregou a Moisés as Tábuas da Lei. Esse é o sentido original da festa de Pentecostes, celebrado no judaísmo dos tempos de Jesus.

A Igreja Cristã celebra nesse dia a vinda do Espírito Santo aos discípulos e discípulas de Jesus, dando início à pregação do Evangelho, a colheita da semeadura feita por Jesus... É a fundação da Igreja, não como instituição, mas como movimento que vai se expandir pelo Império Romano nos séculos seguintes e até mesmo para além dele.

Portanto, o Pentecostes nos convida a renovar nosso compromisso com a Missão (anúncio, denúncia e testemunho), essência do ministério que recebemos, por obra do Espírito Santo, em nosso Batismo. A Igreja, os discípulos e discípulas de Jesus saem com Ele pelo mundo, pelo poder do Espírito Santo, anunciando o Reinado de Deus, denunciando os poderes malignos e testemunhando a misericórdia e a graça infinita de Deus em Jesus, o Cristo.

Nos domingos durante o Tempo de Pentecostes, este ano as leituras estão focadas no Evangelho de São Mateus (Ano A cf. nosso Lecionário). Que esta caminhada nos ajude, pelo poder do Espírito Santo, como comunidade de Cristo, que sejamos renovados e assumamos com mais esperança e dedicação o compromisso com o Reinado de Deus, renunciando todos os demais reinos deste mundo.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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23 maio 2017

Ascensão: espiritualidade pé no chão!

ascensãoA narrativa da ascensão de Jesus aparece em três versões: em Marcos, em Lucas e nos Atos dos Apóstolos. Mateus e João não contém essa narrativa, a partir do contexto em que estes Evangelhos foram escritos.

O Evangelho segundo Marcos faz uma pequena referência à ascensão do Senhor e conclui afirmando estar Ele à direita de Deus (significando que Ele detém o poder de Deus).

Mas em Atos dos Apóstolos e no Evangelho de Lucas, a narrativa é bem detalhada, embora um pouco diferente nos dois livros.

Lucas conclui afirmando, como Marcos, que o Cristo foi se afastando e levado para o Céu (lugar de Deus) e os discípulos retornam a Jerusalém cheios de alegria. Mas o Livro de Atos apresenta um detalhe importantíssimo:

1.8 Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e se-rão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra. 9 Depois de ter dito isso, Jesus foi levado para o céu diante deles. Então uma nuvem o cobriu, e eles não puderam vê-lo mais. 10 Eles ainda estavam olhando firme para o céu enquanto Jesus subia, quando dois homens vestidos de branco apareceram perto deles 11 e disseram: — Homens da Galileia, por que vocês estão aí olhando para o céu? Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu voltará do mesmo modo que vocês o viram subir. (Atos 1.8-11 - NTLH)

15 abril 2017

Esperando…

Cruz da GuatemalaSábado Santo veio novamente. É sempre um daqueles dias em que eu não sei o que pensar ou que sentir sobre ele. Como a maioria dos sábados, a igreja está calma e tranquila, exceto pela agitação da atividade dos que cuidam do altar da Igreja, preparando o altar e para as celebrações do dia seguinte. Além disso, é mais um dia na vida da igreja, um dia em que não há reuniões em qualquer uma das salas e salões paroquiais, somente à noite para realização da Vigília Pascoal (aqueles que fazem), há uma aparente sensação de espera.

Sobre a espera que eu penso no Sábado Santo. Recentemente, um número de pessoas que eu conheço estão passando pela dor de esperar por várias coisas, algumas delas pela morte de seus entes queridos. É uma libertação para os moribundos, mas é uma dor para aqueles que estão esperando. Esperar assim custa muito para uma pessoa, significa a perda iminente de alguém muito importante em suas vidas. Por outro lado, é sensação de medo ver outro lado da cama vazia ou um quarto vazio, porque pode ser apenas no momento em que o amado passe para uma vida melhor. Continua sendo difícil para nós, e mesmo sabendo que vai acontecer, nunca estamos realmente e totalmente preparados para isso.

27 fevereiro 2017

O Tempo da Quaresma

Cruz da Quaresma 3Desde os dias primitivos da vida da Igreja, o povo cristão tem observado com grande devoção o tempo da Paixão e da Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. É costume prepararmo-nos para essas celebrações com penitência e jejum.
Antigamente, o Tempo da Quaresma era observado pelas pessoas que se preparavam para o Batismo, que acontecia na Páscoa, e por aquelas pessoas que seriam restauradas à plenitude da vida da Igreja. Recordava-se, assim, a mensagem de perdão e absolvição proclamada no Evangelho, e a constante necessidade de renovação do arrependimento e da fé.
O Tempo da Quaresma se inicia na quarta-feira seguinte ao último domingo do Tempo da Epifania, chamada Quarta-Feira de Cinzas, e termina no primeiro dia da Semana Santa, chamado Domingo de Ramos, totalizando 40 dias. A Igreja lembra, assim, os 40 dias que o Senhor Jesus passou em jejum no deserto, antes de iniciar seu ministério de anúncio da Boa Nova. Recorda-se, também, de forma simbólica, os 40 anos que o povo hebreu passou no deserto, como peregrino diante de Deus, até chegar à Terra Prometida, após a Libertação do jugo egípcio.

02 janeiro 2017

O Tempo da Epifania

Eis o Cordeiro de Deus 1A palavra Epifania significa “aparição”. Epifania é uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo. Também pode ser um termo usado para a realização de um sonho com difícil realização. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa". ( cf. Wikipédia).
A Igreja utiliza esse termo para se referir à descoberta de Cristo pelo mundo, à manifestação de Cristo ao mundo inteiro. Isso é representado no episódio narrado por São Mateus (Mt 2.1-12) sobre a visita dos “magos do oriente” a Jesus pouco tempo depois de seu nascimento.
Assim, a partir de 6 de janeiro – Dia da Epifania do Senhor, que no Oriente cristão se celebra também o Natal – até o domingo de carnaval (Domingo da Transfiguração), a Liturgia da Igreja se expressa no Tempo da Epifania. As leituras e reflexões dominicais procuram testemunhar as manifestações do Cristo Vivo, encarnado em Jesus de Nazaré, a diferentes pessoas em seu tempo (e nosso tempo).

20 dezembro 2016

O Tempo Litúrgico do Natal

Natal 2O tempo Litúrgico do Natal começa com a Vigília de Natal (a noite de 24 de dezembro) e termina na Véspera do Dia da Epifania do Senhor (6 de janeiro).
Tempo de festa e alegria, a Igreja relembra a chegada de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus que se tornou carne humana, e vive conosco para sempre!
Na Celebração da Natividade do Senhor ascende-se a quinta vela da Coroa do Advento, de cor branca, símbolo do Cristo, a Luz do Mundo!
Para as pessoas que vivem acima do Equador, portanto no hemisfério norte, é Inverno, o clima é muito frio e as noites são longas. Mas para nós, que vivemos no hemisfério sul, é Verão; portanto, faz calor e as noites são curtas. Por isso, nós não percebemos bem o simbolismo do Natal, uma festa de luz e de alegria, de esperança renovada.

19 novembro 2016

Que Rei é este?

Jesus na Cruz 2As Igrejas de tradição Anglicana, bem como a Igreja Romana e, em alguns lugares, várias outras denominações cristãs protestantes, incluindo os luteranos, alguns presbiterianos e metodistas, celebram, em honra de Cristo, a Festa de Cristo Rei, ou como diz no nosso Livro de Oração Comum, a Festa de Jesus Cristo, Rei do universo, no último domingo do ano litúrgico, antes que o novo ano comece com o primeiro domingo do Advento.
O belo poema de Paulo, na carta aos Filipenses, descreve muito bem a maneira de como o Senhor manifesta o Seu Poder e nos dá pistas para entender o Seu Reinado:
   “Ele tinha a natureza de Deus, mas não se impôs como igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte — morte de cruz.Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas no céu,na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai”. (Filipenses 2. 6-11)

26 outubro 2016

Uma questão de Justiça!

Viuva Chata 2a ovalA conhecida parábola “O Juiz Iníquo” é geralmente interpretada como uma orientação sobre a necessidade de se insistir na oração diante de Deus. Ou seja, Deus é como o juiz iníquo! Arrogante, e cheio de si, tipo aqueles que sempre perguntam ao interlocutor: “sabe com quem está falando?”. Seria Deus tão arrogante assim?  Jesus estava dizendo isso sobre o Papai?
Com certeza, não! Tal identidade contradiz tudo que Jesus nos ensina sobre Papai. Então, o objetivo da parábola é outro.  Vamos ao texto:
1 Jesus contou a seguinte parábola, mostrando aos discípulos que deviam orar sempre e  nun-ca desanimar: 2  — Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus e não respeitava ninguém. 3 Nessa cidade morava uma viúva que sempre o procurava para pedir justiça, dizendo: “Ajude-me e julgue o meu caso contra o meu adversário!” 4  — Durante muito tempo o juiz não quis julgar o caso da viúva, mas afinal pensou assim: “É verdade que eu não temo a Deus e também não respeito ninguém. 5 Porém, como esta viúva continua me aborrecendo, vou dar a sentença a favor dela. Se eu não fizer isso, ela não vai parar de vir me amolar até acabar comigo.” 6 E o Senhor continuou: — Prestem atenção naquilo que aquele juiz desonesto disse. 7 Será, então, que Deus não vai fazer justiça a favor do seu próprio povo, que grita por socorro dia e noite? Será que ele vai demorar para ajudá-lo? 8 Eu afirmo a vocês que ele julgará a favor do seu povo e fará isso bem depressa. Mas, quando o Filho do Homem vier, será que vai encontrar fé na terra? (Lucas 18.1-8 / NTLH)

28 agosto 2016

Vem ai o Centenário! Centenário???

IgrejaNossa Comunidade paroquial completou este mês de agosto, 99 anos. Quando falamos assim, temos a impressão de uma continuidade no tempo, sem interrupções, como se fôssemos a mesma comunidade que surgiu na Rua Aprazível, no alto de Santa Teresa, em 1917*.  Na verdade, somos e não somos!

Somos, à medida em que a comunidade hoje existente mantém a mesma Tradição, a mesma identidade e a mesma presença de testemunho solidário em Santa Teresa, desde quando o Rev. Meen aqui chegou atendendo ao chamado do Dr. Francisco de Castro Junior, para cuidar da espiritualidade das pessoas internadas na Assistência de Santa Teresa, pessoas pobres que sofriam de febre amarela e tuberculose.  Somos, à medida que hoje nossa pequena comunidade herdou o belo templo e a responsabilidade de mantê-lo e preservá-lo. Somos, à medida que os clérigos e clérigas que hoje presidem em nosso altar e ensinam em nosso púlpito seguem a mesma orientação doutrinária e litúrgica em sucessão às gerações de clérigos que exerceram seu ministério diaconal e sacerdotal como Ministros Encarregados e posteriormente Párocos, Coadutores e Colaboradores. A mesma herança apostólica ordenou aqueles clérigos do passado e os do momento presente.

Mas não somos, se considerarmos que a maioria de nós que hoje pertence à comunidade, ou a frequenta, não descende daquelas pessoas que há 99 anos fundaram a comunidade. Não somos, portanto descendetes dos fundadores, embora os consideremos nossos Ancestrais (mas não Antepassados). Hoje somos uma comunidade pequena de pessoas que optaram a prosseguir seu seguimento a Jesus o Cristo nesta tradição, se reunindo em adoração e serviço neste templo, na comunhão desta denominação religiosa cristã, parte da Única, Una e Diversa Igreja de Cristo, espalhada por todo o mundo em diferentes formatos, tradições, ritos e expressões de sua fé.

07 abril 2016

DEUS NOS LIVRE DE UM BISPO DE SUCESSO!

Traduzido do site Episcopal Café – 29/09/15  pelo Rev. Daniel Rangel


A Mitra do Sucesso!
Stephen Cottrell, o bispo da Diocese Chelmsford, na Igreja da Inglaterra, fez o sermão da consagração de três novos Bispos da Diocese de Londres: Anne Hollinghurst, Ric Thorpe e Ruth Worsley.

No sermão ele falou de três papéis importante para ser um bispo:  mensageiro, vigia (em oração) e pastor. E comentou como o Espírito Santo tem trabalhado em sua vida para torná-lo uma pessoa mais próxima de ser digno desta vocação ao qual foi chamado...

"No início deste ano eu fiz aquela coisa que muitos de nos bispos (da Inglaterra) fazem depois de eleito. Eu coloquei uma tenda no jardim da minha casa e convidei varias pessoas e grupos, para almoçar comigo, dia após dia, para agradecer ao voto de confiança a mim depositado.  O primeiro grupo que chamei foi o do clero aposentado da Diocese,  foi uma maneira de dizer obrigado. Sem eles a Igreja da Inglaterra seria rapidamente destruída. Alguns deles chegaram cedo, muito cedo, muito, muito cedo. Para vocês terem uma ideia, olhei para fora da minha janela por volta de dez horas da manhã e já encontrava várias (senhores e senhoras)  que me esperavam no jardim. Uma breve rodada cumprimentos e alguém que tinha me conhecido quando eu era adolescente me cumprimentou. Lembrei dele vagamente e das pessoas que ele estava comentando da minha adolescência. Ele me disse que estava surpreso quando soube que eu tinha me tornado o bispo dele. ‘Oh’ , ele exclamou e disse: ‘Espero que você tenha mudado desde de então?’  Eu respondi constrangido. ‘Sim!’. Eu continuei: ‘Bem, obrigado pelo voto de confiança!’ ”

26 março 2016

A Paixão de Jesus

(este texto é extrato do Ofício da Paixão - L.O.C. 2015 - realizado na Paróquia nesta Sexta Feira da Paixão; é partilhado aqui para servir com inspiração e meditação neste Sábado Santo - foram omitidas as orações, coletas e cânticos)

TRAIÇÃO
Lemos no Evangelho segundo João:   (João 18:1-5)
Tendo terminado de orar, Jesus saiu com os seus discípulos e atravessou o vale do Cedrom. Do outro lado havia um olival, onde entrou com eles.
Ora, Judas, o traidor, conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se reunira ali com os seus discípulos.
Então Judas foi para o olival, levando consigo um destacamento de soldados e alguns guardas enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus, levando tochas, lanternas e armas. Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, saiu e lhes perguntou:
_"A quem vocês estão procurando? "
_"A Jesus de Nazaré", responderam eles.
_"Sou eu", disse Jesus. (e Judas, o traidor, estava com eles. )

23 fevereiro 2016

Justiça, Misericórdia e Perdão


Na Bíblia, a palavra “misericórdia” aparece centenas de vezes.  Eu afirmo, até, que “misericórdia” é um dos grandes temas bíblicos. Acima de tudo, a Bíblia revela a Misericórdia de Deus, o Deus Misericordioso e Justo. Sim, porque Misericórdia e Justiça são lados de uma mesma figura, no conceito bíblico! É Deus quem julga a humanidade e Sua Justiça se baseia na Misericórdia
Em Mateus 5:7 Jesus diz: “ Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia”. Deus é misericordioso com quem exerce a misericórdia: “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.” (Tiago 2:13), ou seja a misericórdia está acima do juízo!  Assim, a misericórdia é algo a ser exercida como obediência a Deus! O julgamento de Deus se baseia no critério de cada pessoa.  Jesus afirmou “Porque, com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” (Mateus 7:2).
Todavia, quando pensamos em julgamento por Deus, muitas vezes imaginamos o Senhor como um juiz severo e mal encarado, feliz em condenar sem apelações (na verdade, em nossa cultura ocidental fomos ensinados assim!). Mas não é assim! Porque o juízo misericordioso de Deus tem, como prioridade, o Perdão!  O Perdão é o terceiro lado que compõe, com a Misericórdia e a Justiça , a figura imaginária do Deus Amoroso que se revela em Jesus, o Cristo.

11 fevereiro 2016

Deus é muito chato!

Não estou blasfemando! Isso é dito, com muitas palavras indignadas, no Livro de Jonas.

O Livro de Jonas é uma fábula. Explico: seu texto é um tanto absurdo, mas traz uma lição importante: a lição sobre o que significa ser Profeta.  Trata-se de um texto singelo e até divertido; é um desabafo e, ao mesmo tempo, uma advertência para quem recebe o chamado para ser Profeta (e o aceita).

Vamos ver o que o Livro de Jonas nos ensina sobre o ser Profeta (as citações são da Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil)

Certo dia, o SENHOR Deus disse a Jonas, filho de Amitai:  — “Apronte-se, vá à grande cidade de Nínive e grite contra ela, porque a maldade daquela gente chegou aos meus ouvidos”. Jonas se aprontou, mas fugiu do SENHOR, indo na direção contrária. Ele desceu a Jope e ali encontrou um navio que estava de saída para a Espanha. Pagou a passagem e embarcou a fim de viajar com os marinheiros para a Espanha, para longe do SENHOR.  (Jn 1.1-2)


Estava lá o Jonas, tranquilo e sossegado, cuidando de sua vida. Então Deus o chamou e o mandou ir a Nínive! Caramba! Nínive?! a capital da Assíria, um Império cruel (como todos os Impérios), que arrasou o Reino do Norte (Israel) e levou seu povo ao cativeiro?!?! Mas que coisa chata!

05 fevereiro 2016

Reflexão para a Quaresma: A Verdade que Liberta!

  [As citações bíblicas neste artigo são da Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH -SBB)]
           Romanos 14 apresenta, no meu entender, algo contundente: o Senhor não toma nenhuma posição sobre as nossas querelas doutrinárias, religiosas, de costumes e de moral. De certa forma o Apóstolo São Paulo apresenta um critério ético para que possamos conviver com as nossas diferenças.
 “Aceitem entre vocês quem é fraco na fé sem criticar as opiniões dessa pessoa.  Por exemplo, algumas pessoas creem que podem comer de tudo, mas quem é fraco na fé come somente verduras e legumes.  Quem come de tudo não deve desprezar quem não faz isso, e quem só come verduras e legumes não deve condenar quem come de tudo, pois Deus o aceitou.
 Quem é você para julgar o escravo de alguém? Se ele vai vencer ou fracassar, isso é da conta do dono dele. E ele vai vencer porque o Senhor pode fazê-lo vencer.
 Algumas pessoas pensam que certos dias são mais importantes do que outros, enquanto que outras pessoas pensam que todos os dias são iguais. Cada um deve estar bem firme nas suas opiniões.  Quem dá mais valor a certo dia faz isso para honrar o Senhor. E também quem come de tudo faz isso para honrar o Senhor, pois agradece a Deus o alimento. E quem evita comer certas coisas faz isso para honrar o Senhor e dá graças a Deus.”   (Rom 14. 1-6)
O acolhimento de quem está “fraco na fé” não deve ser para contendas.  Para muitos cristãos, os que não creem como eles creem, são “fracos na fé”, “heréticos”, possessos do demônio...  Surgem então as discussões infindáveis, que aumentam o preconceito de uns com os outros e de outros com os uns (preconceito gera preconceito)!  As discussões progridem para a ira, porque se tornam prisioneiras da “verdade absoluta”;  a ira gera intolerância e a intolerância gera a perseguição.  Nada melhor que “verdades absolutas” para gerar a histeria do fanatismo e da violência!

24 dezembro 2015

Um menino nos nasceu!


Um Menino nasceu para nós... pobre; na periferia de uma grande cidade situada na periferia de um grande Império (opressor como todos os impérios); visitado pelos pastores, aqueles que vivem fora dos muros; deitado em uma manjedoura, um curral, porque não havia quem o hospedasse... 
Alguém ainda lembra o que realmente se festeja?

19 dezembro 2015

O Lado Escuro da Força

Herói e Bandido
Sem dúvida, a bactéria consumista deste final de ano é mais um episódio da série Guerra nas Estrelas.

Nada contra a serie, que, aliás, gosto muito e assisti todos os episódios. De certa forma, é uma série inteligente, mas demasiadamente fantasiosa para ser considerada Ficção Científica de boa qualidade.

O Darth Vader é ao mesmo tempo um vilão e um herói. Foi considerado pela crítica como um dos personagens mais significativos e emblemáticos do cinema no século XX, e pelo jeito, continua sendo nestas quase duas décadas do século XXI.

A estória do Darth Vader é conhecida: o “Jedi” Anakin Skywalker, depois de perder sua condição de “Cavaleiro Jedi”, e ter sofrido uma barbaridade (perdeu as pernas, teve quase todo seu corpo queimado por lava), entrega-e plenamente à sedução do “Lado Escuro da Força”.

Maniqueísmos à parte, toda a saga , como a maioria das produções de Hollywood, acaba sendo a velha luta entre o Bem e o Mal, com uma tremenda sofisticação tecnológica e um enredo muito bem bolado; mas no fundo, continua sendo um filme de “mocinho e bandido”, com direito à cavalaria chegando para salvar a pátria… e o bandido morre.

22 novembro 2015

Milagres Acontecem?!

Viuva de Naim 2
Várias vezes acontece de pessoas me pararem na rua e perguntarem: “Padre, sua Igreja faz milagre?”  ou então: “Estou interessado na sua Igreja; o que ela tem para oferecer?”
É muito complicado dar uma resposta a perguntas desse tipo. Obviamente,  militantes imprudentes do proselitismo dirão que a resposta é simples: responder “Sim” à primeira questão e responder mostrando as atividades da igreja no caso da segunda, e, óbvio, convidar para que venha conhecer a igreja, que será bem recebido, que Jesus tem um presente para a pessoa, etc.
Mas não é tão simples, porque, por trás dessas perguntas estão alguns equívocos, e até mesmo uma disfarçada idolatria consumista, além de, muitas vezes , uma mente desesperada, uma alma aflita.
Eu costumo manter o diálogo assim:
“Padre, sua Igreja faz milagre?”  Respondo: “Olhe, a Igreja não é minha, mas é de Cristo; e ela não faz milagre, Deus é quem faz, em qualquer lugar e até lá… mas nós não fazemos disso uma propaganda para atrair pessoas, porque o milagre não é um mérito da Igreja, mas uma graça que Deus concede às pessoas que têm fé. Quando isso acontece, nós louvamos a Deus, mas não ficamos divulgando por ai, porque Deus não precisa de publicidade, nem milagres são possíveis de serem comprados. Você quer que eu ore com você?”
“O que a sua Igreja tem para oferecer?”  Respondo: “Olhe, a Igreja não é minha, mas é de Cristo. Ela tem para oferecer algo muito pequeno, nada de espetacular que esteja disponível em um Shopping. O que ela oferece cabe na palma da mão, Jesus disse que é do tamanho de uma sementinha… mas não se compra isso, nem se ganha com dinheiro, bajulação e arrogância; é de graça, mas requer muita humildade. E tem uma coisa importante que você precisa saber: exige compromisso e comprometimento. Você está mesmo interessado? Se estiver, será bem vindo!”

25 agosto 2015

Um pouco de História para deixar claro algumas coisas…

Boa Nova
Hoje em dia o adjetivo “evangélico” está substantivado, como identidade de grupos religiosos dos mais diversos, todos se afirmando “cristãos”, embora grande parte deles não professa exatamente a Fé Evangélica Cristã.
Entretanto, o desgaste sofrido pelo adjetivo “evangélico” leva as pessoas a pensarem que “ser evangélico” é exatamente ter a prática religiosa desses grupos, especialmente aqueles grupos em que a Graça e a Bênção são substituídas pela prosperidade material, pela compra de bênçãos e pela idolatria de seus líderes.
Em poucas palavras, de forma bem resumida, é bom lembrar que o adjetivo “Evangélica” foi atribuído por Martilho Lutero quando – excomungado pela Igreja de Roma – definiu seu grupo como Igreja Evangélica, não em oposição à Igreja Católica, mas afirmando a identidade de uma Reforma que deveria fazer a Igreja retornar sua confessionalidade à afirmação dos valores do Evangelho: a salvação pela Graça e pela Fé, e total obediência ao senhorio de Cristo, sempre com base nas Escrituras.
Aliás, “católico” e “apostólico” são outros adjetivos que foram substantivados como nome de Igreja ao invés de serem entendidos como qualidade universal da Igreja que vem dos Apóstolos; nesse sentido, todas as Igrejas que mantém seu vínculo histórico com o cristianismo primitivo, são católicas e apostólicas! Inclusive a Igreja Evangélica que surge a partir do pensamento de Martinho Lutero! e a maioria das Igrejas vindas do movimento da Reforma do Século XVI e, obviamente, as Igrejas Orientais, também conhecidas como Ortodoxas.