Os artigos deste blogue expressam o pensamento de seus autores, e não refletem necessariamente o pensamento unânime absoluto da comunidade paroquial. Tal unanimidade seria resultado de um dogmatismo restrito e isso contraria o ethos episcopal anglicano. O objetivo deste blogue é fornecer subsídios para a reflexão e não doutrinação. Se você deseja enviar um artigo para publicação, entre em contato conosco e envie seu texto, para análise e decisão sobre a publicação. Artigos recebidos não serão necessariamente publicados.

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15 julho 2013

Mordomia Cristã (2): Ação Diaconal

(veja também o primeiro artigo da série “Mordomia Cristã”: clique aqui)

ConsoladorNesta segunda reflexão sobre a Mordomia Cristã, vamos conversar sobre Ação Diaconal.

O termo Diaconia foi desde os primórdios do Cristianismo ligado ao serviço que se presta aos mais necessitados. Assim, em Atos dos Apóstolos 6.1-7 vemos o núcleo da Igreja Primitiva designando sete homens para exercerem o cuidado para com os órfãos e as viúvas, gente que – pela sua condição – sofria privações enormes. A criação dos Diáconos para cumprir essa tarefa em nome dos Apóstolos mostra que desde o início o cuidado com os necessitados era parte do ministério da Igreja, totalmente vinculado ao ministério apostólico.

O significado de Diaconia, com o passar dos séculos, desenvolveu-se para o conceito de serviço aos mais necessitados e, por extensão, à comunidade como um todo. Hoje podemos dizer, como uma simplificação, que Diaconia se aplica à ação social da Igreja, algo inerente à própria existência da Igreja e do seu testemunho do Evangelho de Cristo, uma vez que nosso Senhor está entre nós como “aquele que serve” (cf. Marcos 10.45: Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.)

Muitas organizações de inspiração cristã (e não cristã também), vinculadas ou não à uma determinada Igreja, fazem excelente trabalho de ação social. A maioria delas conta com quadros profissionais especializados e exercem importante papel no âmbito da cooperação e ação social. Ao contrário das instituições estatais ou exclusivamente patrocinadas pelo estado, a grande maioria delas adotam modelos de organização e gestão bastante sofisticados e eficazes, otimizando os recursos para suas atividades fins.

Nossa comunidade paroquial atua de diferentes maneiras em termos de ação diaconal:

SPAPOST 2012 09 09 1   1) Nós apoiamos duas organizações sociais que atuam servindo aos mais necessitados; dedicamos a elas mensalmente, pelo menos, duas coletas dos ofícios dominicais matutinos (conheça essas entidades, clique aqui);

    2) Periodicamente definimos um determinado domingo como Domingo Diaconal da Comunidade, quando a congregação deposita sob o Altar gêneros alimentícios, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, e outros produtos que são encaminhados para famílias carentes e outras instituições de ação social;

    3) Contribuindo mensalmente com a nossa Diocese através de determinado valor monetário, denominado Quota Diocesana, como parte de nossa contribuição para com o rateio de despesas da Diocese e da manutenção do clero diocesano; a comunidade começa a preparar-se para atender à solicitação da Diocese de, a médio prazo, ser capaz de contribuir com metade dos proventos do clero paroquial.  Nossa paróquia mesmo é uma Paróquia Subvencionada, ou seja, nosso clero paroquial é mantido com recursos diocesanos, advindos basicamente das contribuições em quotas de todas as comunidades. Entendemos que contribuir com a manutenção da Diocese é uma ação diaconal, uma vez que a Diocese é uma organização a serviço de suas comunidades.

   4) Nossa comunidade entende ainda como parte de sua Ação Diaconal a inserção nas campanhas e mobilizações populares do bairro de Santa Teresa e arredores. É comum nossas instalações servirem para reuniões das diferentes associações de moradores da região, especialmente o Conselho  de Ruas da AMAST (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa), especialmente as Assembleias Gerais e Audiências Públicas promovidas pela Associação. Mesmo sendo uma comunidade dispersa pela cidade do Rio de Janeiro (temos membros que residem na Zona Oeste, na Zona Norte e até mesmo na Baixada) a Comunidade é bastante sensível aos problemas do bairro e totalmente solidária na defesa dos interesses do povo de Santa Teresa.

  5) O Atelier Paroquial , sob coordenação da eclesiana,  Sra. Lídia Crespo Correia, com apoio do Atelier Mãos que Fazem, promoveu, por muitos anos o curso de Patchwork em nosso salão paroquial. Hoje o Atelier continua funcionando como espaço onde mulheres oriundas dos cursos se reúnem para compartilhar experiências e confeccionar juntas seus trabalhos.

  6) Várias iniciativas sociais hoje existentes em Santa Teresa, germinaram a partir do apoio decisivo e total da Paróquia São Paulo Apóstolo, nos últimos 15 anos. Por exemplo, o Cine Santa (cinema de qualidade a preços módicos especialmente para os moradores no bairro), começou há 10 anos exibindo filmes em nosso templo paroquial nos sábados à tarde. Hoje o Cine Santa tem seu próprio ambiente, no Largo do Guimarães, uma sala confortável onde são exibidos o que há de melhor na produção cinematográfica brasileira e internacional.  Durante vários anos a Feira Ecológica em Santa Teresa funcionou semanalmente em nossas instalações; A Horta Comunitária do Morro da Coroa nasceu há quase 5 anos graças ao apoio total da Paróquia como responsável por um projeto submetido e apoiado pela Cooperação Ecumênica nacional e internacional. 

Arte-terapia no Morro dos Prazeres   7) Mais recentemente, a Paróquia promoveu um programa de Arte-terapia para mulheres vítimas de violência na Comunidade do Morro dos Prazeres, com parte dos recursos fornecidos pela Oferta Unida de Gratidão da nossa Igreja no Brasil. Esse projeto, coordenado pela Assistente Social,  Sra. Sandra Mônica da Silva Schwarzstein,  paroquiana e secretária da Junta Paroquial. O programa agora está em fase de avaliação e planejamento para ampliar sua abrangência, visando a criação de outro grupo que se reunirá no salão paroquial. Em breve publicaremos mais informações a respeito.

   8) O programa Música e Café na Igreja é também entendido como parte de nossa Ação Diaconal, pois é um serviço ao bairro e uma oportunidade para jovens artistas se apresentarem sem custos de produção. Pelo menos uma vez por bimestre a Paróquia promove em seu templo a apresentação de artistas e grupos musicais (inclusive dança) com entrada franca, sendo servido um cafezinho ao final, facilitando o convívio e a boa conversa.

   9) Nossa comunidade conta em sua congregação com quatro pessoas  profissionais na área do Serviço Social, que estão sendo desafiadas pela comunidade e pelos pastores a organizarem de forma efetiva a Ação Diaconal da Paróquia.

As Contribuições Regulares e as Ofertas que recebemos são direcionadas não só para a manutenção do serviço religioso, mas também para a Ação Social. Apesar dos poucos recursos que temos, nossa Comunidade compartilha-os em nome do Senhor Jesus  Cristo como testemunho do Seu amor e Sua misericórdia para com todas as pessoas. Nós entendemos que a Ação Diaconal é parte de nossa Missão e uma das nossas mais efetivas formas de evangelização.

Quando você contribui ou oferta para a Paróquia São Paulo Apóstolo sabe que o dinheiro oferecido é utilizado em nome do Senhor para o benefício da comunidade e da ação evangelizadora de presença e solidariedade. Muito obrigado a todos que, generosamente, partilham seus dons materiais, vocacionais e profissionais em nossa comunidade paroquial.

Rev. Luiz Caetano, ost+

Rev. Daniel Rangel, ost+

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26 junho 2013

Santo Albano, mártir

Santo Albano 3Nosso calendário litúrgico celebra a memória de Santo Albano dia 22 de junho. Santo Albano tem um lugar especial na tradição anglicana por ter sido o protomártir (primeiro mártir) da Grã-Bretanha. Vamos conhecer um pouco da vida de Santo Albano e inspirar-nos em seu testemunho (martirya no grego – daí a palavra mártir significar testemunha).

Albano, cuja origem talvez fosse romana, residia em Verulamium, a cidade-fortaleza construída pelos romanos a sudeste da ilha britânica, perto de River Ver, e prestou serviço no exército imperial de Roma. Sendo pagão, nada tinha a temer quando começou a perseguição anticristã, possivelmente a decretada pelo imperador Sétimo Severo e não a do seu sucessor Diocleciano, como alguns historiadores acreditam.

Certo dia, um cristão perseguido chegou à sua casa. Albano o acolheu e escondeu. Observou que o homem mantinha-se em vigília, orando noite e dia. A convivência e o exemplo do hóspede clandestino levaram Albano impressionar-se com a fé cristã. Tocado pela graça de Deus, converteu-se. Tornou-se um cristão, justamente naquele momento de risco de morte tão sério.

Dias depois, soldados foram à casa de Albano, porque souberam que ele escondia um cristão. Quando chegaram, o santo mártir se apresentou vestindo as roupas do cristão procurado e disse: “Aquele que vocês procuram sou eu”. Assim, foi levado, amarrado, perante o juiz.

O juiz ordenou que Albano fosse torturado e ele o foi com extrema crueldade, e tudo suportou com paciência e íntima alegria, testemunhando sua confiança em nosso Senhor. Quando o juiz percebeu que ele não abandonaria a fé cristã, decretou sua morte por decapitação, uma vez que era soldado romano e assim cometera crime de traição ao Império, pois confessava outro Senhor (Kyrios) que não era o Imperador. Ao ser levado para a execução, Albano converteu seu carrasco, que posteriormente também foi executado. O mártir Albano morreu no dia 22 de junho de 304.

Quase um século depois, quando o cristianismo já era reconhecido no Império e os cristãos tinham liberdade para vivenciar sua fé publicamente, no lugar de seu martírio foi erguido um monumento para sua sepultura, o qual se tornou um lugar de muitas peregrinações nos séculos seguintes. São Germano, que fez peregrinação ao túmulo de Albano, levou para a Gália um pouco da terra da sepultura do venerado mártir, em 429. Dessa forma, Albano passou a ser venerado também no continente.

Ainda no século V, com a retirada dos romanos, a Grande Bretanha foi invadida por tribos germânicas (anglo-saxões), as quais, mais tarde,  foram evangelizadas e passaram a propagar o culto do admirável mártir Albano por toda a Alemanha. O papa Gregório Magno, entre os anos de 590 e 604, concedeu a autorização para o culto e declarou Albano santo e mártir pelo testemunho da fé em Cristo.

No lugar onde foi martirizado, formou-se a cidade que hoje leva o seu nome: Saint Albans, ao norte da área metropolitana de Londres, onde se encontra a esplêndida Catedral de Santo Albano. A Igreja festeja-o no dia 22 de junho, mas em algumas regiões é homenageado no dia 17, isso porque um antigo copista cometeu um erro e trocou o numero romano XXII por XVII.

A história da Igreja conta com muitas testemunhas que deram sua vida pela fé. É preciso entender que, no tempo do Império Romano, os cristãos eram condenados por um motivo político e não religioso.

O Império Romano era bastante liberal no que se referia à religião; aliás, essa era uma das táticas para manter a Pax Romana: o respeito à cultura e às tradições dos povos dominados, desde que se mantivesse o Imperador como Sumo Pontífice, ou seja supremo chefe religioso, de qualquer religião, e em alguns momentos, o Imperador devia ser honrado como divino. O título “Kyrios” (Senhor Absoluto) era exclusivamente atribuído ao Imperador.

Mas os cristãos teimavam em reconhecer como Kyrios a Jesus – quem, do ponto de vista do Império, havia sido um fora-da-lei e agitador, condenado à morte pelo governo romano da Judéia, sob a acusação de proclamar-se Rei.

Ora, reconhecer outro “Kyrios” que não fosse o Imperador, era considerado crime de alta traição. Assim, os mártires cristãos deram sua vida por afirmarem que o senhorio absoluto não cabe a um ser humano, mas exclusivamente ao Senhor dos Senhores, o Filho de Deus, ao Deus encarnado, Jesus, o Cristo.

Rev. Luiz Caetano, ost+

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10 maio 2013

Mordomia Cristã: nossa responsabilidade

Mordomia Cristã 2Mordomia é “cuidar da casa”! Mordomo é alguém a quem entregamos o cuidado da nossa casa. Após a Criação, Deus entregou tudo ao ser humano que, assim, se tornou Mordomo da Criação! Por isso, como cristãos, nos sentimos responsáveis pelo cuidado da Natureza e pela preservação da Vida em todas as suas manifestações.

Em certo sentido, enquanto comunidade, somos chamados a ser mordomos uns aos outros, ou seja, o bem estar de cada um de nós é responsabilidade de todos nós! Por isso, somos chamados a exercer a solidariedade, a partilhar nossos dons (dádivas de Deus), servindo uns aos outros da mesma forma como Deus foi solidário conosco enviando seu próprio Filho para servir como nosso Redentor!

Como cristãos somos chamados a exercer também a mordomia para com a Igreja. A Igreja, comunidade dos filhos e filhas de Deus em Cristo pelo Batismo, enviada por Cristo para anunciar o Evangelho, existe e atua no mundo, organizada como uma instituição e, portanto, precisa ser mantida e sustentada.

Como podemos fazer isso? De várias maneiras; hoje vamos ver uma delas:

A Manutenção e o Sustento da Igreja

Todos os membros da Igreja, especialmente aqueles que reafirmaram sua fé na Confirmação (Crisma) ou que foram recebidos à Comunhão da Igreja, são responsáveis pela manutenção e sustento da Igreja. Há várias maneiras de colaborar e todos nós somos chamados para isso.

a) Contribuição Regular: Veja bem: Deus não necessita de um Templo, nem de um salão paroquial, nem de pastores; Deus não precisa de nada disso. Mas nós necessitamos de um espaço sagrado, de um espaço para o convívio fraterno, de pastores e pastoras que nos sirvam como ministros e orientadores espirituais; gostamos de boa música nas celebrações, gostamos de ver o templo limpo, arrumado e decorado conforme nosso costume. Isso faz parte de nossa identidade denominacional, e nos localiza no tempo e no espaço enquanto comunidade confessante! Para manter tudo isso, cada membro da Igreja dá sua Contribuição Regular, um valor mensal que se destina exclusivamente para a manutenção da Igreja e o sustento do ministério e da Missão. Cada família, ou cada pessoa decide qual o valor que dará como Contribuição Regular, mensalmente ou conforme a sazonalidade que julgar conveniente à sua realidade. Esse valor será colocado em um envelope especial para o registro da contribuição, que será posto na salva por ocasião da Coleta nos ofícios, ou entregue diretamente ao Tesoureiro Paroquial. Você pode obter o envelope diretamente com o Tesoureiro ou qualquer membro da nossa Junta Paroquial (membros eleitos pela congregação para administrarem a Paróquia com o Pároco, com mandatos determinados). A Contribuição Regular informada é base para a gestão orçamentária da Paróquia. Converse com o Tesoureiro!

b) Ofertas durante os Ofícios: É importante que você saiba que as ofertas dadas por ocasião dos ofícios (coleta) não se destinam à manutenção da Paróquia exclusivamente. As coletas dos ofícios destinam-se às ações específicas da Comunidade: Diaconia (serviço e ação social), apoio a algum projeto diocesano ou nacional, instituições de caridade da Igreja ou de outras denominações, campanhas especiais, etc. A cada ofício anunciaremos a finalidade da coleta e o destino das ofertas recebidas. Oferta não substitui a Contribuição Regular!

c) Ofertas Especiais: É costume entre os episcopais anglicanos, em ocasiões especiais, dar-se uma oferta em ação de graças. Por exemplo, no Natal e na Páscoa, aniversário, formatura, matrimônio, etc. Nossa Paróquia não cobra pelos serviços religiosos prestados aos membros da comunidade (batizado, casamento, sepultamento, etc.); no caso de casamentos de pessoas não membros da comunidade,  a Junta Paroquial estabeleceu um valor que é destinado para o fundo de manutenção e conservação do templo. Quando recebido, esse valor é registrado como Oferta Especial em nossa Tesouraria e na Contabilidade.

d) Exerça seu ministério de serviço à Comunidade: Além da contribuição financeira, o membro da Igreja deve oferecer algum dom e um pouco do seu tempo para servir à comunidade. Por exemplo, você pode auxiliar na Liturgia, ser membro da Junta Paroquial, cuidar dos objetos do culto e da decoração do Altar, ajudar o Pároco na Educação Cristã da comunidade, prestar algum serviço na sua área profissional ou de conhecimento (por exemplo, música, saúde, contabilidade, manutenção de equipamentos ou do prédio, decoração do templo, do jardim, etc.). Há muitas oportunidades! Fale com os Pastores da Comunidade!

Este não é um artigo para pedir dinheiro para a Igreja. Nossa Paróquia, e a nossa Tradição não negocia com a Graça, nem faz barganhas com serviços religiosos. Ninguém deixa de receber os sacramentos, nem de participar das atividades da Igreja porque não é contribuinte.  Nossa Tesouraria publica, mensalmente,  no mural da Igreja todo o movimento financeiro da Paróquia.

Intencionalmente, não coloquei referências bíblicas sobre o assunto, embora a Sagrada Escritura, em diferentes textos, trate do tema; preferi abordar a Mordomia Cristã enquanto conceito ético e não obrigação religiosa.  A contribuição financeira para a Igreja é um sinal de compromisso e pertença real, movida pela vontade solidária de cada um. Cabe a você decidir se você é realmente parte da Igreja ou apenas se considera alguém consumidor de religião que dá uma esmolinha ou uma ajuda vez em quando…

Rev. Luiz Caetano, ost+

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30 março 2013

JESUS RESSUSCITOU! ALELUIA!

Jesus ressuscitado

      “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida. Então, correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram. Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo e foram ao sepulcro.  Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro;  e, abaixando-se, viu os lençóis de linho; todavia, não entrou. Então, Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis,  e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar à parte.  Então, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. Pois ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos.E voltaram os discípulos outra vez para casa.
Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés. Então, eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela lhes respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Tendo dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus.  Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (que quer dizer Mestre)! Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus. Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor! E contava que ele lhe dissera estas coisas.”  (João 20.1-18)

Cristo ressuscitou! O Senhor vive no meio de nós!

Ele está conosco até o fim dos tempos!  Para sempre!

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22 março 2013

Oração Consciente e Coerente

Jesus_orando- de dia Jesus fazia da oração o recurso para aquietar sua humanidade a fim de ouvir e falar com o Pai. Assim, contam os Evangelhos, ele recebeu orientação para, por exemplo, escolher seus discípulos, e também receber o conforto no Horto antes de ser preso. Na oração, o homem Jesus experimenta profunda comunhão com Seu Pai.

Certa vez um dos discípulos pediu a Jesus que os ensinasse a orar, e Jesus ensinou a oração que conhecemos como Oração Dominical ou Pai-Nosso, a oração que recitamos em comunidade e também individualmente.

Todavia a oração não se resume em uma fórmula definida que se repete, nem em ritos. A oração é mais que isso, é um estado consciente em que o coração humano pode entrar em comunhão com Deus mediante o Cristo, pois toda oração cristã é feita em nome do Senhor Jesus Cristo; ou seja, Jesus ora conosco quando oramos, e assim entramos na intimidade de Deus – o Pai – em  comunhão com Seu Filho. A oração nos dá acesso Àquele que nos criou e que nos conhece profundamente e, em amor misericordioso, supre nossas necessidades. 

Refletindo a partir da oração que Jesus nos ensinou, podemos tirar algumas lições sobre a oração cristã, orientando-nos para nosso momento pessoal de oração e também quando oramos com outras pessoas cristãs. Vamos fazer uma breve reflexão com base no texto que se encontra em nosso Livro de Oração Comum (LOC), ou seja, a fórmula que utilizamos em nossa oração comunitária.

“Pai Nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu Nome; venha o teu Reino; seja feita a Tua Vontade assim na terra como no céu”.

A oração é sempre dirigida ao Pai, é com o Pai que entramos em comunhão quando oramos. Assim, toda oração é louvor e reconhecimento do Nome Santo de Deus e de Sua Glória. A oração é também testemunho de submissão e confiança à vontade soberana de Deus, e manifestação de adesão ao Seu Reino como horizonte de nossa vida.

Talvez algumas pessoas considerem desrespeitosa a forma de tratamento para com Deus (segunda pessoal do singular), diante da majestade de Deus. Todavia, mesmo sendo Soberano, Ele deseja uma intimidade conosco, intimidade de companheiro, intimidade de quem se sabe Senhor mas, acima de tudo, se apresenta como Pai Amoroso. Não se trata de irreverência, mas de reconhecimento de intimidade que o próprio Deus concede. Assim, a ousadia de chamar Deus de Tu é, na verdade, reconhecimento de Sua Majestade Misericordiosa.

“O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje”.

A oração inclui o reconhecimento de nossas necessidades colocando-as diante do Pai Amoroso em plena confiança que Ele nos supre. Importante notar que a petição é  para hoje, não para amanhã ou para os próximos anos! Não há necessidade de cronogramas em nossa relação com Deus, pois Deus não tem relógio, nem calendário; o tempo de Deus é sempre o hoje, porque para Deus não há passado, nem presente, nem futuro. A confiança em Deus deve ser tal que nos liberta da ansiedade pelo futuro, e nos permite gozar as dádivas de Deus em cada momento de nossa vida. Jesus afirmou que devemos buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e tudo que necessitarmos nos será acrescentado (cf. Mateus 6.25-34).

“Perdoa as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos os nossos devedores”.

Não se trata apenas de reconhecimento e confissão de pecados! Naturalmente, cada vez que oramos, devemos reconhecer diante de Deus nosso pecado, nossa incapacidade de viver de forma absolutamente solidária e em obediência à Vontade Soberana de Deus. Mas é principalmente reconhecer que somos devedores de Deus, pois Ele nos ama incondicionalmente, atua em nossa vida com misericórdia e nos concede a Graça (de graça) porque o próprio Jesus, Seu Filho, já expiou para sempre os nossos pecados. Assim, invocar o perdão de Deus estamos afirmando também nossa disposição de sermos misericordiosos uns com os outros. O “assim como”  da oração não é uma condição, mas uma disposição solidária de sermos misericordiosos, uma abertura à graça de Deus que nos torna misericordiosos. Novamente o texto de Mateus 6.25-34 nos lembra: buscar o Reino de Deus e sua justiça, a justiça de Deus é misericórdia.

“Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do Mal”

Como seres históricos, vivemos cercados pela tentação. A tentação da auto-suficiência e de ocuparmos o lugar de Deus. Ao pedirmos livramento da tentação, estamos sendo coerentes com nosso desejo de submissão ao amor e à vontade de Deus, confiando plenamente em Deus.  Evitar ou não ceder à tentação é exercício de subordinar nossa vontade e nosso desejo à bondade de Deus. Deus não nos permite uma tentação maior que a Graça que nos concede para vencê-la!

Como não temos poder absoluto sobre nossas vidas, estamos à mercê do Mal. O Mal nos atinge sempre de forma imprevista e, por mais que cuidemos e ajamos com prevenção, não podemos evitá-lo de forma absoluta. Assim, precisamos contar om o livramento que vem de Deus. 

“Pois Teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre”.

Terminamos a oração louvando e afirmando o senhorio de Deus, uma forma de manifestar a gratidão pelo Seu Amor.

Uma coisa sempre me chamou a atenção no “Pai Nosso”: é uma oração feita no plural. Quando oramos sozinhos não dizemos “Pai Meu”, nem pedimos “o meu pão de cada dia”, ou “me livre do Mal”! Sempre a recitamos no plural,ou seja, quando estou orando não estou orando apenas por mim, mas estou incluindo outras pessoas! A oração por si mesma é inclusiva e intercessora! Ao orar o Pai Nosso, estou me colocando como parte de Seu Povo, de Sua Igreja, e incluindo todos os irmãos e irmãs nessa oração. Não basta buscar o Reino de Deus, mas também a sua justiça! A justiça do Reino é inclusiva!

Nossa oração pessoal deve ser sempre consciente e coerente; para isso deve ser inspirada no “Pai Nosso”, a oração por excelência, legada a nós pelos discípulos de Jesus que a aprenderam com ele. Não há lugar para petições egoístas, nem há lugar para determinar o que Deus deve fazer. A oração consciente e coerente sempre vai afirmar nossa gratidão pelo Amor de Deus que fala mais alto que nossos desejos e sonhos, é inclusiva e intercessora, e dá testemunho de nossa dependência da vontade soberana de Deus!

Rev. Luiz Caetano, ost + , em Recife.

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